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Artigos

22/09/2010

Cenário deve favorecer plantio de milho safrinha

O último relatório de oferta e demanda mundial de milho divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ajudou a consolidar os preços firmes praticados atualmente na Bolsa de Chicago. As novas estimativas do órgão apontam para uma produção menor na safra 2010/11 frente aos números divulgados em agosto. Com a expectativa de crescimento das exportações em função da quebra de safra na Europa, a relação estoque/consumo de milho (relação que indica o percentual da demanda que pode ser atendida pelos estoques de passagem) nos Estados Unidos é estimada em 8,3% ante uma média histórica de 22,7%.

Os níveis de produtividade média indicado pela colheita do milho nos Estados Unidos – que está em fase inicial - também se mostram abaixo do esperado pelo mercado. Todos estes fatores levaram os preços do cereal a romper o patamar de US$ 5,0 por bushel na Bolsa de Chicago.

No mercado doméstico, os preços do milho também estão em fase de ascendência. Em Minas Gerais, os preços do cereal registraram uma alta de 15% nos últimos trinta dias, enquanto no Rio Grande do Sul, a valorização observada no mesmo período foi da ordem de 11%. O bom desempenho das exportações observados em agosto já sinaliza uma mudança no comportamento do mercado. De acordo com a Secretária de Comércio Exterior, o Brasil exportou no mês de agosto 1,19 milhão de toneladas de milho alcançando o melhor resultado do ano e, espera-se resultados mensais semelhantes a este até o final do ano. O excelente resultado obtido pelos leilões de prêmio de escoamento de produto (PEP) leva o governo a acreditar que as vendas externas de milho por parte do Brasil possam alcançar cerca de 9,0 milhões de toneladas em 2010.

O aumento da demanda, principalmente via exportação, também resultou em alta de preços na BM&F. O contrato novembro 2010 encerrou o pregão desta última sexta-feira cotado a R$ 25,20/saca, o que representou uma valorização de 13% nos últimos trinta dias.

Apesar da recente alta de preços, tanto no mercado doméstico quanto no mercado internacional, e das boas expectativas de exportação em 2010, a área cultivada com milho verão no Brasil deverá registrar recuo. A decisão de investimentos, principalmente na região Sul do país já está tomada. Por sua vez, a 2ª safra de milho deverá registrar crescimento frente ao cenário atual de recuperação de preços.

A 2ª safra de milho vem ganhando cada vez mais importância no Brasil, com grande destaque para o Mato Grosso. No ano agrícola 2000/01, a produção de milho na 2ª safra foi responsável por 15,3% da safra total do cereal, ao passo que no agrícola 2010/11, esta participação saltou para 39,3%. Claramente há uma mudança geográfica na produção cujo desenvolvimento tecnológico passa a ter grande responsabilidade por este novo viés. Há dez anos, poucas eram as empresas de sementes que acreditavam no crescimento significativo de milho na 2ª safra em virtude do alto risco que esta cultura apresentava. Com os expressivos crescimentos de produtividade, observados principalmente na região Centro-Oeste do Brasil, a safrinha passou a ter suma importância sobre o abastecimento de milho. Enquanto a área plantada com milho deverá recuar no verão, a safrinha deverá ser novamente a grande protagonista da safra 2010/11. ​

Autor:
Leonardo Sologuren
Eng. Agrônomo, mestre em economia e consultor em agronegócio