Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

28/02/2012

Apesar da crise global, mercado do milho ainda se mostra atrativo

Há um bom tempo o mercado do milho não atravessava um período tão favorável de preços quanto o momento atual. O cenário de preços altos ocorre tanto no âmbito internacional quanto no âmbito doméstico e, apesar da turbulência no mercado financeiro global, os preços do milho têm sido resistentes a maiores quedas - ao contrário do que acontece com outras commodities em momentos de pânico - o que demonstra a solidez de seus fundamentos.

A queda na expectativa da produção norte-americana de milho na safra 2011/ 2012 está dando sustentação aos preços do cereal em função da manutenção dos estoques apertados nos Estados Unidos. A relação estoque/consumo (relação que demonstra o percentual da demanda que pode ser atendida pelo nível atual dos estoques de passagem) de milho estadunidense é estimada em apenas 6,7% contra uma média histórica de 22,4%.

Neste cenário, os preços futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) estão se mantendo em patamares bastante elevados. O preço médio do primeiro vencimento em 2011 (até o dia 11 de novembro) foi de US$ 6,91/bushel, o que representa uma valorização de 61,4% em relação ao mesmo período de 2010.

 

A valorização dos preços internacionais do milho também estão relacionados à demanda aquecida pelo grão, principalmente por parte da China. Estima-se que o país asiático poderá importar cerca de 3,0 milhões de toneladas de milho no ano safra 2011/2012, o que superaria todas as expectativas do mercado, já que tal montante era aguardado apenas para daqui a 5 anos.

A alta dos preços internacionais do milho é totalmente favorável ao mercado brasileiro, uma vez que gera competitividade às nossas vendas externas. Esta competitividade pode ser observada pelo resultado das exportações brasileiras de milho em 2011. No acumulado deste ano (janeiro a outubro), as exportações brasileiras de milho totalizaram 7,74 milhões, o que representa um crescimento de 9,8% em relação às vendas externas registradas no mesmo período de 2010.

A competitividade das vendas externas deverá pressionar ainda mais os estoques de milho no Brasil, que já se mostram apertados. Caso o país exporte cerca de 9,2 milhões de toneladas de milho em 2011, os estoques de passagem do cereal serão de apenas 4,3 milhões de toneladas, o que representaria cerca de 25 dias de consumo (considerando a demanda exportadora).

A demanda aquecida aliada a um quadro de oferta apertada tem mantido os preços do milho no mercado doméstico em patamares elevados. No estado do Mato Grosso, os preços médios praticados neste ano (até o mês de outubro) estão 100% superiores em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os preços médios no Rio Grande do Sul superam em 56,8% os preços praticados no mesmo período de 2010. 

 

A valorização dos preços no mercado doméstico deverá ocasionar aumento da área plantada na campanha agrícola 2011/2012, tanto na safra de verão quanto na safra de inverno. Estima-se que a área cultivada com milho na safra de verão deverá registrar um crescimento de 12,9% em relação à safra passada, o que totalizaria 8,65 milhões de hectares. A área cultivada com safrinha, por sua vez, deverá totalizar 6,2 milhões de hectares, o que representaria uma alta de 5,8% frente à área cultivada no ano agrícola 2010/2011.

O aumento da área cultivada não, necessariamente, implica dizer que os preços deverão recuar. A permanência dos preços altos no mercado internacional continuaria gerando competitividade às vendas externas de milho por parte do Brasil, o qual escoaria o seu excedente de produção. No entanto, é aconselhável aproveitar os atuais preços praticados no mercado para as operações de travamento de preços.

Apesar do cenário favorável ao mercado, há um risco macroeconômico global que não pode ser ignorado. O agravamento da crise na zona do euro, aliado à dificuldade de recuperação econômica dos Estados Unidos, ainda poderão ocasionar graves consequências aos mercados financeiros globais.

Este temor poderá levar os investidores a um processo de venda generalizada dos contratos futuros, tanto em virtude da interpretação de que a demanda será arrefecida em um contexto de desaceleração econômica no mundo quanto em virtude de um quadro de menor liquidez financeira.

Isto implica dizer que os preços do milho no mercado internacional (os quais impactam diretamente na competitividade de exportação do Brasil) ainda estão sujeitos a fortes oscilações em virtude do delicado quadro econômico do mundo (principalmente das economias desenvolvidas) e esta oscilação pode vir na forma de queda das cotações.

Buscando evitar o risco de preços, passa a ser interessante ao produtor rural a busca de ferramentas de gerenciamento de risco. Neste cenário destacam-se os mercados a termo e os mercados de opções sobre futuros.

O mercado a termo nada mais é do que a pré-fixação de um preço estabelecido com a ponta compradora, onde o preço pré-acordado será honrado no momento de entrega do produto. Empresas processadoras de carnes e tradings estão realizando este tipo de modalidade em diversas regiões do país.

Já o mercado de opções sobre futuros pode ser realizado através da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e a ferramenta funciona como um seguro de preço. Adquire-se a opção de venda do milho a um determinado preço, cuja referência é o valor de algum contrato futuro do cereal negociado na Bolsa. Caso o preço do contrato futuro fique abaixo do preço de exercício da opção, então pode-se exercer a opção e ganhar a diferença entre o preço cotado no contrato futuro e o preço estabelecido na opção. Caso o preço do contrato futuro fique acima do preço de exercício da opção, então a mesma não será exercida e o comprador da opção terá como único gasto o valor do prêmio pago no momento da aquisição do contrato.​

Autor:
Leonardo Sologuren
Engenheiro-agrônomo, Mestre em Economia e sócio-diretor da Consultoria Clarivi
Fonte: