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Artigos

01/05/2004

O crescimento, as mudanças e os desafios do agronegócio

O agronegócio no Brasil

O agronegócio é hoje o maior negócio do Brasil, e o país marcha inevitavelmente para ser a maior potência agrícola do planeta. Somos o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, café, açúcar, tabaco, álcool, carne bovina e couro. Somos também o maior exportador mundial de soja e carne de frango, sendo o segundo produtor mundial de soja e terceiro de frango e de milho. O Brasil tem alta competitividade e destaque também na suinocultura, e na produção de celulose. O algodão mecanizado no Centro Oeste e as frutas irrigadas no Centro árido igualmente não param de crescer.

Hoje, o mundo inteiro reconhece e reverencia o nosso país quando o assunto é agropecuária. Todos querem investir aqui. A Pioneer, por exemplo, só nos últimos 5 anos, investiu mais de R$ 150 milhões em infraestrutura de produção e estações de pesquisa no Brasil.

O agronegócio brasileiro movimenta hoje 1/3 do PIB nacional ou aproximadamente R$ 450 bilhões, gera 37% dos empregos do país e responde por 44% das exportações brasileiras, rendendo por volta de US$ 30 bilhões ao ano. No ano passado, enquanto o PIB do país teve leve retração, o do agronegócio cresceu mais de 6,5%. (fonte: MAPA).

Nesse quadro de euforia e entusiasmo, porém, não podemos esquecer que a agricultura e os produtores rurais nem sempre foram tão bem vistos assim. Há 10 ou 15 anos o setor naufragava em dívidas, a frota de tratores e implementos estava sucateada e a erosão causada pelas freqüentes arações e gradeações assoreavam estradas, rios e mananciais.

Mas, afinal, o que mudou nesses últimos 10 a 15 anos?

As mudanças nesse setor vieram através de uma conjunção de fatores econômicos, políticos e tecnológicos, que discutiremos a seguir.

Fatores econômicos/políticos

  • O controle da inflação com certeza ajudou a tornar viável o negócio agrícola, pois em épocas de alta inflação, os índices usados para corrigir dívidas e insumos eram bem maiores que as correções dos produtos agrícolas. Era bem mais rentável aplicar dinheiro no banco do que plantar lavoura.
  • A mudança na política de crédito agrícola - o "fechar das torneiras do crédito oficial", se, por um lado, quebrou muitos produtores, por outro ajudou a profissionalizar a gestão da atividade, havendo então uma seleção em que só os melhores produtores conseguiram continuar.
  • A renegociação da dívida agrícola e o aumento do financiamento direto via traders e empresas de insumos, alavancados pelo surgimento das CPRs, trouxeram muito oxigênio para o setor produtivo.
  • O Moderfrota, com juros acessíveis, permitiu uma boa renovação do parque de tratores, implementos e colheitadeiras com reflexo direto na produtividade.

Fatores tecnológicos

A profissionalização da gestão nas propriedades, como única alternativa para se manter na atividade, gerou bons frutos. Milhares de filhos de produtores voltaram das faculdades formados em agronomia, veterinária ou administração. Muitos profissionais foram contratados para administrar fazendas ou dar assistência técnica. A EMBRAPA e órgãos estaduais de pesquisa geraram muitas tecnologias novas que passaram a ser adotadas mais rapidamente. empresas e produtores de ponta também trouxeram muitas contribuições técnicas. Vejam alguns resultados:

  • Nos últimos 13 anos, a área plantada com grãos no Brasil cresceu 25%, mas a produção cresceu 125%. Hoje plantamos menos área de milho que há 15 anos, mas colhemos mais do dobro que colhíamos então;
  • O Plantio Direto cobre hoje quase toda região Sul e boa parte do Centro Oeste e somos, sem dúvida, o país de maior know-how técnico no assunto;
  • Aprendemos a abrir o cerrado. O espírito empreendedor do agricultor brasileiro, aliado às técnicas desenvolvidas nas últimas décadas, permite que hoje se abra o cerrado plantando soja no primeiro ano, visando produtividades de mais de 40 sacas por hectare;
  • Temos os mais altos índices de eficiência e os menores custos na produção de frangos e suínos. Na pecuária de corte somos um dos países com maior índice de inseminação artificial. Nossos índices produtivos estão sempre aumentando.

Obstáculos a serem vencidos

Apesar de tudo, nem tudo é céu de brigadeiro à frente da agricultura brasileira. Muitas dificuldades e obstáculos ainda estão à nossa frente. Vejam alguns exemplos:

  • Infra-estrutura: Todos sabem, esse é o principal gargalo. Nossa safra anda de caminhão, por estradas esburacadas e repletas de atoleiros, enquanto a safra americana e argentina andam de barcos e trens. Nos USA existem 30 km de ferrovia por cada 1000 km²; no Brasil esse índice é de 3,4 km apenas (fonte: Agroconsult). Nossos portos são lentos e, muitas vezes, mal gerenciados.
  • Hoje, temos inúmeros projetos de ferrovias e hidrovias formando sistemas multimodais de transporte de grãos, mas que esbarram na falta de recursos e, às vezes, em polêmicas ambientais. Em muitas regiões, a capacidade de recebimento e armazenamento não acompanha o crescimento da área plantada e a modernização da frota de colheitadeiras.
  • Má gestão política de áreas cruciais para o agronegócio - Quando decisões políticas, ideológicas ou emocionais incidem em áreas cruciais para o agronegócio, os prejuízos são enormes. Dois exemplos recentes:
  • A polêmica do Porto Paranaguá, até essa safra, o maior porto exportador de grãos do Brasil; a decisão política de tornar o porto livre de trans-gênicos, somados a problemas técnicos de má administração portuária, geraram durante o mês de março, além das monstruosas filas de caminhões, prêmios negativos de até 140 pontos, ou seja, US$ 1,40 por bushel a menos, ou mais de US$ 2,00 a menos por saco de 60 kg no Paraná. Enquanto isso a soja transgênica americana no bem administrado porto do golfo do México tinha prêmio positivo de mais de 30 pontos. Assumindo-se que talvez metade do prêmio negativo fosse inevitável e a outra metade fruto da má gestão, o prejuízo do agronegócio do Paraná esse ano devido somente à má gestão do porto de Paranaguá é de mais de R$ 500 milhões.
  • A situação dos transgênicos com a discussão embebida em ideologias e politicagens, o Brasil é hoje o único país agrícola do mundo em que não está autorizada a comercialização de sementes geneticamente modificadas. Se o plantio de transgênicos estivesse ocorrendo no Brasil nas mesmas taxas dos USA ou da Argentina, os produtores brasileiros estariam economizando anualmente mais de R$ 1,5 bilhão por ano em defensivos agrícolas e óleo diesel.
  • Excessos de impostos aqui, excessos de subsídios lá - O Brasil ainda é hoje um dos países com a maior carga de impostos diretos e indiretos na atividade agrícola. Agora mesmo, o aumento de PIS e COFINS irão aumentar o custo de uma série de insumos agrícolas. Enquanto isso, USA, Europa e Japão cobrem seus produtores de subsídios e regras protecionistas, impedindo uma entrada mais agressiva nesses mercados dos competitivos agroprodutos brasileiros;
  • Mecanismos de proteção financeira - Ainda falta no Brasil um seguro agrícola amplo, acessível e abrangente que possa dar mais estabilidade e segurança à atividade agropecuária. Ainda precisamos de um maior volume de vendas futuras e outras operações de travamento e fixação de preços.
  • MST - Enquanto a necessidade de reforma agrária no Brasil é indiscutível, os métodos do MST de fazer a reforma na marra, com certeza trazem e continuarão trazendo muita instabilidade a certas regiões do país.

Como vimos, os nossos produtores evoluíram muito nos últimos anos e a nossa agropecuária vive um excelente momento, embora restem muitos obstáculos à nossa frente. Para continuarmos progredindo, a classe produtora precisará estar cada vez mais fortemente representada, tanto por suas associações como por seus políticos. As melhorias no setor serão tão melhores quanto soubermos escolher, acompanhar e cobrar aqueles que representam o setor.​

Fonte: