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Artigos

25/10/2013

Mais silagem de milho na safrinha

A produção total de leite no Brasil em 2012 alcançou 33,054 bilhões de litros, o que corresponde a um crescimento de 3% em relação ao ano anterior (32,091 bilhões de litros). A expectativa, segundo a Leite Brasil, é de que em 2013 o crescimento se mantenha em 3%, para 34,045 bilhões de litros. Com esse desempenho, o país deve assegurar a terceira posição do ranking mundial, atrás dos Estados Unidos e Índia.

O último dado disponível do Censo do IBGE, de 2005-2006, mostrava um número total de 1,35 milhão de produtores no país. Desse total, 930 mil comercializavam leite nos mercados formal e informal e 420 mil utilizavam o leite apenas para consumo próprio. Pesquisa realizada pelo MilkPoint e pela Associação Leite Brasil mostra que o país tem hoje cerca de 250 mil produtores de leite que comercializam a matéria-prima no mercado formal - isto é, com inspeção - e produzem, em média, 244 litros de leite/dia. A pesquisa mostra ainda que 82 mil pecuaristas produzem quase 80% do leite inspecionado no país.

O aumento do custo da mão de obra e do valor da terra no Brasil, principalmente a partir de 2006, são as principais razões para o número de produtores de leite recuar de forma expressiva nos últimos anos. Se não houver aumento de produtividade (litros/vaca ou litros/ha) o produtor forçosamente arrendará a terra, venderá a propriedade ou se dedicará a outra atividade agrícola, situações estimuladas pelo momento interessante que passa a cultura da soja.

De qualquer forma, todo o aumento de produção leiteira numa propriedade somente é alavancado pela maior produção e oferta de comida para o rebanho, em especial a silagem de milho.

Houve tempo em que a safrinha era uma cultura marginal. Aproveitava-se a adubação residual do plantio de verão e arriscava-se, sem maiores cuidados. Se o tempo ajudasse, com chuva no tempo certo e sem geada, a lavoura não se perdia e o pecuarista poderia ensilar o milho. O custo por tonelada produzida ultrapassava o das silagens de verão, mas poucos faziam as contas. Essa visão, porém, é coisa do passado. Devem ser plantados cerca de oito milhões de hectares de milho na próxima safrinha, indicando que, cada vez mais, uma boa parte da nossa silagem de milho será proveniente de uma segunda safra, seja em sucessão a cultura da soja ou, mais comum na região sul, em sucessão a uma primeira safra de milho.

Nos últimos anos houve grande avanço tecnológico no cultivo do milho safrinha. A área atual, em breve, será maior que a de verão e as produtividades cada vez mais próximas, possibilitando a produção de silagens com maior qualidade e menor custo de produção.

Na Tabela 1 temos custos médios de produção de duas lavouras de milho com produtividades de 25 e 40 t/ha de massa verde (MV) para silagem. A menor despesa com fertilizantes não é uma questão de redução de custos, mais sim da menor extração de nutrientes decorrente da produtividade mais baixa. Na escolha da semente comparou-se um produto de custo bem menor, mas certamente de menor capacidade produtiva e/ou defensividade agronômica, implicando em maiores riscos de perdas agronômicas. Nota-se que quanto mais produtiva for a lavoura menor será o custo de produção por tonelada. A silagem feita com o milho da lavoura de 40t/ha, na qual se investiu mais em insumos, custa quase 40% menos por tonelada que a do outro plantio, em que se gastou menos e se obteve menor produtividade. Além do menor custo, a lavoura de maior produção de MV/ha também produz mais grãos, que são a principal fonte de energia na silagem de milho.


Quanto a qualidade da silagem, o ponto de maturação do milho, que está ligado ao teor de matéria seca da planta, deve ser um dos fatores de maior atenção. O ideal é colher as plantas quando os grãos estão no estádio farináceo duro (matéria seca entre 32% e 38%), com cerca de 95% do potencial produtivo de grãos. Por isso a agilidade na colheita é fundamental para garantir a qualidade da silagem, principalmente na safrinha, quando a colheita tem de ser acelerada em razão do ciclo precoce do milho e do risco de perdas por doenças ou geadas.

O planejamento agronômico, porém, permite ampliar a janela de corte, combinando híbridos de ciclos diferentes e escalonando o plantio para que estejam no momento ideal de corte de modo sequenciado. Se a colheita for feita no momento certo, a qualidade da silagem dependerá da rapidez e eficiência das operações (corte, transporte e compactação).
Autor:
João Ricardo Alves Pereira
Fonte: