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Artigos

11/02/2010

Entrevista: José Geraldo da Silva

O Veterinário José Geraldo é referência no Brasil Central na difusão de tecnologias junto a pequenos produtores.

Atualmente o consultor técnico José Geraldo da Silva reside na cidade de Orizona - GO, onde está desde 1977. Nascido em Campos Alto - MG, em 14 de novembro de 1950, formou-se em Técnico Agrícola em 1971, em Bambuí - MG, e logo mudou-se para Goiás para trabalhar com extensão agrícola pela Emater. Ingressou na Universidade Federal de Goiás e formou-se em Medicina Veterinária em 1977. A partir daí começou a desenvolver um trabalho de extensão agrícola voltado para a organização da pequena propriedade e com especificação na produção de volumoso de qualidade para consumo animal.

Em 1998, Zé Geraldo, como é conhecido, começou um trabalho com teste de cultivares de milho para utilização de silagem e adubação alternativa para a cultura em pequenas áreas. Desde então, já experimentou mais de 50 variedades de híbridos diferentes de milho. Recentemente realizou ensaios, em vários municípios em Goiás, com mais 30 híbridos de diferentes empresas.

José Geraldo, recentemente, concedeu-nos uma entrevista e falou sobre vários assuntos.

BIP - Conte-nos sobre as suas atividades na produção leiteira. Quantos litros produzem por dia os produtores sob sua assistência?

JGS - Em julho de 1977 foi realizado um levantamento de produção de leite em Orizona - GO e era produzido 5.000 litros de leite/dia. Já em 2009, Orizona está produzindo em torno de 200.000 litros de leite/dia. Para se ter uma ideia do trabalho de assistência técnica que foi realizado pela extensão agropecuária aqui, temos como exemplo o produtor de Orizona, Joaquim Pereira dos Santos que, sob nossa assistência em 2007, estava com uma produção de leite de 180 litros/dia com 18 vacas e, em 2009, está com 580 litros/dia com um plantel de 40 vacas.

Outro produtor de Luziânia - GO, Ednaldo C. Meireles, que em 2008 tinha 30 vacas com uma produção de 90 litros/dia, está em 2009 com 21 vacas em lactação com uma produção de 210 litros/dia. Todo este ganho é fruto de uma boa organização da propriedade e utilização de técnicas adequadas sob a supervisão de um técnico especializado.

BIP - O seu trabalho na produção leiteira é referência para várias regiões de Goiás, Minas e Distrito Federal. Conte-nos um pouco mais sobre esse trabalho e o que motiva a realizá-lo.

JGS - Iniciamos em Orizona, em 1978, um trabalho com 16 produtores de leite para a difusão do uso da silagem de milho. Em 1984 foram feitos mutirões da ensilagem, mesmo de forma manual, a fim de difundir a técnica na comunidade do Rio do Peixe e para todo o município. Muitos eram incrédulos naquela época. Hoje temos 1300 produtores de leite cadastrados em Orizona e 99% deles utilizam silagem. Hoje temos atuação através de parcerias com prefeituras, empresas oficiais e privadas que apoiam nosso trabalho. Temos grupos de produtores que são orientados nos municípios de Luziânia, Santo Antônio, Gameleira de Goiás, Silvânia, Alexânia, Abadiânia, Corumbá, Caiapônia, Montes Claros, Piranhas, Arenópolis e Orizona.

BIP - Como iniciou o relacionamento com a Pioneer®?

JGS - Em 2005 fui convidado pelo representante da Pioneer para participar de um Dia de Campo sobre Silagem na fazenda Morro Alto em Orizona. Lá observei e questionei sobre a utilização de espaçamento reduzido para o plantio de milho destinado à silagem e, também, sobre adubação orgânica para milho híbrido de alto potencial e a combinação de híbridos para plantio e colheita. Fiquei muito impressionado com a orientação do técnico da Pioneer, mostrando que mesmo híbridos simples também podiam ser utilizados por pequenos produtores e que os níveis de nutrientes, que eu recomendava, eram suficientes para uma boa produtividade com estes híbridos.

Desde então tivemos uma colaboração constante do representante e da equipe técnica da Pioneer em nossos trabalhos de Difusão de Tecnologia aplicada aos grupos de pequenos produtores que, todo o ano, prestamos assistência.

BIP - O senhor recomenda e utiliza híbridos Pioneer para silagem? Qual é o híbrido de silagem utilizado para alimentar o seu rebanho?

JGS - Nos trabalhos realizados a campo na nossa região, nota-se uma melhor resposta dos híbridos Pioneer, principalmente o 30F90 e o 30S40. As grandes produtividades de grão dos híbridos Pioneer proporcionam silagem de altíssima qualidade. Não podemos esquecer que o melhor indicador da qualidade da silagem é o próprio animal. A vaca bem alimentada produz mais leite. Então é o animal que diz qual a silagem está sendo melhor para ela. Já usei os híbridos Pioneer 30F90 e 30S40, principalmente os híbridos Bt, inclusive com tratamento de sementes, e recomendo para os produtores que presto assistência.

BIP - Considera a qualidade da silagem um fator importante para se obter uma melhor resposta animal? No seu ponto de vista, o que a silagem precisa ter para ter qualidade?

JGS - Sim, uma das coisas mais importantes antes de ter gado de genética boa é produzir uma silagem de boa qualidade. Silagem boa é aquela que apresenta maiores teores de matéria seca (entre 33 e 37%), indicando que a lavoura foi colhida no momento certo, e um elevado teor de NDT. Tenho tido várias silagens de híbridos Pioneer com teores de NDT acima dos 70%.

BIP - Qual o comparativo que você faz entre silagem de milho e silagem de cana?

JGS - O produtor de leite precisa de opções de volumoso para suas vacas. A silagem de cana, ou mesmo a cana verde, pode ser usada para as categorias de recria, vacas secas ou mesmo em final de lactação, se estiverem produzindo menos de 10 litros/dia, quando a proporção de concentrado exigido é menor. Mesmo assim, deve-se ter muito cuidado. Em anos de preços de milho mais elevados isso pode não ser muito interessante. Muitas vezes, o pequeno produtor não considera o valor de sua mão-de-obra no trato diário com a cana.

Entretanto, para vacas em lactação, acima dos 15 – 20 litros, a melhor opção é, sem dúvida nenhuma, a silagem de milho de alta qualidade. A quantidade de concentrado necessário será menor e ele vai ter uma melhor relação custo x benefício.

Como exemplo, temos os dados de produtores de Orizona. Quando forneceram silagem de cana-de-açúcar para vacas em lactação acima de 20 litros, os gastos com concentrado para suplementar essa silagem representavam 36% dos custos do leite, enquanto que para a silagem de milho os gastos com a suplementação concentrada representavam somente 19%.

BIP - Quais são suas fontes de informação sobre a atividade ou demais atividades agrícolas em geral?

JGS - Buscamos muita informação junto às Embrapas, principalmente a de Sete Lagoas - MG e a Embrapa de São Carlos - SP, o que me deu muita experiência sobre adubação orgânica e técnicas para a produção de leite. Participei também de comissões técnicas do estado em visita à Nova Zelândia e outras regiões que contribuíram para a experiência profissional.

Atualmente, as empresas de sementes também têm sido nossos grandes parceiros na transferência de tecnologia na produção de boas lavouras de milho para silagem. Aprendi muita coisa sobre milho com os técnicos da Pioneer. Uma das maneiras mais eficientes que temos conseguido transferir informações aos produtores são os Dias de Campo. De um modo que seja simples para ele entender, mostramos as mesmas tecnologias como milho Bt, ensaios de população e espaçamento, qualidade de silagem, que estão sendo usadas em por bons produtores de leite do país. Em nossos Dias de Campo, através de parceria com empresas, trazemos os mais renomados técnicos do Brasil para falar a esses produtores. Conseguimos reunir mais de 600 pessoas e a grande maioria é pequeno produtor.

BIP - No seu ponto de vista, quais são as maiores dificuldades e os maiores desafios da atividade leiteira?

JGS - As dificuldades são a assistência técnica aos produtores de pequena escala e precisamos de união entre os produtores, tanto para a venda de leite quanto para a aquisição de insumos por meio de programas adequados à sua realidade. Os produtores de leite, principalmente os pequenos, precisam montar núcleos para a contratação de técnico especializado para assistência, não ficando dependente exclusivamente do apoio do governo, e conseguir unir grupos de produtores para comercializar e negociar insumos em regiões que não têm cooperativas ou associações fortes para este fim.

BIP – Que conselho o senhor daria aos demais produtores de leite?

JGS - Persistência! O produtor precisa chegar numa escala compatível de produção. Para isso é necessário se organizar primeiro. Viabilizar um programa de assistência técnica de fato. Preocupar-se primeiro em valorizar sua terra, produzindo volumoso de alta qualidade. ​

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