Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

22/03/2012

A importância da capacidade operacional e do planejamento no sucesso da safrinha

A produção de milho no Brasil tem se caracterizado pela divisão da produção em duas épocas de plantio. Os plantios de verão, ou primeira safra, são realizados na época tradicional durante o período chuvoso, que varia entre fins de agosto, na região Sul, até os meses de outubro/novembro, no Sudeste e Centro-Oeste. A safrinha refere-se ao milho de sequeiro, plantado em fevereiro ou março, quase sempre depois da soja precoce, predominantemente na região Centro-Oeste e nos estados do Paraná e São Paulo.

Atualmente, a cultura do milho safrinha no Brasil é responsável por aproximadamente 40% da produção nacional deste cereal.

Com essa vasta região de cultivo de milho safrinha, observa-se que o período de cultivo é bem diferente quando comparado ao verão, principalmente pela disponibilidade hídrica, que é bem menor, além da redução na quantidade de horas de luz durante o desenvolvimento da cultura.

A região do Brasil Central é uma das que mais cresceu na produção nos últimos anos e um dos estados que mais vêm ampliando a área e com aumentos de produtividade é o estado do Mato Grosso. Um dos fatos mais marcantes e responsáveis pela grande expansão do milho safrinha, neste estado, foi o aparecimento da ferrugem da soja em 2002.

A ferrugem obrigou as empresas a investirem em pesquisa para obter materiais com alto potencial de produção e com ciclo mais precoce, permitindo, desta forma, aos produtores continuarem a produzir soja, porém com número menor de pulverizações para o controle da doença. Em função do encurtamento do ciclo dos materiais de soja, abriu-se uma janela muito interessante para um segundo cultivo, ocupado com o milho safrinha.

O grande desafio está na colheita de soja no mês de janeiro, normalmente em condições de muita chuva, e a semeadura do milho safrinha, com a melhor janela indo até o final de fevereiro. Isto é, um período aproximado de 40 a 50 dias. A capacidade operacional e o planejamento são requisitos fundamentais nas propriedades que possuem a oportunidade do duplo cultivo.

 

Planejamento

a) Conhecimento do clima e época de plantio
Um dos pontos principais para o sucesso da safrinha está relacionado à época de plantio. O ciclo do milho é definido pela soma térmica diária - acúmulo de graus dia -, intervalos de apenas 7 dias podem significar diferenças de até 20 dias no ciclo final da cultura do milho, decisivo no sucesso ou insucesso da lavoura.

Para isso, o planejamento e a estratégia são fundamentais nesse processo. Com a integração dos processos e cultivos, não se olha mais a cultura isolada - soja e milho -, mas sim o sistema de cultivo e os resultados por área e ano agrícola.

É fundamental para o produtor conhecer o regime de chuvas da região. Com as informações de precipitação é possível planejar a época ideal de plantio da soja, além de estimar a data-limite de plantio do milho safrinha, sem comprometer a sua produtividade, principalmente pelo período sem chuvas, no caso do Brasil Central.

b) Capacidade operacional
Pela capacidade operacional de plantio e colheita é que deverá ser feito o planejamento do tamanho da área de soja, que servirá para o cultivo de milho safrinha na sucessão.

Como comentado anteriormente, a janela de plantio do milho safrinha é de aproximadamente 40 a 50 dias, num período em que o clima chuvoso dificulta as operações de colheita da soja e o plantio do milho. No Brasil Central, a restrição da data-limite de plantio da safrinha é pelo período de seca e na safrinha do Sul do Brasil a limitação é, principalmente, pela geada.

Todos esses detalhes fazem com que o agricultor tenha especial atenção na operação de plantio, de forma a assegurar a população de plantas desejada na ocasião da colheita. Neste contexto, as plantadeiras/semeadoras representam importante elemento dentro do processo de produção, uma vez que a produtividade de milho é afetada de forma significativa pelo fator estande.

A plantadeira pode atuar como elemento restritivo ao desenvolvimento da cultura do milho, uma vez que de pouco adianta utilizar sementes de alta qualidade genética, fazer bom preparo do solo, manter a fertilidade adequada e controlar pragas e plantas daninhas, se não se obtém a quantidade de sementes distribuídas para um estande final adequado por híbrido e por hectare. Dessa maneira, se o objetivo é aumentar a produtividade da cultura, a regulagem da semeadora passa a merecer atenção especial.

Dimensionar o número de plantadeiras destinadas ao plantio de milho bem como a quantidade de máquinas para a colheita da soja, além de estrutura de secagem e armazenagem, já que a soja não suporta muito tempo no campo no período de colheita com umidade/chuva, são pontos fundamentais para o planejamento e sucesso do sistema soja precoce + milho safrinha.

Com a colheita de soja em janeiro sob forte condição de chuva e com solo encharcado, produtores, técnicos, agrônomos e consultores têm que ficar atentos ao problema de adensamento/compactação dos solos. Isso especialmente no Brasil Central, onde a condição climática com altas temperaturas e umidade favorecem a rápida decomposição da palhada produzida, deixando o solo exposto em pouco tempo. Portanto, não existe uma camada significativa de palha para absorver o peso das colhedeiras de soja, em solos que variam de 30 a 60% de argila. Esse adensamento exerce forte influência negativa no desenvolvimento radicular do milho.

Outro ponto importantíssimo é a capacidade operacional de pulverização que tem que ser muito bem dimensionada/avaliada, uma vez que após a colheita da soja permanece grande quantidade de percevejos nos talhões. Paralelamente ao plantio do milho, o produtor deverá realizar o controle dos percevejos nos estágios iniciais de desenvolvimento da safrinha.

c) Conhecimento e escolha dos materiais de soja e híbridos de milho
Além do conhecimento do clima, o produtor deverá fazer a correta escolha de materiais de soja, visando atingir o máximo potencial produtivo das lavouras.

Dificilmente o produtor fará 100% de plantio de milho safrinha sobre a sua área de soja. Portanto, a escolha de diferentes ciclos de soja e características de tolerância a pragas, doenças, nematóides e chuva na colheita são pontos importantes para alcançar altas médias de produtividade em toda a propriedade.

A área plantada com materiais de soja com ciclo precoce permitirá uma janela maior de plantio de safrinha. O produtor tem que estar atento ao período de plantio na melhor janela, adquirir sementes de alta qualidade e protegê-las com fungicidas e inseticidas para garantir o correto estande da lavoura, uma vez que o plantio no cedo, em condições de poucas chuvas, será propício ao ataque de pragas e doenças nestas sementes.

A escolha por materiais de soja transgênicos também tem facilitado a questão operacional porque permitirá sua colheita praticamente no limpo. Desta forma, permite agilidade no plantio da safrinha.

Sem contar que as lavouras de soja com o gene Roundup Ready® não deixarão residual de herbicidas que poderiam prejudicar o desenvolvimento e potencial do milho que será plantado na sequência. Com a liberação comercial do cultivo de milho com o gene Roundup Ready® e a aplicação do herbicida glifosato em pós-emergência, facilitará mais ainda o manejo de ervas no talhão. A Pioneer já está comercializando vários híbridos de milho com combinação das tecnologias Herculex®I e Roundup Ready® para a próxima safra verão e safrinha.

No caso da escolha dos híbridos de milho, que serão plantados após a colheita da soja, esta deverá levar em consideração alguns aspectos fundamentais. O ambiente de safrinha está associado à irregularidade climática, à imprevisibilidade de ocorrência de fatores climáticos como seca e geada e da intensidade das doenças.

Entender que estes fatores interagem entre si, fazendo com que a opção que considera apenas a característica de produtividade ou precocidade, pode ser de alto risco, principalmente quando não está associada à defensividade.

O Sistema de Combinação de Híbridos (SCH) é a mais segura opção, pois leva em consideração potencial produtivo, precocidade, estabilidade e sanidade/defensividade, já que infelizmente ainda não se conseguiu desenvolver um híbrido que reúna todas estas características.

A Pioneer® possui programas de melhoramento específicos para a obtenção de híbridos para a safrinha. Atualmente, vários híbridos têm se destacado como o 30F90H, 30S31H, 30P70H, 30F35H, P3646H, P3340H, P3161H, P3431H, dentre outros.

d) Antecipação da colheita da soja
Pelo pequeno período de colheita da soja e plantio da safrinha, ganhar alguns dias é fundamental para o sucesso das duas culturas. E inúmeros trabalhos têm demonstrado perda de rendimento na safrinha pelo atraso no plantio.

Apesar disto, “acelerar” o plantio não é a melhor alternativa. Para o milho, a velocidade ideal de plantio é de 4 a 6 km/h independente do espaçamento entre linhas e sistema de distribuição de sementes.

Portanto, uma das técnicas para garantir alguns dias no melhor período do plantio da safrinha é realizar a dessecação da soja, quando esta atinge o estágio de maturação fisiológica. Desta forma, é possível antecipar a sua colheita em até 7 dias.

e) Capacidade operacional versus Qualidade operacional
O período de plantio da safrinha é pequeno e sob condições de clima, normalmente, desfavorável. Por isso, é importante que o parque de máquinas esteja adequado ao tamanho de área que se pretende cultivar com as culturas de soja precoce e milho safrinha.

Como atualmente a área de cultivo com milho safrinha está em expansão, é aconselhável que os produtores observem se o número de tratores e plantadeiras é suficiente para executar as atividades de plantio dentro das recomendações técnicas.

Além da quantidade de máquinas e equipamentos, é fundamental que as mesmas estejam revisadas e calibradas para a perfeita execução do plantio e demais tratos culturais.

Atualmente, no Brasil Central, em função do tamanho das propriedades, os produtores estão adotando estratégias para conseguirem plantar grandes áreas, aumentando o rendimento operacional na melhor janela da safrinha como, por exemplo, o plantio sem adubo na linha.

Já é frequente a não utilização de adubação na linha de plantio do milho safrinha, priorizando o rendimento operacional. O adubo normalmente é jogado na cultura da soja, que antecede ao milho ou a adubação é feita após o plantio do milho e é denominada de adubação de cobertura.

Importante deixar claro para produtores, técnicos e consultores, que não são todas as áreas que permitem fazer tal técnica de adubação, apenas nas áreas classificadas de alta fertilidade.

Feita a avaliação da capacidade operacional, também é importante observar a qualidade operacional, começando pela mão-de-obra que irá executar as operações. Os profissionais que operam as máquinas e equipamentos devem estar bem treinados e qualificados.

Todo o investimento em insumos, aumento de área, oportunidades de negócio deverá também passar pela reciclagem/treinamento dos funcionários da fazenda.

Cada vez mais o potencial produtivo das lavouras de soja e milho dependerão de sementes de excelente qualidade, na quantidade exata por hectare, atingindo o estande adequado para cada condição de solo e data de plantio. Para isso, a qualidade de plantio será determinante para o sucesso ou insucesso de cada safra.

 

Conclusão
Em função de tudo o que foi apresentado, fica claro que o bom planejamento, a escolha de variedades de soja e híbridos de milho, a data de plantio, a capacidade operacional e a qualidade operacional são fatores importantes no resultado final das lavouras de milho safrinha. E que, cada vez mais, a safrinha se mostra uma excelente alternativa de segundo cultivo para uma boa parte dos produtores de soja do Brasil.

 

 

 


Autor:
Luis Carlos Tessaro
Gerente de Produto e Tecnologia da Pioneer Sementes
Fonte: