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Artigos

05/02/2014

O milho no Brasil, sua importância e evolução

O milho é o cereal de maior volume de produção no mundo, com aproximadamente 960 milhões de toneladas. Estados Unidos, China, Brasil e Argentina são os maiores produtores, representando 70% da produção mundial.

Com uma área agrícola de 60 milhões de hectares, ocupando 7% do total de terras, estimado em 851 milhões de hectares, aproximadamente 5,5 milhões de imóveis rurais e uma produção ao redor de 190 milhões de toneladas, o Brasil é um país de grande importância dentro do cenário agrícola mundial.

Dentro deste cenário, o Brasil, com uma área cultivada com milho de 15,12 milhões de hectares e produção de 82 milhões de toneladas, é hoje um país estratégico, pois, é o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador mundial de milho.

Com o desafio que teremos, de alimentar o mundo – hoje, com uma população mundial de 7 bilhões de pessoas e, que em 2050 superará a 9 bilhões, o milho será ainda mais importante dentro desta estratégia. Isso porque a demanda por alimentos crescerá 20% nos próximos 10 anos, e o Brasil será responsável por atender 40% desta demanda.

Esta estratégia considerará, além do aumento populacional, a escassez de terras, os riscos inerentes a atividade, como as variações climáticas e, consequentemente, o uso de tecnologia e de práticas de manejo que permitam colher mais por área, ou seja, aumentar a produtividade.

Hoje, plantamos cerca de 53 milhões de hectares. A adoção de tecnologia como sementes melhoradas, plantio direto e outras práticas de manejo foi responsável pelo aumento da produtividade nestes últimos anos. Indiretamente, contribuiu com a sustentabilidade, isto porque, se mantivéssemos a produtividade de 20 anos atrás, hoje, precisaríamos plantar 120 milhões de hectares para alcançarmos a produção atual. Em outras palavras isso significa menos desmatamento.
 

A história da produtividade de milho no Brasil

Na última safra, a média brasileira de milho foi de 5.400 kg/ha, considerada baixa em comparação com outros países como os Estados Unidos. Porém, se consideramos a média de 10 anos atrás, cerca de 3.400 kg/ha, o Brasil vem mantendo uma taxa de crescimento de produtividade na ordem de 5% ao ano. Muito superior à própria soja, que neste mesmo período aumentou a produtividade numa taxa de 1,6% a 1,8% ao ano.

Em dez anos ou pouco mais, o Brasil saiu de uma produção de milho de 35 milhões de toneladas, numa área de plantio aproximada de 12,3 milhões de hectares, para mais de 82 milhões de toneladas em 15,12 milhões de hectares. Aumentamos a área de plantio com milho em 30% e a produção em mais de 200%. Estes são números incontestáveis que demonstram o grande crescimento da qualidade tecnológica da cultura do milho no Brasil.

Interessante frisar que, durante muitos anos, a cultura do milho passou a nítida impressão de estagnação em todos os sentidos, como área, tecnologia e produtividade. Isso, segundo alguns especialistas que acompanham mais de perto o milho, foi fruto da falta de profissionalização da cultura. O milho era uma cultura acessória dentro de um sistema produtivo. Eu mesmo, nestes 35 anos dedicados à agricultura, dos quais 27 dedicados somente a cultura do milho, ouvi inúmeras vezes: “vou plantar milho para fazer rotação de culturas”. Isso sem falar que, em muitos locais de recebimento e armazenagem, quando viam um caminhão de milho chegar, se pudessem, fechavam as portas. Hoje, já exportamos 22 milhões de toneladas. Uma grande mudança.

Mas, nos últimos anos, este cenário mudou e de forma drástica. Motivados, talvez, pela maior competitividade, antes local e agora global, e, impulsionados por uma melhor visão em relação à gestão das propriedades, se passou a considerar mais claramente os custos das lavouras, incluindo o preço das terras. Diante disso, no objetivo de encontrar formas de melhor remunerar a atividade, o milho surge como uma alternativa economicamente viável e foi a cultura que mais incorporou tecnologia nestes últimos dez anos.

E para sustentar todo esse crescimento houve a necessidade de investimentos substanciais. A começar pelos programas de melhoramento ofertando híbridos mais adaptados, responsivos ao uso de tecnologia e, consequentemente mais produtivos, passando pela geração e difusão de informações de manejo e consequentemente, melhor suporte no campo e, mais recentemente, a incorporação de novas tecnologias, tendo como exemplo a tecnologia Bt. Esse conjunto, na prática, foi quem mudou a cultura do milho no país.
 
 
Como resultado prático, a cultura do milho experimenta hoje um novo patamar de produtividade, com médias acima de 14 t/ha. Além disso, junto com outras culturas, como a soja, mudou o nosso sistema produtivo. Hoje existem duas culturas de milho: a do verão e a da safrinha. E isso vem alterando de forma muito perceptível o sistema produtivo em muitas regiões produtoras do Brasil, a exemplo do estado do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia e outros. E, desta forma, acabou também interferindo no desenvolvimento de outras culturas, como a soja, que, em função destas mudanças, passou a oferecer lavouras ou, quando se concretizavam, eram abaixo dos índices obtidos nos ensaios. Agricultores e profissionais da assistência questionavam quanto aos motivos pelos quais isso acontecia.

Isto, de certa forma, colocava em dúvida as próprias tecnologias. Lembro nitrogênio aplicado, colhiam-se 60 quilos de grãos. O desejo era colher 200 sacas/ha, mas se colocava nitrogênio para 90 sacas/ha.
 
Espigas de milho indicando alta produtividade
 
A igualdade dos resultados de pesquisa com os resultados de lavouras aconteceram após a correta adoção das novas características que suportassem estes sistemas. A precocidade e a maior adaptação para os plantios do cedo estão sendo características cruciais. Somado a isto, ganhos operacionais no plantio, condução e colheita, por meio de mudanças em práticas de manejo e uso de máquinas e equipamentos mais eficientes e de maior precisão contribuíram substancialmente para essa evolução.
 

A adoção de tecnologia e os seus desafios

O maior desafio foi e vem sendo fazer com que as tecnologias sejam adotadas na íntegra e manejadas corretamente, para que elas surtam o resultado desejado e se mantenham pelo maior período possível.

Isso, na verdade, explica porque muitas vezes se alcançavam resultados fantásticos na rede de ensaios das empresas e entidades de pesquisa ou fundações e, os mesmos não se concretizavam nas que por vários anos ficamos estagnados sem aumentar a população de plantas em milho, mesmo sabendo que o número de espigas por área é o mais importante componente do rendimento. E, com certeza, a não adoção desta prática de manejo impossibilitou que a maioria dos híbridos expressasse todo seu potencial genético durante anos. Neste período a maior alegação para que não se aumentasse a população era o fato de que se ocorresse seca estaria tudo perdido, pela maior população e sua estreita correlação com o maior consumo de água. Somado a isso, havia o fato de que poderia se aumentar o acamamento de raiz ou quebramento de colmo. Porém, isso nunca tinha sido observado e nem comprovado nos ensaios. E poderíamos citar outros exemplos, como a própria dose de nitrogênio, que ficou durante anos fixada em 90 Kg/ha, nas melhores propriedades – mas ao mesmo tempo desejando-se colher igual aos Estados Unidos, mesmo sabendo que, na média, para cada quilo de tecnologias e a quebra de alguns destes tabus. O plantio direto foi fundamental por várias razões. Aumento de matéria orgânica, retenção de umidade, melhoria da fertilidade, dentre outras. O fato é que com a segurança oferecida pelos novos híbridos, tecnologias e práticas de manejo – o que significa antes de tudo, investir – o agricultor se desenvolveu muito e incorporou a adoção correta de determinadas práticas à sua rotina, melhor, ao seu DNA. Dentre algumas citamos:

1. Híbridos com maior índice de respostas ao uso de tecnologias e práticas de manejo. Hoje plantamos milho em praticamente todo território brasileiro e em qualquer época do ano;

2. A introdução de novas tecnologias como o controle de insetos por meio da tecnologia Bt;

3. O uso de novas tecnologias como o tratamento industrial de sementes, que conserva o stand da lavoura em número e qualidade das plantas submetendo-as a um menor estresse até a colheita;

4. Uso de máquinas e equipamentos de maior qualidade, precisão e rapidez, que aliado a uma mão-de-obra melhor qualificada, permite realizar plantios cada vez mais uniformes e dentro da melhor
janela de plantio;

5. Agricultura de precisão, que permite corrigir os solos no detalhe, minimizando as possíveis interações negativas entre as plantas e o solo, elevando a resposta e expressão das
plantas e possibilitando aumento de produtividade;

6. A adoção de práticas culturais como aumento da população de plantas e níveis equilibrados de nutrientes, que propiciem uma maior resposta e expressão genética dos híbridos modernos disponíveis no mercado.

Não há dúvidas de que a cultura do milho foi a que mais se desenvolveu tecnologicamente e obteve os maiores índices de resposta em produtividade nestes últimos anos. Porém, não podemos deixar correr o que já aconteceu no passado: ficarmos estagnados tecnicamente. Temos que continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, e aplicá-los.

Apesar do crescimento destes últimos anos, a média de produtividade ainda é baixa quando comparada com outros países líderes em tecnologia. Isso nos remete ao fato de que temos ainda um longo caminho pela frente.

A produtividade, considerada ainda baixa, tem como explicação o fato de que este crescimento tecnológico não está ocorrendo de maneira uniforme em todas as regiões. Ainda existem núcleos ou bolsões de maior tecnologia, mas ainda existem muitos núcleos ou regiões de baixa tecnologia. Então, temos que melhorar a média destas regiões de menor taxa de adoção, por meio de uma estrutura que leve suporte e informações úteis ao campo e, ao mesmo tempo, puxar as áreas de maior desenvolvimento com novas tecnologias e novos desafios.

Mas para quem não acreditava no Brasil como país agrícola, as respostas estão demonstradas nos crescentes e elevados volumes de produção alcançados nas últimas safras e importância do país no cenário mundial.​
Autor:
Claudio de Miranda Peixoto
Diretor de Marketing e Regulamentação da DuPont Pioneer
Fonte: