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Boletim Informativo Nº.34
Dicas para uma safrinha de rei

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Análise Mensal do Milho - Dezembro

O ano de 2011 iniciou em clima de redução da área da safra de verão no Brasil, diante da menor rentabilidade do milho frente a culturas concorrentes em área, especialmente a soja. Mesmo assim, era de se esperar que os baixos estoques pudessem dar sustentação aos preços nos mercados interno e externo. E, de fato, isso aconteceu. A maior paridade de exportação elevou os preços internos já a partir de meados de janeiro, à medida que favoreceu as vendas para o exterior, o que estimulou o aumento do cultivo no Norte e Nordeste do País. No mercado externo, os baixos estoques, principalmente nos Estados Unidos, contribuíram para que os preços em Chicago alcançassem níveis recordes em julho.

Para a safra 2010/11, no período de tomada de decisão quanto ao que cultivar na safra de verão, a relação custo/beneficio estava favorável à soja e as cotações do milho seguiam sem sinais de reação. Conseqüentemente, parte da área de milho foi substituída, especialmente por soja. Mesmo assim, em estados do Norte e Nordeste houve tempo para retomada do cultivo, levando a crescimento de área, diante da recuperação dos preços no primeiro trimestre de 2011.

Da mesma forma, para a segunda safra, também houve crescimento de área cultivada, tendo em vista que os preços estiveram em níveis atrativos aos produtores pelos menos entre fevereiro e setembro de 2011. No último trimestre do ano os preços cederam, pressionados pelas preocupações com a crise na zona do euro e pela retração compradora nos mercados interno e externo.

Dados da Conab apontaram que, na safra de verão de 2010/11, a área de milho verão aumentou 2,5%, para 7,9 milhões de hectares. A produtividade chegou ao recorde de 4.538 kg/ha, 2,9% maior que a do ano anterior, contribuindo para a produção de 35,9 milhões de toneladas, 5,4% a mais que a da safra 2009/10.

Na segunda safra, a área cultivada aumentou em praticamente todo o País (+12,4%), chegando a 5,9 milhões de hectares, segundo a Conab. Entre os principais produtores, somente em Mato Grosso houve diminuição da área de milho, de 3,6%. Porém, faltou chuva nas principais regiões produtoras, além do que a geada em regiões do Sul, de Mato Grosso do Sul e de São Paulo também agravou as perdas de produtividade. No agregado, o rendimento das lavouras foi 12,4% inferior ao da segunda safra de 2009/10, na marca de 3.645 kg/ha. Entre os principais produtores, apenas em Goiás houve crescimento da produtividade.

Como consequência, a produção da segunda safra 2010/11 foi de 21,6 milhões de toneladas, 1,6% menor que a anterior, segundo a Conab. Importante destacar que 2011 foi o primeiro ano em que a produção de segunda safra de milho no Paraná superou a da safra de verão.

No agregado (verão + segunda safra), a área de milho no País foi de 13,84 milhões de hectares na safra 2010/11, 6,5% maior que na anterior. A produtividade média diminuiu 3,6%, para 4.156 kg/ha, mas a produção total aumentou 2,7%, para 57,5 milhões de toneladas, segundo a Conab.

Do lado da demanda, a Conab apontou que o consumo interno chegou ao recorde de 48,4 milhões de toneladas e a exportação deve fechar 2011 em 9,2 milhões de toneladas, o terceiro maior volume da história. Mesmo assim, os estoques de passagem em 2011 devem ser de 9,6 milhões de toneladas, também o terceiro maior.

Refletindo os diversos movimentos de oferta e demanda, no acumulado de 2011, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (região de Campinas-SP; valores a prazo são convertidos para à vista pela taxa de desconto CDI) subiu 5%. Se considerada a taxa de desconto NPR, na região de Campinas, houve alta de 4,9%.

Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços subiram 7,1% no mercado de balcão (ao produtor) e 3,8% no de lotes (negociação entre empresas) em 2011. Importante observar que ao considerar o preço médio anual, os valores no balcão em 2011 ficaram 46,6% maiores que os de 2010, assim como os do mercado disponível, que subiram 46,9% na média de 2011 frente à de 2010.

Pontualmente, em janeiro, o setor esteve atento à oferta de milho da Argentina. Quase que semanalmente os números de oferta daquele país foram reajustados para baixo, deixando compradores extremamente apreensivos.

Em fevereiro, a comercialização de milho foi caracterizada por oscilações distintas entre as principais regiões produtoras e de comercialização no Brasil. Enquanto a demanda do Sul dava sustentação aos valores regionais, mesmo em período de colheita, nas demais praças, o abastecimento via compras em leilões governamentais pressionava as cotações.

Apesar de a colheita da safra de verão avançar em março, a disponibilidade de milho no mercado interno ainda foi semelhante à do período de entressafra. As freqüentes chuvas dificultavam a colheita e também o cultivo das lavouras de segunda safra; os preços no porto caminhavam para recordes, deixando vendedores retraídos.

Mas, em abril, a Conab estimou a produção brasileira de milho para cima, aproximando-a da observada em 2009/10, enquanto as exportações diminuíam em relação ao estimado em março. Com isso, a pressão sobre os valores passou a prevalecer, até que, na segunda quinzena de maio, começou a se especular sobre a possibilidade de menor oferta da segunda safra e crescimento da demanda, combinação que voltou a impulsionar os valores domésticos.

Já em junho, com o início da colheita do milho de segunda safra no Paraná e nas regiões do Centro-Oeste, produtores se mostraram otimistas com preços, mas decepcionados com a produtividade, que se apresentava bem menor que a da segunda safra anterior – que foi a maior da história, segundo a Conab.

A combinação dessa quebra de produtividade com informações a respeito do clima nas lavouras dos Estados Unidos – primeiro, houve atraso do plantio devido a chuvas e, depois, o clima esteve seco e quente – tornou ainda mais incerto o cenário de oferta e demanda de milho no Brasil e no mundo. Com isso, intensificaram-se os movimentos distintos de preços entre as regiões acompanhadas pelo Cepea – os quais já eram observados desde o início de 2011.

Mesmo assim, no início de setembro, as cotações do milho nos mercados interno e externo voltaram a ter altas expressivas, aproximando-se dos maiores patamares do ano. No Brasil, apesar da proximidade da finalização da colheita de segunda safra, a menor produção frente ao esperado e o ritmo acelerado de compras deram o tom altista aos preços. No mercado externo, as cotações se aproximaram de recordes, mas cederam na segunda metade do mês devido à realização de lucros e preocupações com a crise econômica especialmente na zona do euro.

A partir de outubro, agentes acentuaram a cautela, com compradores adquirindo basicamente o necessário para o consumo de curto prazo. A liquidez passou a ser cada vez menor, potencializando oscilações de preços em sentidos diferentes entre as regiões acompanhadas pelo Cepea – definidas em função da oferta e demanda locais. Em geral, acumularam quedas expressivas e voltaram a patamares de novembro de 2010. Além da menor demanda para importação do milho do Brasil e dos Estados Unidos, a necessidade de venda por parte de alguns produtores também foi motivo de pressão. Com a proximidade do final do ano, muitos produtores e cerealistas passam a se focar no planejamento para receber a nova safra e, dessa forma, têm ajustado a parte financeira.

Análise sobre o mercado de milho elaborada pelo Cepea.
Equipe: Prof. Dr. Lucilio R. Alves, Ana Amélia Zinsly, Renata Maggian, Debora Kelen Pereira da Silva, Guilherme Martins Corder, Aline Fidelis e Julia B. Alcarde.





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