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Artigos

29/01/2010

Empresas Rurais Familiares que terão sucesso no agronegócio brasileiro

A população humana continuará crescendo, a demanda por alimentos será cada vez maior e a agricultura terá que suprir esta necessidade.

Como será este mundo? Como será feita esta agricultura? Como serão as empresas rurais familiares que se beneficiarão deste crescimento?

Aproximadamente 4 bilhões de pessoas na América Latina, África e Ásia, portanto dois terços da população mundial, estão aumentando rapidamente sua renda e a consequência é o aumento pela demanda de alimentos.

Para alimentar a população humana em crescimento e com aumento de renda, representará para a agricultura grande desafio e para as Empresas Rurais Familiares Brasileiras, grandes oportunidades de obterem sucesso em seus negócios.

Embora existindo grandes oportunidades para agricultura brasileira neste cenário mundial que se apresenta, só se beneficiarão dele as Empresas Rurais Familiares que forem extremante eficientes porque o crescimento da população humana e da renda não será nunca garantia de que todos os produtores de alimentos sobreviverão.

Dentro deste quadro que se apresenta, estão as Empresas Rurais Familiares Brasileiras que representam mais de 95% de todas as unidades de produção agrícola no Brasil.

“Pai rico, filho nobre e neto pobre”. Os chineses afirmam, que o pai pisa no barro para plantar arroz, o filho colhe e come o arroz, e o neto tem de voltar a pisar no barro para plantar arroz. Todas estas expressões servem para caracterizar que a falta de Organização da Família no Negócio e do Planejamento da Sucessão levam à desintegração dos negócios e das famílias.

Nós, da SAFRAS & CIFRAS, que trabalhamos com as Empresas Rurais Familiares, temos ouvidos lamurias de pais arrependidos de não terem dado atenção à sua família em virtude do trabalho e dedicação despendido no desenvolvimento do negócio e hoje enxergam sua família desestruturada, com briga entre filhos e com poucas chances de unir os mesmos para possibilitar o convívio familiar e a continuidade e o crescimento da empresa na próxima geração.

Para analisar esta relação de Família e Negócio, é necessário compreender o funcionamento de uma Empresa Familiar e que ela é uma organização dentro de outra. Se, separadas, empresas e famílias não são coisas simples, o que dizer de quando caminham juntas? Nos negócios familiares, o relacionamento precisa continuar mesmo depois de alguém sair dos mesmos ou se separar do cônjuge.

Na agricultura, a possibilidade de conflitos familiares no negócio são maiores em virtude dos seguintes pontos:
- Proximidade entre família, negócio e residência;
- História da origem do patrimônio;
- Divisão física do patrimônio - terra, água, estradas, silos, armazéns, sede, solos diferentes, etc - tudo dentro de uma mesma propriedade, pertencente hoje a um único proprietário e que, no futuro, será de vários.

Porque ocorrem tantos atritos entre as famílias, principalmente quando envolvem negócios, que sempre trazem sérias dificuldades para a continuidade dos mesmos? Isto acontece porque o empresário fundador acredita que o processo de Organizar Família e Negócio e Planejar a Sucessão é desnecessário, seja por não se importar com o assunto, seja por se iludir que os sucessores se dão bem e, portanto, nunca ocorrerão problemas.

Muitos empresários rurais poderão estar neste momento refletindo a sua situação e dizendo: mais isto sempre ocorreu assim e nem por isto as propriedades desapareceram.

A resposta que podemos dar a esta reflexão é que realmente as propriedades não desapareceram, mas muitas trocaram de proprietários, muitos pais que eram ricos, hoje seus filhos e seus netos são pobres e tudo o que o fundador construiu com muito esforço e dedicação não continuou com a família.

Atualmente, temos relações mais conflituosas pela rapidez que se dão as mudanças econômicas e sociais no mundo. Podemos citar algumas que interferem diretamente no negócio:
- Maior número de divórcios que interfere diretamente na participação dos cônjuges;
- Diversidade (casamento, família binuclear);
- Filhos, muitas vezes, dependentes do negócio dos pais;
- Modo de vida urbana, que aumenta bastante as despesas pessoais;
- Cultura bastante diferente entre pais e filhos;
- Salários achatados dos filhos, muitas vezes necessitando de renda dos pais;
- Enfraquecimento dos laços de parentesco.

“A arte de combinar empresa e família faz enfrentar no dia-a-dia dois conceitos, que são antagônicos: o Amor e o Dinheiro”.

Não temos dúvidas que Organizar a Família e o Negócio e Planejar a Sucessão são necessidades urgentes e indispensáveis, mas também sabemos que nas cabeças dos pais existem muitas interrogações que precisam ser respondidas:
- Como participarão do negócio os filhos que trabalham no mesmo em relação aos que estão fora da propriedade?
- Qual é a melhor forma de explorar a propriedade com os filhos? Parceria, Arrendamento, Pró-labore, etc., respostas que só poderão ser dadas por pessoas que conheçam tecnicamente, economicamente e tributariamente o assunto.
- Os filhos que não trabalham na propriedade, terão participações diferentes no negócio? E no patrimônio?
- É necessário dividir o patrimônio entre os filhos no Planejamento Sucessório ou poderá ser organizado em forma de sociedade Pessoa Jurídica para não desestruturar o negócio e manter a escala de produção?
- Os cônjuges e ex-cônjuges de meus filhos terão direito no patrimônio? A família conhece a situação financeira do negócio?
- Caso tenha sucessores fora do casamento, como estes participarão no processo de sucessão?
- Todos os filhos poderão trabalhar junto no negócio? Mas, os que não tiverem aptidão para o mesmo, como poderão ser remunerados, já que no futuro também serão donos do patrimônio?
- Como poderá ser estruturado o negócio entre pais e filhos e a sucessão do patrimônio sem que os pais percam a administração e protejam sua renda até o final de suas vidas?

Existem respostas e ações que temos utilizado na SAFRAS & CIFRAS para solucionar as dúvidas e com isto dar tranquilidade aos pais. Entre elas descrevemos algumas na sequência:
- Os pais não devem forçar a entrada dos filhos no negócio familiar porque, afinal, o tempo está a favor deles, a menos que o mesmo precise com urgência;
- Para diminuir o conflito da família, o primeiro passo é Organizar a Propriedade e o Negócio para que possa o mesmo ser administrado econômica e financeiramente;
- Definir claramente as funções dos pais e dos filhos na gestão da propriedade para que diminuam os atritos;
- Definida a participação dos filhos na gestão da propriedade, deverá ser estabelecido de que forma participarão financeiramente;
- Não deve ser permitido aos filhos que tenham relação comercial com os pais, que os mesmos tenham negócios similares paralelos aos da sociedade;
- Estabelecer de como deverá ser a participação dos filhos que estão trabalhando no negócio em relação aos que estão fora dele;
- Planejar a Transmissão da Terra para os filhos, levando em consideração alguns aspectos:
     * Proteção dos pais;
     * Evitar, de todas as formas, o fracionamento da propriedade;
     * Separar o que é negócio, exploração do que é terra, porque são coisas bem diferentes e que tem uma relação direta com todos os filhos, independente de trabalhar na propriedade ou não;
     * Tributariamente, ver qual é a forma mais econômica de transferir a terra;
     * Estruturar uma parceria entre pais e filhos, que leve em consideração a terra e o negócio;
     * Estabelecer a melhor forma de adquirir as novas áreas de terra, tendo em vista que existe uma nova estrutura societária.

Poderíamos continuar tratando do tema “Empresas Rurais Familiares que terão Sucesso no Agronegócio Brasileiro” em vários outros pontos, dentro da relação Família e Negócio, sem citar em nenhum momento assuntos relativos à tecnologia de produção, embora a mesma seja extremamente importante também, mas por ser um artigo fica inviável de assim proceder.

É necessário profissionalizar a família junto com a profissionalização de empresa, para que a empresa familiar continue crescendo com harmonia entre os familiares, proprietários da mesma.

Muitas vezes, os empresários rurais não implantam o processo de profissionalização da família porque só conhecem técnicas de produção agropecuária e não sabem que também existem técnicas disponíveis ou mais importantes que as anteriores para manter e fazer crescer a empresa.

O pior momento de fazer a Transmissão do Patrimônio e Organizar a Família e o Negócio é após a morte do pai ou da mãe. Portanto, deve ser iniciado o processo sempre em vida dos pais e que os filhos tenham, no máximo, em torno de 35 anos de idade.

Nós, da SAFRAS & CIFRAS, que trabalhamos no setor agropecuário, junto às Empresas Familiares desde 1991, sabemos que a profissionalização da Empresa Rural é fundamental para obter sucesso no agronegócio brasileiro e mundial.​

Autor:
Cilotér Borges Iribarrem
Consultor SAFRAS & CIFRAS, Engenheiro-agrônomo, Pós-graduado em Economia,
Administração Rural e Produção Vegetal
Fonte: