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Análise Mensal da Soja -
Junho
As negociações de soja e derivados no mercado brasileiro iniciaram junho em ritmo lento, conforme pesquisas do Cepea. A baixa liquidez esteve relacionada à retração de vendedores, que já haviam comercializado um bom volume em períodos anteriores e consideravam baixas as cotações vigentes, que continuavam em queda. O vai-e-vem da taxa de câmbio e as incertezas quanto ao ritmo de compras da China também foram fatores que influenciaram na cautela dos vendedores.
Em seguida, os preços da soja no Brasil voltaram a se sustentar, ignorando as baixas observadas no mercado externo. Segundo pesquisadores do Cepea, enquanto as cotações internacionais eram pressionadas pelo bom ritmo do plantio e pelo desenvolvimento satisfatório da nova safra norte-americana, os preços internos foram impulsionados pela retração vendedora, pelos momentos de alta da taxa de câmbio e pela boa demanda da soja brasileira para exportação – este cenário sustentou os preços no porto e, posteriormente, no interior do País.
Na segunda quinzena de junho, no entanto, as negociações de soja estiveram mais aquecidas no segmento exportador, ao passo que, entre empresas do mercado interno, seguiram lentas. Enquanto produtores estavam retraídos, aguardando preços maiores para voltar a negociar, cooperativas e tradings priorizavam o escoamento do produto com vistas a liberar espaço para o milho que estava sendo colhido. Assim, os preços no interior do País seguiram firmes e o valor do grão posto armazém de Paranaguá teve ligeira queda, apesar de os valores FOB, em dólar, terem acompanhado a valorização do mercado externo.
No final do mês, os preços da soja continuaram firmes, sustentados pelo interesse comprador. Mesmo assim, a liquidez se manteve baixa nas transações com indústrias do mercado interno e com tradings exportadoras. Por um lado, houve demanda, mas, por outro, vendedores consultados pelo Cepea seguiram retraídos, na aposta de preços mais remuneradores nos próximos meses. Além disso, não há dívidas com insumos da safra 2009/10 a vencer no curto prazo.
Apesar da ligeira queda no volume de soja exportado em junho, a quantidade ainda é elevada. Segundo dados da Secex, foram embarcadas 4,04 milhões de toneladas de soja, volume 29,1% menor que o de maio e 34,6% abaixo da quantidade de junho/09. Mesmo assim, este foi o segundo maior volume exportado num mês de junho, abaixo apenas do de 2009 – é importante considerar, porém, que, em 2009, o Brasil vendeu quantidades acima da média, favorecido pela menor produção da Argentina. No acumulado do ano, as exportações da soja em grão somam 14,5 milhões de toneladas, volume 4,2% inferior ao do mesmo período de 2009, também o segundo maior da história para este período.
Para o farelo, as exportações somaram 1,4 milhão de toneladas em junho, diminuição de 5,2% sobre as de maio, mas ficando 2,5% acima das de junho/09. Na parcial de 2010, o Brasil vendeu 6,5 milhão de toneladas, 1% a mais que o mesmo período do ano passado.
Já quanto ao óleo de soja, os embarques de junho cresceram expressivos 132,1% sobre os de maio e 46,3% em relação aos de junho/09. Apesar disso, na parcial do ano, os embarques somam 589 mil toneladas, sendo 13,5% menores que os do mesmo período de 2009. Esta foi a menor quantidade desse derivado embarcada em um primeiro semestre, desde 2003.
No acumulado de junho, o Real valorizou 0,9% em relação ao dólar. O Indicador CEPEA/ESALQ (média de cinco regiões do Paraná) da soja em grão aumentou 2,9% no mês, fechando a R$ 36,68/saca de 60 kg no dia 30 de junho. Para o produto posto armazém de Paranaguá, representado pelo Indicador ESALQ/BM&Fbovespa, a elevação foi de 3,1% fechando a R$ 39,62/sc no ultimo dia do mês.
No segmento de derivados, as cotações do farelo de soja subiram 0,8% no acumulado do mês. A desvalorização do óleo de soja foi maior, sinalizando redução pontual na demanda pelo derivado. O preço do óleo posto em São Paulo capital caiu 3,3% em junho, fechando a R$ R$ 1.707,66/tonelada (com 12% de ICMS) no ultimo dia do mês.
Além da boa demanda internacional, principalmente da China, em junho, a confirmação de crescimento na área de soja nos Estados Unidos, menor que o esperado acabou sustentando as cotações externas. O USDA relatou que a área norte-americana deverá ser de 31,93 milhões de hectares, 2% acima da área da safra 2009/10 – apesar de ser um recorde histórico, agentes aguardavam um aumento ainda maior. As condições climáticas voltaram ao normal, depois de o desenvolvimento das lavouras ter sido considerado excelente na primeira quinzena de junho.
Assim, na CME/CBOT, o contrato Jul/10 subiu 1,1% em junho, para US$ 9,485/bushel (US$ 20,91/sc). Para o farelo, o contrato Jul/10 teve alta de 5,9%, para US$ 289,50/t curta (US$ 319,12/t). Já as cotações do óleo de soja caíram. O contrato Jul/10 recuou 3,5%, passando para US$ 0,3628/lp (US$ 799,83/t).
Análise sobre o mercado de soja elaborada pelo Cepea. Equipe: Prof. Dr. Lucilio R. Alves, Matheus Rizato, Ana Amélia Zinsly, Karine Resende, Renata Maggian e Debora Kelen Pereira da Silva.




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