|

A cultura do milho é a cultura mais utilizada no mundo para a produção de silagem por produzir grandes quantidades de energia digestível por hectare, que pode ser transformada em carne ou leite.
Comparada a outros volumosos como a cana-de-açúcar ou o capim elefante, que produzem três ou quatro vezes mais massa verde, o produtor pode acreditar que a silagem de milho é muito mais cara. O correto, ao fazer o cálculo dos custos, é avaliar primeiro quanto se produz de matéria seca e quanto custa um quilo desta matéria seca.
Em seguida, deve-se avaliar a qualidade da matéria seca produzida, principalmente a energia (NDT), e o custo por quilo desta energia, pois é desta fração do volumoso que o animal vai obter os nutrientes para sua produção.
Na tabela 1 pode-se verificar que apesar de a silagem de milho ter o custo de produção um pouco maior que a da cana-de-açúcar, silagem de sorgo ou capim, quando avaliados os custos de energia (NDT) produzida, observa-se que a silagem de milho é a mais barata.
Verifica-se que a cana-de-açúcar
tem o maior custo por quilo de energia quando comparada
às silagens de milho e de sorgo. Cabe lembrar que,
enquanto a produção da cana é obtida durante um ano, a
de silagem de milho é obtida em até 130 dias, permitindo
o plantio de outras culturas, até mesmo para ensilagem,
na mesma área de lavoura.
 |
Outro aspecto importante é que a cana-de-açúcar tem, aproximadamente, 60% de NDT e seu consumo chega, no máximo, a 60% do consumo da silagem de milho. O animal (vaca de leite ou boi) consome menos volumoso que também é de menor qualidade, tendo como conseqüência maior dependência do consumo de ração para a mesma produtividade. Na prática, a diferença entre uma vaca que consome boa silagem de milho e uma que consome cana é que a segunda necessita de cerca de 70% a mais de concentrado para que tenha a mesma produção de leite.
Na implantação de uma lavoura de milho para silagem tem-se os fertilizantes como o componente de maior custo, enquanto a semente representa uma pequena parte (6 a 8%). Contudo, quanto mais produtiva for a lavoura, menor será o custo de produção da silagem. Quando se colhe próximo de 50 toneladas/ha, tem-se uma silagem quase 30% mais barata que uma lavoura onde se colhe em torno de 30 toneladas/ha. Neste caso, os custos operacionais de plantio e colheita (ensilagem) são, em média, 25% menores para a silagem de lavoura de maior produtividade.
Exceto por prejuízos climáticos, as lavouras de baixa produtividade de silagem são justamente aquelas onde se buscou redução de custo na economia de adubo, insumos e sementes de menor qualidade.
Um bom milho para silagem deve ter, primeiramente, boa estabilidade agronômica e maior tolerância a pragas e doenças, de modo que possa expressar seu potencial produtivo. Em seguida, a escolha do híbrido deve ser baseada em elevadas produtividades de forragem (matéria verde/matéria seca) com grande participação de grãos no seu conteúdo. A planta de milho deve ter boa qualidade, com boa digestibilidade da sua fibra e o grão deve ter alta concentração energética.
|