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Artigos

21/09/2009

Um cenário de superação rumo à eficiência no campo

Estamos finalizando o primeiro trimestre de 2009 e duas perguntas ainda persistem na cabeça de todos os brasileiros: “A crise está no meio ou no fim? Qual o impacto real no agronegócio brasileiro?” E, com certeza, são perguntas impossíveis de se responder com precisão. Mas, a vida continua, principalmente a vida no campo.

E já é sabido por todos que a crise não poupou nenhum país e nenhum setor da economia mundial passou imune, mas sua intensidade variou de acordo com o segmento. Para alguns setores, o impacto foi de uma “simples marola” e em outros de um “verdadeiro tsunami”. E dentro desta ótica, nós brasileiros temos certeza de que o nosso agronegócio, quando comparado com outros setores da economia, se manterá fortalecido. E, em 2009, a eficiência do produtor brasileiro continuará não só superando, mas oportunizando todas as dificuldades. Pois, sai ano e entra ano, crises se alternam com momentos de euforia e o nosso heroico produtor continua se superando.

Assim, o agricultor brasileiro está finalizando a colheita da safra de verão 2008/09 e planejando a safra 2009/10, recheado de dúvidas e apenas uma certeza: “Preciso continuar produzindo e, ainda mais, otimizando os meus recursos”. Tudo isso só será possível através da equalização de custos. Tudo indica que o crédito privado continuará caro e escasso, e o crédito federal ainda insuficiente, assim permanecerá.

Equalização tem um significado muito mais amplo do que simplesmente reduzir. É preciso avaliar todas as ações e planejamentos de maneira que o recurso, ainda mais limitado, seja aplicado com eficiência para que o retorno econômico seja o desejado. Assim, planilha de custos, análise de solo e acompanhamento constante da movimentação do mercado serão pontos ainda mais fundamentais para fecharmos 2009 com resultados satisfatórios. Um resultado que não terá o sabor da euforia do primeiro semestre nem o amargo da depressão do segundo semestre de 2008. Teremos, sim, um 2009 com expectativas niveladas e trabalhando firmemente o conceito de margem em que o mercado volta a ser regido bem mais pelos aspectos fundamentais de oferta e demanda do que pelos aspectos econômicos e especulativos. Assim, incertezas e oportunidades serão as palavras regentes do agronegócio em 2009, onde todos gostariam que o Estado ampliasse a sua efetividade, dando muito mais foco nas oportunidades. Assim, grande parte das incertezas seriam dissipadas. Mesmo que o consumo mundial de grãos permaneça estável, apenas pelo inevitável crescimento da população mundial, a demanda por alimentos aumentará.


Cenário da Soja
Muita gente anda apreensiva ou, insegura com relação às expectativas sobre o futuro do mercado da soja no Brasil. Mas precisamos ter cautela ao avaliar os fatos, porque se hoje já não temos mais a força especulativa e uma economia mundial aquecida com petróleo atingindo marcas acima de US$ 100/barril e isso influenciando positivamente na formação dos preços do complexo soja em CBOT, temos hoje um dólar se fortalecendo e compensando, de forma positiva, as quedas das cotações internacionais. Isto porque quando o barril de petróleo passava de US$ 140,00, a soja chegava a níveis inimagináveis (e insustentáveis) de US$ 16,00 o bushel e médias acima de US$ 13,00 o bushel. Entretanto no Brasil, os preços em reais (R$) não ficavam muito acima dos patamares atuais porque o real fortalecido impactava negativamente tanto na formação direta do preço como de forma indireta no frete. Assim, uma combinação de câmbio com US$ 1,0 = R$ 1,65 não transformava toda euforia de CBOT em rentabilidade ao produtor. Esta rentabilidade ficava ainda mais comprometida à medida que as lavouras se distanciavam dos principais portos. Sem esquecer que tivemos em 2008 uma das mais caras da nossa história, puxado especialmente pela alta abusiva dos fertilizantes. Diante de tudo isso, o produtor está colhendo a sua safra 2008/09 com produtividades e rentabilidades variadas. Tomando o Mato Grosso como exemplo, quem conseguiu plantar com boa tecnologia um hectare de soja até o limite de US$ 650,00 ou US$ 700,00 está conseguindo fazer lucro, principalmente para as produtividades acima de 52 scs/ha. Mas, para aqueles produtores que não tiveram acesso ao crédito e compraram os insumos no segundo semestre, o impasse foi ainda maior, pois ficariam com custos próximos a US$ 1.000,00/ha. Daí o jeito foi reduzir custos e tecnologia para viabilizar o plantio e, por consequência, esta redução em tecnologia foi um dos responsáveis pela redução na produtividade. Assim, o Brasil deve ter uma redução de 4% na produção total, quando comparada com a safra passada, e de 5% na produtividade, segundo dados da Conab. E, mesmo com a melhora nos preços internacionais, tudo isso não trará aumento de renda suficiente para capitalizar o produtor, visando o plantio da próxima safra.

Olhando para o mundo, uma notícia vinda dos EUA deixou os brasileiros ainda mais apreensivos. O último relatório do USDA informou que a área de soja em 2009 pode crescer em até 8%, ocupando principalmente a área de milho e de algodão. Informação que dificulta ainda mais a tomada de decisão do produtor sobre quando vender a soja. Mas, se de um lado temos a má notícia de aumento de área nos EUA, temos do outro, duas notícias que podem, pelo menos em parte, aliviar a tensão do sojicultor brasileiro:
- Redução de 10% na produção na América do Sul. A área fica em 41,6 milhões de hectares e a produção cai de 116,3 milhões de toneladas na safra 2007/08 para 105,0 milhões de toneladas na safra 2008/09. Significativa redução, principalmente na Argentina;
- A China continuará representando quase 50% de toda a importação mundial de soja e já iniciou as negociações para importar carne de frango do Brasil, podendo chegar a um total de 100.000 toneladas ao longo de 2009;

Após todas estas considerações, podemos concluir que o maior limitante para 2009 será a iminente escassez de crédito, pois das três fontes que financiam a safra brasileira, duas estão sem fôlego: O produtor e as fontes de terceiros (tradings, cerealistas, agroindúsrtias e bancos). A terceira fonte, que é a única capaz de transformar as incertezas em efetivas oportunidades: as fontes oficiais. Estudos indicam que precisaremos de, pelo menos, R$ 155 bilhões para financiar a próxima safra, porque no caso específico da soja, as tradings responderam por 30% dos recursos de financiamento e R$ 65 bilhões vieram de fontes oficiais. O resto foi dinheiro do próprio produtor em 2008.

Se de um lado o crédito é um desafio, os preços demonstram boa sustentação no primeiro semestre, motivados, em especial, pela baixa relação mundial de estoque/consumo na faixa de 22%, praticamente igual à da safra 2007/08 e muito abaixo da safra 2006/07 que foi de 27%. Tudo isso combinado a um câmbio favorável, nos deixa um saldo de otimismo para o primeiro semestre e de grande expectativa para o segundo, porque na segunda metade do ano, os preços estarão intimamente relacionados com o desempenho da safra americana e de influências de aspectos macroeconômicos.


Cenário do Milho
Muitos aspectos comentados no cenário da soja são comuns ao mercado do milho, principalmente no aspecto crédito. Isso porque este cereal exige um desembolso maior do que a oleaginosa, especialmente pela maior demanda por fertilizantes. Mas quando olhamos para os aspectos fundamentais de oferta e demanda, as expectativas podem ser mais promissoras porque 2009 será um ano com “dois tempos” bem distintos: o primeiro semestre será guiado pelas exportações e pelo desempenho da safrinha, aspectos que influenciarão os preços para o restante do ano. Além, é claro, da forte expectativa de redução na área de milho nos EUA, onde o USDA estima uma diminuição de 5% em 2009.

Porém, sabemos que a safra de verão 2008/09 está sendo colhida com reduções significativas de produtividade. Segundo a Conab, a redução de produtividade será de 14% e de 17% na produção aproximadamente, indicando uma redução de 6,85 milhões de toneladas.

Por outro lado, os estoques iniciais de milho em 2009 que foram os mais altos da história do Brasil, já começam a diminuir pelas boas exportações alcançadas especialmente nos dois primeiros meses do ano, quando tivemos um total de 1,326 milhão de toneladas exportadas em janeiro último, contra 387 mil toneladas em janeiro de 2008. Em fevereiro exportamos 749 mil toneladas contra 325 mil toneladas em fevereiro de 2008. E, em março, as exportações foram 451,9 mil toneladas contra 655 mil toneladas de março de 2008. Assim, em 2009, temos uma exportação acumulada de 2,527 milhões de toneladas, contra 1,367 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, crescimento de 85%, o equivalente a 39,3% de toda a exportação alcançada em 2008. Vários fatores estão impulsionando as nossas exportações, mas o câmbio favorável com o fortalecimento do dólar e a conquista de novos mercados são os principais motivadores. Com o dólar se fortalecendo, nossa competitividade aumenta nas exportações e, ao mesmo tempo, os EUA, que são os mais exportadores, ficam enfraquecidos neste aspecto.

Ao avaliarmos a safrinha 2009, sabemos que a mesma fora plantada com redução de tecnologia, principalmente no investimento em fertilizantes. Isso por si só já sinaliza uma diminuição na produtividade, principalmente no MT que teve na safrinha passada o seu recorde de produtividade média com 4,2 ton/ha. Mas, sabemos também que houve redução de área muito superior aos 2,3% divulgados pela Conab. Os números oficiais ainda são muito conservadores, pois apontam para uma redução de apenas 7,8% na produção, significando 1,45 milhão de toneladas a menos na oferta. Portanto, ao avaliarmos a produção de milho para o primeiro semestre de 2008, teremos uma redução de 14,1% na oferta, o que representa 8,30 milhões de toneladas a menos de milho. Ampliando esta avaliação para América do Sul, ao somarmos todas as quebras de produção no Hemisfério Sul, deveremos ter uma redução de, pelo menos, 15 a 16 milhões de toneladas de milho, o que provoca uma significativa queda na relação estoque/consumo mundial. Portanto, estes números já indicam tendências de reações de preços para o segundo semestre e neutraliza um pouco as dúvidas sobre o efeito da indústria de etanol nos EUA frente os preços do milho. Sobre esta questão, valeria uma matéria específica de análise, pois quando o barril do petróleo custava bem acima de US$ 100,00, o mundo falava em “febre do etanol” e nós daqui assistíamos um bushel de milho atingir níveis acima de US$ 6,0. Agora, o que esperar deste cenário com barril de petróleo custando na faixa de US$ 50,00? Com certeza já temos diminuição nesta “euforia do etanol”. Mas, o volume de milho consumido para biocombustíveis, ainda é muito significativo e as usinas já pressionam o governo americano para aumentarem os níveis de mistura de álcool com gasolina de 10% para 12 ou 13%. “Pressão” que inevitavelmente será aceita pelo presidente Obama. Ele afirma que não medirá esforços para transformar os EUA em um país com independência energética ou, pelo menos, reduzir substancialmente a dependência do petróleo do Oriente Médio.

O que temos que avaliar é que realmente 23 usinas fecharam as portas. Boa parte fechou porque perdeu a competividade com a gasolina, já que hoje um galão do produto vale menos do que um de etanol. Contudo, muitas fecharam as portas pela sua própria ineficiência administrativa. O que mais confunde o mercado é a forma como as notícias são veiculadas. Quando se divulga que haverá redução de consumo de milho para etanol em 2009, esquecem de informar que esta redução está sendo comparada com as previsões iniciais e não com o volume de milho consumido na safra anterior. Nesta comparação indica uma redução de, aproximadamente, 14% nas estimativas iniciais feitas no último trimestre de 2008, mas significa um incremento de 19% com relação ao ano anterior.

Assim, é preciso relembrar que a produção de etanol à base de milho nos EUA, que começou na década de 80, é motivada por dois aspectos fundamentais: Independência enérgica e aspectos ambientais. O último relatório do USDA sobre o mercado de milho nos EUA apontou para uma relação estoque/consumo dentro da média histórica de 15% e que a redução na área já promoveu reações nos preços para o segundo semestre, quando contratos fechados em março para liquidação em setembro de 2009 estavam em US$ 4,20/bushel. São análises feitas com o intuito de nivelar expectativas, onde a torcida é para que toda a cadeia fique em equilíbrio porque mais de 70% do milho brasileiro é consumido pelo complexo de carnes, em especial aves e suínos, e este setor passa por ajustes e não está com folgas para absorver grandes aumentos, especialmente na sua principal matéria-prima.

Finalizamos com a certeza de que o Brasil sairá fortalecido de todas estas flutuações de mercado, até porque temos por aqui o fundamento mais básico para se superar adversidades: Pessoas Eficientes! Temos na figura do produtor, um exemplo de superação e comprometimento, instrumentos indispensáveis para se alcançar o sucesso. E abaixo um pensamento de Arthur Willian Ward, professor, pastor e escritor americano:

“O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas”.​

Autor:
Francisco Sampaio
Gerente de Negócios e Treinamento da Pioneer Sementes
Fonte: