Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

10/04/2014

Sistema integrado de soja precoce e milho safrinha

Iniciamos mais uma safra no Brasil, que promete ser a maior da história do país. No estado do Mato Grosso que, em 2012/13, foi o maior produtor de soja e milho do Brasil, os produtores vivem grandes expectativas com a safra. Ano após ano ocorre a incorporação de novas áreas na agricultura, isso sem desmatar florestas, somente pela conversão de pastagens degradadas ao sistema. Consequentemente, nas áreas mais antigas da propriedade ocorre a migração para o uso de soja precoce, possibilitando a utilização dessas áreas para o plantio de milho safrinha. Essa combinação de sucessão soja-milho já é uma realidade no Brasil, o que tem viabilizado economicamente várias propriedades que adotam esse sistema. Mas para que isso se torne possível e economicamente viável, é obrigatório o uso de cultivares de soja de ciclo mais curto, a fim de que o milho safrinha seja imediatamente plantado após a colheita desta e, assim, consiga florescer e encher grãos com condições climáticas favoráveis, principalmente chuva e temperatura adequadas.

Porém, o que tem levado os agricultores a usar cada vez mais a soja precoce e, assim, aumentar as áreas de milho safrinha no Brasil? São vários os fatores, mas o principal é que, nos últimos cinco anos os produtores estão obtendo lucratividade com esta sucessão de culturas, em especial pela diluição dos custos fixos da propriedade em duas safras. Além da otimização do solo, das máquinas e mão de obra da propriedade, a soja precoce é colhida em uma época de mercado aquecido e com preços melhores do que os obtidos no auge do período de colheita.

Na realidade, deve-se pensar nas duas culturas o tempo todo. Por exemplo, para a escolha do herbicida na soja devemos evitar aqueles que tenham residuais acima de 60 dias, pois os mesmos podem ocasionar comprometimento do sistema radicular do milho. Mesmo não apresentando problemas visuais (fitotoxicidade oculta), alguns herbicidas reduzem o potencial produtivo do milho safrinha. O fato é que as últimas safrinhas foram de altas produtividades e estas coincidiram com o grande crescimento de soja precoce resistente ao glifosato, produto que não deixa residual no solo, propiciando ao milho um ambiente livre de fitotoxicidade. Este fator, aliado às atuais cultivares de soja precoce que estão no mercado, que são altamente produtivas, ou seja, os materiais apresentam menores ciclos, porém mantêm o mesmo potencial de cultivares mais tardias, possibilita a realização das duas safras "cheias" na mesma estação.

Há alguns anos, o uso de cultivares de soja precoce era considerado de alto risco. Porém, hoje em dia, o risco é muito maior com cultivares tardias, pois sofrem maior pressão de pragas e doenças. Por falar nisso, temos alguns pontos importantes a descrever. Devido ao menor ciclo das cultivares precoces, temos também menor risco relacionado aos nematoides, à Ferrugem Asiática da soja e às demais doenças foliares, ou seja, a pressão dessas doenças não irá atingir níveis tão altos quando comparados ao cultivo de soja de ciclos mais tardios. No caso específico dos nematoides, a população final na próxima safra também será menor. Ainda, o ataque de lagartas e percevejos é também maior nas cultivares de maior ciclo (tardias).

Os fatos acima mostram que o agricultor acaba se beneficiando com menos pulverizações com inseticidas e fungicidas, diminuindo assim o custo da lavoura, aliado ao menor risco.

A adubação deve ser condizente com estas variedades, pois pelo menor ciclo são bastante exigentes e possuem pouco tempo para absorção, metabolização e transformação dos fotoassimilados em grãos. Existe ainda uma complementaridade na exigência nutricional entre soja e milho. Enquanto a soja deixa resíduos de nitrogênio ao milho, este possui um sistema radicular mais eficiente para a absorção de fósforo. Neste dueto soja/milho safrinha temos que priorizar os melhores e mais antigos talhões da propriedade, em função de suprir a necessidade dos nutrientes num curto espaço de tempo e não podemos nos esquecer da importância da distribuição das chuvas.

Até meados da década de 90, a Safrinha ocupava pouco mais de 10% da produção total de milho do Brasil. Porém, atualmente, quase 50% da produção brasileira de milho é proveniente da Safrinha e a sua produtividade, segundo a CONAB, tem ficado em torno de 5.130 kg/ha, que é muito semelhante à média da produtividade do milho verão. Esta sucessão soja-milho é uma realidade crescente nos estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Sudoeste de Goiás, além de estar se expandindo para outras regiões do Brasil. Nos últimos 10 anos, a DuPont Pioneer intensificou seus investimentos em melhoramento genético, onde a associação dos diferentes traits com a genética de ponta, possibilitou desenvolver híbridos de milho estáveis e muito mais produtivos para o sistema de Safrinha.

No Mato Grosso é comum produtores colherem de 59 a 62 sacos de soja com materiais precoces como a 98Y12, 98Y11 ou 98Y30 e ainda plantar milho nestes mesmos talhões, colhendo acima de 140 sacas (Ex.: 30F35YH, 30F53YH e 30S31YH). Da mesma forma em Goiás, com a 97R21 produzindo mais de 60 sacas, e os híbridos P3646H, 30S31H e 30F53YH com altíssima performance na mesma área.

Também, com relação ao milho safrinha, temos que lembrar que a maioria dos produtores do Cerrado inicia o plantio no final de janeiro e este continua, praticamente, durante todo o mês de fevereiro. Neste período precisamos compreender as características deste plantio. Para tanto, o plantio é dividido em: plantio do cedo, iniciando em janeiro até 10 de fevereiro; plantio normal, de 11 a 25 de fevereiro; e plantio do tarde, de 26 de fevereiro a início de março.

Para o primeiro plantio, no qual temos uma abundância de chuvas e, frequentemente, alta pressão de doenças foliares como a Ferrugem Polissora, E. turcicum, Mancha de Cercospora nas terras altas (acima de 700 metros) e, em alguns casos, alta pressão de doenças de grãos, temos que optar por materiais de alta produtividade, pois a época é nobre, mesmo apresentando alta pressão dessas doenças, as quais são perfeitamente controladas com o uso de fungicidas, melhorando a performance de híbridos mais sensíveis.

No plantio intermediário de fevereiro, também uma época nobre na Safrinha, recomenda-se optar por materiais de alto potencial e já com tolerância a uma possível falta de água na floração. Temos, nesta época, menor presença de doenças foliares como a Ferrugem Polissora, porém em regiões de altitude acima de 800 metros já começamos a ter forte pressão de Mancha Branca e Mancha de Cercospora.

Para o plantio de final de fevereiro, no qual a pressão de doenças normalmente é menor, temos um fator restritivo chamado seca. Nesta situação, a preferência é por híbridos com uma característica de tolerância maior ao estresse hídrico e enchimento de grãos da espiga.

Para cada época de plantio e região temos recomendações de híbridos e populações diferenciadas, aliado ao melhor manejo de doenças e pragas. Isto se chama Sistema de Combinação de Híbridos existente desde 1997, onde os híbridos utilizados são escolhidos segundo suas características em conformidade com o ambiente de cultivo, visando ter sempre boa produtividade média, diluindo riscos, principalmente em ambientes de maiores desafios como são os de Safrinha.
 
Autor:
Tiago Vieira de Camargo e Marcelo Cardoso Moraes
Fonte: