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Artigos

22/05/2009

Planejamento Técnico da Soja Precoce & Milho Safrinha

Nos dias de hoje podemos separar a safrinha em dois modelos, independente do local no Brasil: a de alto investimento e a de menor investimento.

O intuito deste texto será abordar os principais aspectos para se otimizar a utilização dos principais insumos tanto no alto quanto no médio investimento.

Independente do nível de investimento, a tomada de decisão para se fazer a safrinha, sem dúvida, começa no planejamento da cultura anterior, o que na maioria dos casos é a soja precoce.

Esta soja precoce deverá ser a primeira cultura a ser implantada, visando promover sua colheita e plantio do milho safrinha em uma boa época. Mas, o plantio desta soja deverá ser em condições de boa umidade do solo.

Por muitos anos, a grande maioria dos agricultores que plantavam milho safrinha optou por realizar manejos de alto risco, plantando soja precoce no pó, utilizando materiais instáveis e de menor potencial de produtividade e, em muitas ocasiões, faziam uso de pouco fertilizante na soja e no milho, o que ocasionava perda na produtividade da soja precoce e baixo rendimento no milho safrinha na grande maioria dos casos, ou seja, perdia nas duas pontas. Para que o agricultor não fique à mercê da sorte no dueto soja precoce e milho safrinha, alguns aspectos técnicos deverão ser respeitados, a começar pela soja precoce.

 

PLANEJAMENTO
No planejamento da soja precoce temos que lembrar que, para se obter altas produtividades nestes materiais, temos que proporcionar ótimas condições para a germinação e consequente arranque inicial, pois normalmente esta soja é implantada em condições limitantes de umidade do solo e dessecações inadequadas devido, praticamente, à ausência de plantas daninhas. Para se conseguir melhor e mais uniforme estande de plantas nessas condições, o tratamento de sementes passa a ser condição preponderante porque protege a planta dos ataques iniciais de fungos e insetos, em especial sugadores e lagartas de solo. Outros fatores importantes para o correto planejamento da sucessão soja precoce/milho safrinha, sem dúvida, são os quesitos adubação, herbicidas, dessecação antecipada, plantio do milho safrinha e sua condução.

a) Escolha da cultivar de soja precoce
Para se obter sucesso tanto na soja precoce quanto no milho safrinha, é de fundamental importância a escolha das cultivares de soja precoce adequadas. Para isso, o agricultor tem de optar por sojas extremamente adaptadas para a região, que sejam precoces e focar no manejo de nematóide de cisto e de plantas daninhas resistentes sem abrir mão de produtividade. Existem, no mercado, sojas resistentes a nematóides e ao herbicida glifosato com teto produtivo elevado.

Há pouco tempo, os agricultores optavam apenas por precocidade, com sojas de ciclo próximo a 100 dias, o que o tornava altamente vulnerável a veranicos, principalmente quando ocorria falta de chuvas após a aplicação de herbicidas pós emergentes, causando injúrias e reduções de produtividade. Hoje, pode-se aliar esse ciclo a variedades modernas, estáveis e resistentes à glifosato, não causando dano à cultura e não oferecendo efeito residual de herbicidas para o milho safrinha.

b) Adubação da soja precoce
Com os atuais preços de fertilizantes, ficou um pouco mais difícil fazer adubações maiores que a necessidade da soja precoce para atingir bons rendimentos e suprir parte da demanda de alguns nutrientes para o milho safrinha. No entanto, lembramos que limitações ou mesmo reduções de adubações, sem o prévio conhecimento dos níveis dos nutrientes do solo, poderão comprometer não somente a soja precoce, mas também o milho safrinha. O agricultor/técnico deverá monitorar a fertilidade do solo e analisar a quantidade mínima de adubação para que isso não ocorra. Dentre todos os fatores, lembramos que a grande demanda de nitrogênio exigida pelo milho pode ser suprida pela soja precoce através da fixação do N pelo rizóbio, desde que feita uma ótima inoculação. Vários trabalhos indicam que a soja em rotação com o milho pode fornecer 1 kg de nitrogênio para cada saco de 60 kg de soja produzido.

Como o milho necessita de, aproximadamente, 1 kg de nitrogênio para a produção de um saco de 60 kg de grãos, quanto melhor manejarmos a soja precoce, mais poderemos economizar na adubação nitrogenada do milho safrinha, ou seja, a soja pode suprir no mínimo 45 sacos de milho por hectare e, para que isso ocorra, alguns lembretes se fazem necessários:
- plantar a soja precoce em solos de boa a ótima fertilidade;
- inocular a semente de soja com os devidos cuidados de compatibilidade com fungicidas e inseticidas;
- evitar solos compactados ou preconizar o uso de hastes (facões) no lugar dos discos desencontrados das sementes nas semeadoras;
- suprir a demanda necessária de fertilizantes para que a soja precoce tenha alto rendimento, consequentemente, ótima disponibilidade de nitrogênio para o milho safrinha.

c) Herbicidas na soja
No planejamento dos herbicidas da soja precoce para plantio de milho safrinha, deve-se levar em consideração a cultura de safrinha subsequente, no caso o milho. Alguns herbicidas possuem baixa degradação no solo e poderão comprometer o desenvolvimento do sistema radicular e, consequentemente, o estabelecimento de uma ótima população da lavoura de milho. Como sabemos, o ambiente safrinha apresenta características de escassez de chuvas em momentos importantes da cultura e poderá refletir em perdas consideráveis de produtividade.

Para que isso não ocorra, devem ser verificadas as características de persistência do produto no solo e respeitar o intervalo de segurança de cada herbicida da soja para o milho, seja pré ou pós-emergente. Para mais informações recomendamos consultar os produtos a serem utilizados na soja precoce pelo site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no endereço: http://www.agricultura.gov.br, no menu de serviços/agrotóxicos/Agrofit.

d) Antecipação da colheita da soja
Sabemos que, em qualquer negócio, tempo é dinheiro. Mas, na safrinha é ouro! Vários trabalhos têm mostrado perdas de rendimento em função do atraso de plantio do milho safrinha. Num destes trabalhos realizados no sudoeste de Goiás, em 1998, já se verificava que cada dia de atraso no plantio do milho safrinha correspondia a perdas de até 90 kg de grãos por hectare (por dia de atraso) em relação a época ideal. Apesar disto, não se justifica realizar plantio com velocidades acima do normal. Para o milho, esta velocidade é de 6 km/h em espaçamentos de 80 cm e até 8 km/h em caso de espaçamento reduzido para plantadeiras com sistema de distribuição de sementes de disco. Esses são cuidados básicos que fazem muita diferença na hora da colheita.

O agricultor mais tecnificado faz uso frequente de dessecação da soja, antecipando em até 7 dias a sua colheita.

e) Planejamento do milho safrinha
Para o planejamento do milho safrinha devemos observar os principais pontos descritos no artigo “Planejamento da safrinha minimiza riscos, traz segurança e estabilidade ao longo dos anos”.

Podemos optar por outra modalidade de investimentos para a safrinha, porém para ambos os níveis de investimento no dueto soja precoce e milho safrinha, devemos fazer todo manejo da forma mais simples possível, mas muito bem feito, pois somente assim poderemos conseguir os melhores rendimentos com o menor investimento. ​

Autor:
André Aguirre Ramos
Engenheiro Agrônomo, M. Sc. Gerente de Produtos e Tecnologia Região Centro
Fonte: