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Boletim Informativo Nº.30
Estabilidade Pioneer na Safrinha

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Análise Mensal do Milho - Junho

No correr de junho, os preços do milho no mercado interno tiveram dois momentos distintos: na primeira quinzena, os valores conseguiram se sustentar; já no período seguinte, houve quedas expressivas. Dessa forma, no acumulado do mês, os preços do milho acumularam baixa, conforme dados do Cepea.

No início de junho, as altas foram influenciadas pela expectativa da intervenção governamental (por meio de leilões de PEP e de Pepro) e pelo impacto do clima desfavorável à safrinha de milho no Centro-Oeste. Isso fez com que produtores ficassem retraídos, ao passo que alguns compradores se mostraram mais ativos, inclusive tradings que participaram dos primeiros leilões de PEP e tinham a intenção de exportar o produto.

Já no final do mês, os preços perderam força por conta do avanço da colheita e também das dificuldades com os leilões de PEP – o cancelamento inesperado de um leilão na segunda quinzena de junho aumentou as preocupações de vendedores. Segundo pesquisadores do Cepea, conforme a colheita da safrinha avançava, muitos produtores necessitavam vender o grão para liberar espaço nos armazéns e também para fazer caixa. Porém, enquanto a oferta aumentava, a demanda seguia retraída. Até junho, as exportações não encontraram um ponto de alavancagem, e os compradores internos seguiam sem interesse por grandes aquisições.

O maior motivo de preocupação de produtor de Mato Grosso, em especial, é o déficit de armazéns. Produtores consultados pelo Cepea comentam que boa parte dos silos ainda possui milho da safra passada e também aquele já negociado em leilão, além dos grãos colhidos da safrinha.

Quanto aos preços, no acumulado do mês, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (região de Campinas-SP) teve queda de 3,3%, fechando a R$ 18,47/sc de 60 kg no dia 30 de junho. Considerando uma média dos preços das regiões pesquisadas pelo Cepea, houve queda de 1,1% no mercado de balcão (ao produtor) em junho e de 2,2% no de lotes (negociação entre empresas).

Considerando as médias mensais, no entanto, os valores subiram pelo segundo mês consecutivo, movimento que não era verificado há 12 meses. Mesmo assim, a média de junho do Indicador ESALQ/BM&FBovespa foi 12,7% menor que a de junho/09, em termos nominais. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços de junho/10 no balcão foram 19% inferiores aos de junho/09 (em termos nominais); no mercado de lotes, o recuo foi de 17,2%.

No início de junho, a Conab divulgou dados apontando que a produção da safra de verão cresceu 1,2%, superando 34 milhões de toneladas. Para a safrinha, a expectativa é de 19,4 milhões de toneladas, com crescimento de aproximadamente 12% em relação à temporada anterior. No balanço, a produção brasileira deve aumentar, reforçando os estoques, que continuam altos.

De modo geral, agentes consideram que os leilões de PEP (Brasil) e Pepro (para a Bahia) não estavam surtindo todo o efeito esperado devido ao baixo interesse dos compradores. Para muitos, os patamares de prêmios não estavam atrativos. Nesse contexto, a Conab chegou a reajustar os valores dos prêmios para algumas regiões de Mato Grosso, o que favoreceu a liquidez dos leilões nos períodos seguintes.

Quanto ao mercado, em Paranaguá, os negócios ainda seguiram lentos. No final de junho, havia referências de preços nominais entre R$ 17,00 e R$ 18,50/sc de 60 kg com embarque para julho, segundo dados do Cepea. Porém, o problema continua sendo a falta de paridade, uma vez que vendedores preferem negociar o cereal no mercado interno ao invés de arcar com custos ainda mais elevados para exportar o produto. Nesse cenário, em junho, foram exportadas apenas 1,2 milhão de toneladas de milho, a menor quantidade desde novembro de 2005, conforme dados da Secex.

Da mesma forma, os contratos futuros da BM&FBovespa apontaram queda durante o mês de junho. O contrato Julho/10 teve queda expressiva de 6,8%, fechando a R$ 18,99/sc de 60 kg no dia 30. O vencimento Set/10 também caiu 6%, fechando a R$ 19,04/sc de 60 kg no final de junho.

Na Bolsa de Chicago (CME), os contratos futuros acumularam quedas, especialmente devido às baixas expressivas até o dia 29, quando os futuros registraram os menores patamares em oito meses. Em 30 de junho, o USDA divulgou relatório indicando aumento de área menor que o esperado por agentes – a área foi estimada em 87,9 milhões de hectares, incremento de apenas 2% em relação ao ano passado. Assim, a divulgação do relatório impulsionou as cotações, que subiram expressivamente no dia seguinte à publicação.

Mesmo assim, os vencimentos Jul/10 e Set/10 da Bolsa de Chicago tiveram quedas de 1,3% e 1,7%, respectivamente, no acumulado de junho. Esses contratos fecharam a US$ 3,5425/bushel (US$ 139,46/t) e a US$ 3,6275/bushel (US$ 142,81/t), respectivamente, no dia 30.

Análise sobre o mercado de milho elaborada pelo Cepea.
Equipe: Prof. Dr. Lucilio R. Alves, Ana Amélia Zinsly, Karine Resende, Renata Maggian, Matheus Rizato e Debora Kelen Pereira da Silva.



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