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Artigos

01/06/2005

Preparo de solo e melhor uso dos corretivos

Quantas saudades dos tempos em que preparar o solo era simplesmente colocar calcário e dar-lhe grade. Hoje, a tomada de decisão para se preparar ou abrir uma área e incorporá-la ao processo produtivo, tornou-se questão de estudo e planejamento prévio.

Até bem pouco tempo atrás, tolerava-se alguns níveis de alumínio tóxico no solo para o cultivo de soja. Hoje, para tetos produtivos acima de 50 sacos/ha em áreas de abertura e, em alguns casos, de áreas mais velhas de cultivo que podem chegar a pouco mais que 80 sacos/ha, é necessário maior cuidado com a fertilização, associada, principalmente, ao plantio de cultivares novas e na época adequada. Para atingir essas produtividades, os valores de alumínio nesses solos têm que ser praticamente nulos. Outro ponto importante é a disponibilidade de nutrientes e o tempo de reação do fertilizante ou corretivo. E, quando se fala em tempo de reação, não se pode basear somente no número de horas, mas também na umidade e na temperatura necessárias para o desencadeamento do processo.

Para a tomada de decisão, precisa-se estudar basicamente três pontos: o planejamento da área, o processo de tomada de decisão em si e, finalmente, a execução.

O procedimento desde a coleta até a aplicação dos corretivos, à primeira vista, é bastante fácil, mas quando se verifica o cronograma, depara-se com vários detalhes técnicos que demonstram o quanto são complexas e importantes a coleta, análise e recomendação de um corretivo. Chama-se a atenção para os processos - retângulos ocre - e decisões - losangos laranja - que os autores descrevem.

Compete ao técnico informar-se em cada etapa do processo para que não ocorram erros. Já a decisão deverá ser tomada, analisando-se fatores técnicos, operacionais e econômicos e atribuindo a estes grande responsabilidade no êxito, a curto e longo prazo, da operação.

Far-se-á agora uma correlação do planejamento e tomada de decisão pa-ra o melhor uso de corretivos.

Planejamento

O planejamento, hoje, consiste em primeiramente adquirir uma boa noção da situação química e física do solo. Depois dos passos adotados no item anterior, verifica-se o quanto é importante a antecedência na aplicação dos corretivos. Em algumas regiões de fronteira agrícola no cerrado chega-se a aplicar o calcário com um ano de antecedência ao plantio da soja. Além disso, a aplicação de rizóbio no milheto no ano de abertura pode favorecer o processo de nodulação da soja no ano seguinte. Este fato deve-se à sobrevivência do rizóbio na matéria orgânica do solo o que, juntamente com a inoculação feita na soja no plantio, favorecerá grandemente a nodulação.

Ganhos de produtividade são verificados quando se adota esse sistema de abertura em relação ao sistema convencional: abrir a área, corrigí-la no outono-inverno (seco no cerrado) e efetuar o plantio na primavera seguinte.

Tomada de decisão

Na tomada de decisão à escolha e à dosagem do corretivo, é antiga a polêmica sobre qual o método de calagem a se utilizar bem como qual a saturação ideal para a soja e para o milho.

Quanto a isso, o que se tem a dizer é que para os métodos que utilizam saturação de bases, as melhores saturações para se obter ótimas produtividades giram em torno de 60% para o milho e de 45 a 50% para a soja. Esse é um modelo extremamente simplificado e, em solos que apresentam uma capacidade de troca de cátions maior, pode se trabalhar com saturações de bases menores. Como é do conhecimento dos bons técnicos, a saturação de bases não deve ser visualizada como o único fator para se atingir boas produtividades. O tipo de calcário e, principalmente, sua reatividade e granulometria contam muito com relação ao tempo disponível para sua reação. Sabe-se que calcários mais ricos em magnésio possuem naturalmente uma reatividade maior, comparados com calcários que possuem valores maiores de óxido de cálcio. Logicamente, a granulometria tem fundamental importância nesse contexto, ou seja, calcários mais finos possuem reatividade maior.

Na correção de áreas de abertura para inclusão no processo produtivo, nem sempre se consegue atingir a saturação desejada com a aplicação dos corretivos, mesmo após o segundo ano. Por exemplo, o produtor faz uma aplicação de calcário para se atingir uma saturação de bases na faixa de 60% e, no final do primeiro ano da aplicação, essa saturação de bases mal chegou a 50%. Este fato ocorre em grande parte devido ao processo de aplicação e incorporação do corretivo, além da capacidade tamponante do solo. Mesmo em situação de laboratório, não se consegue chegar com exatidão aos patamares desejados. Por isso, alguns pesquisadores do Brasil Central adotam diferentes formas de correção em áreas de abertura. Alguns utilizam saturação de bases igual a 70% em áreas novas, outros trabalham com saturação de bases de 50%, mas aplicam uma vez e meia a dose recomendada. Outros agricultores aplicam, de forma generalizada, seis toneladas de calcário/ha independente da fórmula de cálculo ou necessidade. Cada um com sua peculiaridade e todos com bons resultados.

Quando se trata de plantio direto os pesquisadores ainda divergem quanto à granulometria ideal do calcário. Uma linha de pesquisadores trabalha com calcários extremamente finos para o sistema de plantio direto, favorecendo uma rápida reação. Outros trabalham com calcários mais "grosseiros" na implantação do sistema e usam como justificativa que a dose maior necessária neste último caso funcionará como um fator tamponante da reação de acidificação do solo. Por exemplo, se em um solo foi aplicado um calcário mais grosseiro, quando o solo acidifica, essa própria acidez ataca a pequena pedra do calcário e o mesmo reage neutralizando o solo.

É bom lembrar que, mesmo apresentando tempo de reação variável, para todos os corretivos existem necessidades específicas de temperatura e umidade para esta reação ocorra.

Execução

A execução da aplicação do corretivo hoje em dia está associada a uma segunda necessidade que o solo impõe. A aplicação de corretivos no plantio direto, por exemplo, hoje é adotada em aplicação superficial desde que, segundo vários pesquisadores, não ultrapasse 1,5 tonelada/ha e que esse calcário seja simplesmente de manutenção. Caso haja acidez excessiva ou presença mais forte de alumínio na camada de 10 a 20 cm, essa modalidade poderá ser comprometida. Logicamente, uma aplicação deste tipo deverá ser monitorada no ano seguinte com amostragem de solo superficial de 0 a 10 cm. Normalmente, a aplicação destes corretivos conforme já mencionado, está em função da necessidade do solo e vai desde a necessidade de correção das camadas abaixo de 10 cm até a correção de um problema físico do solo.

Recomenda-se que, se for uma correção do solo ou mesmo uma correção de manutenção, procure fazer uma pequena trincheira de 30 cm e verificar o comportamento das raízes da cultura anterior ou das plantas daninhas presentes na área. Isso porque poderá ser nítida a necessidade de desimpedimento, podendo ser usado o escarificador, o subsolador, ou ainda, se a área é mais nova, a grade.

Lembre-se, ainda, que o plantio direto é, sem dúvida, fundamental para agricultura, principalmente para o cerrado brasileiro. Porém, se malfeito ou implantado na presença de problemas, nenhuma de suas vantagens ajudará o produtor a pagar as suas contas no final da safra.​

Fonte: