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Artigos

02/05/2011

Qualidade na Silagem de Milho - Receitas de um Campeão

No estado do Paraná, a região conhecida como grupo ABC, que compreende as áreas de atuação das cooperativas Capal (Arapoti), Batavo (Carambeí) e Castrolanda (Castro), possui uma das maiores médias de produtividade de leite do país. A silagem de milho é o principal volumoso empregado em todas as propriedades leiteiras da região.

Dada a grande importância da silagem de milho na alimentação do rebanho leiteiro, a Fundação ABC criou o Concurso de Silagem de Milho. Este concurso tem por objetivo promover a cadeia de produção de silagem de milho, valorizando e premiando o produtor, o assistente técnico, o prestador de serviços de colheita, as empresas de híbridos de milho e de agroquímicos e os fabricantes de máquinas forrageiras.

No período de março a junho da última safra, técnicos da Fundação ABC percorreram as propriedades para coletar amostras das silagens. Foram inscritas 89 amostras de produtores das cooperativas Capal, Batavo e Castrolanda. As amostras foram enviadas ao Laboratório de Bromatologia da Fundação ABC para realização das análises físico-químicas das silagens. Foram analisados os teores de matéria seca (MS), proteína bruta (PB), fibra insolúvel em detergente neutro (FDN), fibra insolúvel em detergente ácido (FDA), nutrientes digestíveis totais (NDT), valor relativo nutricional (VRN), amido, potencial hidrogeniônico (pH) e tamanho de partículas através do conjunto de peneiras Penn State Box. Foram dez os critérios utilizados para a pontuação, conforme apresentado na Tabela 1.

 

Dentre os produtores e consultores técnicos presentes entre os melhores de 2010 (Tabela 2), alguns deles já figuravam nesse mesmo ranking no primeiro concurso de Silagem de Milho da Fundação ABC. Em 2009, o produtor Léo Paulo Barth foi o primeiro colocado; Gilmar Antônio de Paula, o nono; Hilton e Jerônimo Ribeiro, o décimo. Este ano, o grande campeão foi o produtor Clemente Lourenço Gerhards, que no ano anterior ocupou a quarta posição no concurso. 

 

Os produtores e as características físico-químicas das dez melhores silagens são apresentados na Tabela 3.

 

Dicas de um campeão
Clemente Gerhards é uma referência na produção de silagem de alta qualidade. Situada na Colônia Maracanã, município de Castro/PR, sua propriedade dispõem de 35 ha de área própria e mais 20 ha arrendados recentemente. Ele cultiva 36 ha de milho para silagem de planta inteira no verão e cultiva azevém e aveia no inverno, quando parte das forrageiras são utilizadas para pastoreio e parte para produção de silagem pré-secada. Dessa maneira, mantém um plantel de 160 animais, com 75 vacas em lactação e uma produção diária de 2.000 litros.


Planejamento na lavoura
Na escolha dos híbridos para produção de silagem, o produtor leva em consideração o potencial produtivo de grãos do híbrido que, por sua vez, está associado à sua sanidade e estabilidade agronômica. Escolhe seus híbridos tomando como base as informações agronômicas dos ensaios conduzidos pela Fundação ABC.

Para aumentar o período da janela de corte, utiliza o Sistema de Combinação de Híbridos. Na safra passada plantou os híbridos 32R22 e 32R48, de ciclo mais rápido, e o 30R50 pelo alto potencial produtivo. Características como a precocidade são fundamentais no planejamento forrageiro da propriedade, pois a liberação da área de plantio mais cedo permite a antecipação e o escalonamento do plantio das forragens de inverno, na região Sul, o que reduz sensivelmente os riscos de escassez de alimento em períodos de estiagem.

Para Clemente, quando respeitado o correto posicionamento agronômico como a época de plantio, fertilidade e tratos culturais, consegue-se maior eficiência agronômica de cada híbrido o que, posteriormente, resultará em melhor qualidade da silagem produzida, com maior relação de grãos na massa ensilada e melhor custo benefício na dieta de suas vacas.


Momento ideal de colheita
Na propriedade busca-se colher toda silagem com teores de matéria seca (MS) entre 30 e 35%. Além do acompanhamento da lavoura, monitorando-se a linha do leite no grão (ideal ao redor de 50%), o produtor utiliza recursos como, por exemplo, a determinação da MS em forno micro-ondas (Veja como, clicando aqui).

As 10 melhores silagens do concurso apresentaram teor médio de MS de 33% e de amido de 39%, enquanto a média geral para as demais amostras foram de 31% e de 34%, respectivamente. A silagem de Clemente Gerhards apresentou teor de MS de 37% e 46% de amido.

O momento ideal de corte, expresso pelo teor de MS da planta e pelo estágio de maturação do grão, tem impacto significativo sobre a qualidade da silagem. Trabalhos de pesquisa realizados na região de Carambeí/PR na safra 2009/2010, com o híbrido 30F36, indicam que a antecipação do corte da silagem acarreta sensível redução na qualidade da silagem e, consequentemente, no seu potencial de transformação em leite (Tabela 4).

  

Colheita de silagem
Dos produtores inscritos no concurso de silagem 64% utilizam serviços de terceiros na colheita de silagem, enquanto que entre os dez melhores nove terceirizam esse serviço. A terceirização dos serviços de colheita é uma opção bastante interessante e que vem crescendo de maneira significativa no Brasil. Do ponto de vista financeiro, a vantagem para o produtor que contrata esses serviços é a redução nos investimentos para aquisição e custos com depreciação e manutenção dos implementos. Máquinas forrageiras de grande porte (autopropelidas) têm maior eficiência operacional, possibilitando colheita mais rápida dentro do momento ideal para corte com menor tempo para enchimento e fechamento do silo, permitindo maior disponibilidade de tratores para compactação. Estes fatores certamente têm reflexo positivo sobre a qualidade da silagem produzida. Contudo, o uso de máquinas próprias (ensiladeiras de uma ou duas linhas) não é impeditivo para produção de silagem de boa qualidade, desde que se tenha algum planejamento.

Na propriedade de Clemente Gerhards parte da colheita foi realizada com maquinário próprio e parte do serviço foi terceirizado. O maquinário próprio facilita o corte em talhões menores ou de difícil acesso, enquanto que as áreas maiores são colhidas com as máquinas contratadas, tendo-se assim maior eficiência e redução nos custos de serviços. Mais uma vez, vale lembrar que o planejamento da lavoura é certamente o maior agente facilitador nesse processo.

A metodologia recomendada para avaliação do tamanho das partículas é o Separador de Partículas Penn State, que foi desenvolvido por uma equipe da Pennsylvania State University, dos Estados Unidos. Trata-se de um conjunto de peneiras com malhas de diâmetros diferentes, dispostas umas sobre as outras e uma bandeja inferior que não tem aberturas (caixa). Na Tabela 5, tem-se a recomendação ideal para a distribuição de tamanhos de partículas e a distribuição média das dez melhores silagens do concurso, que variaram pouco entre si.

  

A avaliação de todas as amostras do concurso revelou que os cuidados no processamento da silagem precisam ser maiores. Enquanto 34% das amostras estavam picadas adequadamente, dentro dos limites ideais, 44% estavam mal picadas (acima de 8% na peneira 1 e abaixo de 30% na peneira 3) e 22% muito picada (abaixo de 3% na peneira 1 e acima de 40% na peneira 3).
 
A picagem da planta é fundamental para a qualidade da silagem. A uniformidade das partículas facilita a compactação, reduz mais rapidamente o ar no interior do silo, inibe a respiração que libera, na forma de calor, a energia que seria consumida pelos animais. Além das perdas no interior do silo, a silagem mal picada custa mais porque foi colhida e armazenada, mas não será integralmente consumida, haverá sobras no cocho.
 
Quando perguntado quais são as principais fontes de informação no planejamento de sua atividade, Clemente Gerhards responde que lê revistas e informativos técnicos de pesquisa, participa de palestras e explora ao máximo o contato com profissionais da área de produção de leite, principalmente os da cooperativa. Mas, certamente o que faz dele um campeão em qualidade de silagem é que ele coloca em prática grande parte dessas informações. ​
Autor:
João Ricardo Alves Pereira
Prof. Adjunto do Depto. de Zootecnia Curso de Zootecnia UEPG/Castro - PR
Fonte: