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Artigos

01/09/2009

Silagem de planta inteira de milho Bt

O desenvolvimento da engenharia genética ampliou as possibilidades de melhoramento de diversos cultivares, a exemplo do milho. Assim, por meio da transferência de genes de uma espécie para outra, uma planta pode ter a qualidade nutritiva aprimorada, adquirir resistência a uma praga, tolerância a um herbicida ou, até mesmo, maior tolerância à seca ou ao frio. Estas são as chamadas plantas transgênicas ou geneticamente modificadas.

O milho é o principal componente (cerca de 70%) da alimentação animal, principalmente aves e suínos, e ainda de ruminantes como bovinos, ovinos e caprinos na forma de silagem de planta inteira. Apenas 15% da produção nacional de milho se destina ao consumo humano.

Mesmo com toda a segurança que se tem com a adoção da tecnologia, alguns produtores ainda questionam se pode haver alguma alteração na composição da planta de milho que possa trazer problema à saúde do animal ou mesmo alterar seus produtos como leite e carne.

Os genes introduzidos no milho, como é o caso do milho Bt, são provenientes do Bacillus thuringiensis (Bt), um microrganismo encontrado no solo e largamente usado na agricultura como inseticida para o controle biológico de pragas. Esse gene determina a expressão da toxina Cry (proteína em forma de cristais) que é letal para algumas espécies de lepidópteros como a lagarta-do-cartucho e a broca-da-cana. Quando partes da planta Bt são ingeridas, o pH alcalino do trato digestório da lagarta solubiliza a proteína tóxica pela ação das proteases (enzimas que digerem as proteínas), o que irá promover a destruição e ruptura dos tecidos e a morte do inseto.

Então vem a pergunta: O mesmo não pode ocorrer com os animais que ingerem grandes quantidades da planta de milho Bt, como é o caso das silagens de planta inteira?

A resposta é não! Para que haja absorção da proteína Bt no intestino são necessários “sítios de absorção” específicos, como uma combinação de chave-fechadura. Essa “combinação” não ocorre em outros animais que não as lagartas. Por isso a proteína Bt não é tóxica a mamíferos, aves, peixes e animais selvagens.

Um amplo estudo foi conduzido na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, com a finalidade de avaliar possíveis alterações na qualidade de silagens provenientes de lavouras de milho Bt em relação a lavouras convencionais. Foram coletadas amostras em cinco estados. Os híbridos Bt analisados continham o evento MON 810 (YieldGard®) e o “milho não Bt” eram esses mesmos híbridos na forma convencional. O resumo da avaliação é apresentado na tabela 1.

 

 

Verifica-se que não houve diferença (P> 0,10) na composição bromatológica entre os híbridos Bt e não Bt. O mesmo pode ser verificado quanto a seu valor nutricional. As pequenas variações positivas na qualidade da silagem que ocorreram durante o processo de conservação se repetiram para os dois tipos de híbridos. Os pesquisadores concluíram que o evento Bt não interferiu na qualidade nutricional da silagem produzida.

Em outro estudo , pesquisadores avaliaram o desempenho produtivo e parâmetros sanguíneos de vacas alimentadas com silagem de milho convencional, “não Bt”, ou com silagem de milho transgênico, “milho Bt” (evento TC1507 – Herculex®I). Na tabela 2 é apresentado um resumo dos resultados obtidos.

 

 

Constatou-se que o milho Bt não apresentou qualquer variação negativa sobre a produtividade ou mesmo na composição do leite quando comparado ao milho convencional. Todos os parâmetros sanguíneos e metabólicos avaliados nessa mesma pesquisa também não indicaram qualquer alteração decorrente do uso de silagem do milho Bt.

Assim, o emprego de híbridos de milho geneticamente modificado na produção de silagem, além de não apresentar risco algum à saúde, seja do animal ou mesmo dos consumidores de seus produtos, pode trazer sensível redução nos custos de produção.

A menor incidência de pragas aumentará o rendimento de grãos e de forragem por hectare e, devido também ao menor número de aplicações de defensivos, teremos silagens mais baratas e de melhor qualidade.

Outro grande benefício, no caso do uso de grãos, é a baixa incidência de micotoxinas presentes na espiga decorrentes dos danos causados pelas pragas (ex, lagartas). O uso de rações contendo milho Bt permitirá a redução do uso de medicamentos administrados para o tratamento dos efeitos nocivos dessas micotoxinas aos animais.

Já estão em andamento pesquisas com genes que melhoram a qualidade nutritiva do grão, aumentando o teor de aminoácidos essenciais, a digestibilidade e a absorção de minerais. Isso vai demandar menos insumos na produção bem como reduzir a emissão de alguns resíduos que, em quantidades elevadas, podem ser poluentes do solo e da água. ​

 
Autor:
Prof. Dr. João Ricardo Alves Pereira
Professor-adjunto do Depto. de Zootecnia, Curso de Zootecnia UEPG/Castro (PR)
jricardouepg@uol.com.br
Fonte: