Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

07/05/2011

Silagem de Milho Safrinha

O milho é a cultura mais expressiva destinada à produção de silagem, uma vez que permite produções elevadas de Matéria Seca (MS) por área com alta concentração energética, sendo, por isso, ingrediente indispensável no arraçoamento de vacas leiteiras, principalmente, e de boa parte dos confinamentos de gado de corte.

Pesquisas de mercado no Brasil estimaram que a área da cultura de milho destinada à ensilagem foi de, aproximadamente 980.000 hectares na safra de verão de 2009/2010 e de cerca de 450.000 hectares na safrinha. Cabe lembrar, por exemplo, que estados como Goiás e Mato Grosso do Sul, onde se concentram confinamentos de gado de corte, e a região oeste do Paraná, maior bacia leiteira do estado, têm na safrinha a grande maioria das suas lavouras de milho.

O cultivo de milho safrinha vem apresentando grandes avanços tecnológicos nesses últimos anos. Atualmente, ela representa mais de 35% de toda a produção de milho nacional, ocupando mais de 4,5 milhões de hectares com produtividade média acima de 3.500 kg/ha. Somente nos últimos 15 anos a área de milho safrinha teve incremento de mais de 3 milhões de hectares e as produtividades médias praticamente dobraram no período. Durante o processo de profissionalização da safrinha, alguns aspectos técnicos foram decisivos para o incremento de produtividade. Entre eles, a seleção e plantio de cultivares de soja precoce como estratégia de antecipar o plantio da safrinha e minimizar alguns efeitos de estresse como estiagem e geadas; a seleção de híbridos adequados à época de plantio, combinando-se diferentes híbridos, cujas características principais como potencial produtivo, precocidade e defensividade sejam complementares; a adequação da população de plantas que, de forma geral, apresentou os melhores resultados numa população final na faixa entre 55.000 e 62.000 plantas/ha; a redução de espaçamento entre linhas, de 90 para 45 cm, que tem por objetivo melhorar a distribuição espacial das plantas na lavoura, visando aumentar a interceptação da radiação solar e reduzir a evaporação da água do solo pelo fechamento mais rápido da cultura (Seleme, 2011).

Assim, é cada vez mais evidente que agilidade na colheita é um dos fatores fundamentais para garantir qualidade na silagem produzida. Se nas lavouras de verão as temperaturas mais elevadas aceleram a maturação da cultura, que associada aos períodos frequentes de chuva dificultam e atrasam a colheita, nas lavouras de safrinha a colheita deve ser rápida em função do ciclo precoce da cultura e aos maiores riscos de perdas por doenças ou geadas. Outro fator importante é que as lavouras de safrinha, ou mesmo de verão, plantadas com espaçamento entre linhas reduzido, exigem plataformas de colheita apropriadas, com discos de corte rotativos independentes da orientação da linha de plantio. A vantagem nesse aspecto é que é cada vez mais comum a terceirização de serviços para empresas especializadas que utilizam máquinas forrageiras autopropelidas.

Trabalhos de pesquisa evidenciaram que técnicas de manejo de lavoura, associando-se redução de espaçamento e população adequada ao híbrido recomendado, possibilitaram aumento nas produtividades de silagem de milho de 8 a 12% em média.

Para melhor se avaliar as opções de terceirização de serviços de colheita, na Tabela 1 são apresentados custos de operação para máquinas forrageiras para ensilagem de milho. Quanto ao valor cobrado pelas empresas prestadoras de serviço de colheita com forrageiras autopropelidas, o valor médio gira em torno de R$ 420,00 a 480,00/hora máquina.

Quando comparados os custos de colheita por área de uma lavoura de milho para produção de silagem (Tabela 1), verifica-se que a colheita com forrageira autopropelida tem custo cerca de 15% menor que o uso de ensiladeira acoplada de uma linha e 9% menor que a de duas linhas. Isso se deve ao maior rendimento de colheita, o que acaba compensando o maior custo por hora máquina. Contudo, é possível a produção de silagem de boa qualidade utilizando-se ensiladeiras acopladas (uma ou duas linhas). Ciente da menor eficiência de colheita, o produtor deve fazer um bom planejamento de plantio, visando escalonamento da colheita.

 

 

Cabe lembrar que os principais benefícios decorrentes da agilidade na colheita estão na possibilidade de obtenção de forragem de melhor qualidade. O milho quando colhido no momento ideal, expresso pelo teor de Matéria Seca da planta e pelo estágio de maturação do grão, tem impacto significativo sobre a qualidade da silagem. Em geral, esse ponto na lavoura de milho se dá quando os grãos atingem o estádio de farináceo-duro, tendo a planta inteira teores de Matéria Seca variando entre 32 e 38%, quando já tem na planta cerca de 95% do seu potencial produtivo de grãos.

No entanto, fica evidente a dificuldade de colher lavouras dentro dessa faixa ideal consideradas as dificuldades como períodos frequentes de chuva e a maturação acelerada da cultura no verão e a precocidade e riscos de perdas, por doenças ou geadas, na safrinha. As formas de amenizar esses riscos consistem, basicamente, em se fazer um bom planejamento agronômico a fim de se possibilitar maior janela de corte associando-se práticas como a combinação de híbridos de diferentes ciclos com escalonamento de plantio, de modo que apresentem, de maneira sequenciada, os momentos ideais para corte (Figura 1). Numa segunda, etapa proceder todas as etapas da ensilagem como corte, transporte e compactação, de maneira rápida e eficiente, o que certamente tem reflexo positivo sobre a qualidade da silagem produzida.

 

Autor:
João Ricardo Alves Pereira
Professor Adjunto do Depto. de Zootecnia, Curso de Zootecnia UEPG/Castro - PR
Fonte: