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Artigos

15/04/2014

Adubação antecipada e a lanço no milho Safrinha

Safrinha tem crescido exponencialmente em todas as regiões do Brasil. Regiões onde tradicionalmente só se plantava milho no verão, hoje já se veem áreas com o cultivo do milho safrinha. Em 2012, a área de milho safrinha superou a área de milho verão (Figura 1). O sucesso do casamento entre soja precoce e milho safrinha foi tão grande que os agricultores norte-americanos estão tentando esta adoção nas regiões onde o frio não é tão intenso.


Quando falamos em adubação antecipada e a lanço, temos sempre que ter em mente o operacional x o técnico. Quem planta Safrinha sabe que quanto mais rápido ou quanto mais conseguir plantar na época ideal o milho, ou seja, quanto mais cedo for o plantio, maior será seu potencial produtivo. Por isso, às vezes, ignoram-se os fatores técnicos para atender os fatores operacionais, comprometendo a produtividade.

Outro fator que acelerou o processo de adubação a lanço foram as desvantagens da utilização de adubo na linha, principalmente com fertilizantes potássicos, sendo estes os principais responsáveis pela redução de produtividade causada pelo efeito salino e provocando danos ao sistema radicular das plantas. Podemos ver casos extremos na Figura 2. O fertilizante formulado 02-20-18 na quantidade de 420 kg/ha foi suficiente para "matar" algumas plântulas quando as sementes foram colocadas próximas ao adubo sob uma condição de seca. Este fator colabora para que alguns produtores retirem o adubo da linha e o apliquem a lanço.



No Brasil Central, hoje, acreditamos que pelos menos 10% da adubação da soja e do milho safrinha com fósforo e potássio são feitas no mesmo momento e alguns dias antes do plantio da soja, só restando a adubação nitrogenada no milho safrinha que, às vezes, é feita na fase final da soja. Já no caso da adubação a lanço estima-se que mais de 35% das áreas de Safrinha no Brasil Central já fazem este sistema e o processo é crescente. Novas semeadeiras /plantadeiras de grande porte não possuem depósito de fertilizante, Figura 3.



Este é o exemplo mais extremo que temos visto e a pergunta é: funciona?

A DuPont Pioneer avaliou por dois anos todo o processo de antecipação e aplicação de fertilizantes no sistema soja precoce e milho safrinha, onde se observou sucessos e insucessos. Esta publicação visa alertar a respeito dos parâmetros que devem ser observados para adotarmos tal estratégia e para que se consiga ter o melhor rendimento produtivo, operacional e sem comprometer os limites técnicos das propriedades e das culturas.

A técnica de adubação a lanço e antecipada se mostrou eficiente quando o agricultor possuía algumas características em suas áreas, tais como:

1- Bons teores de fósforo no solo.

Como sabemos, este fato é muito importante na aplicação a lanço de fertilizantes fosfatados. O nível deve ser de bom a alto para o cultivo no verão, porém, na Safrinha, verificamos boas condições para níveis menores de fósforo do solo. Este fator só é justificável pela maior disponibilidade de água nas fases em que as culturas de Safrinha como o milho definem produtividade em uma condição normalmente de água abundante, ou seja, próximo à fase fenológica V4 (quarta folha desenvolvida), onde está a maior abundância de água, que torna o fósforo mais disponível para as plantas.

Para os valores mínimos de fósforo no solo, mencionamos a Tabela 1.

2- Ausência de nematoides ou baixas populações dos mesmos.

Para que se possa aproveitar bem os fertilizantes distribuídos antecipadamente e, principalmente, a lanço, o sistema radicular deverá estar desimpedido de compactação de solo e nematoides. A soja neste sistema de adubação a lanço, apresenta um desenvolvimento inicial da parte aérea um pouco mais lento. Se porventura no solo estiverem presentes nematoides em quantidade suficiente para causar dano ao mesmo, a produtividade será comprometida. Para a adoção destes dois procedimentos, não podemos ter na área presença de compactação de solo e/ou nematoides.

3- Solos com bons teores de matéria orgânica, maior ou igual a 2,5% (25 g/kg). A presença de bons níveis de matéria orgânica nestes solos implica em maior "proteção" do fertilizante aplicado a lanço e também indica bons níveis de fertilizantes no solo. Não só isso, mas também uma melhor retenção de umidade, pois o fertilizante aplicado em superfície estará mais à mercê das chuvas para seu aproveitamento e eficiência. Pode ocorrer a perda de eficiência, ou
em casos mais graves, até mesmo contaminação do ambiente.

4- Equipamento adequado para aplicação. Sem dúvida, este é um dos fatores que mais pode levar esta tecnologia ao fracasso. Em estudos de calibração de equipamentos de aplicação de fertilizantes sólidos em superfície, verificou-se que o espaçamento desejado para esses aplicadores é o mesmo dos pulverizadores automotivos, com variação de 21 a 30 metros, podendo assim utilizar o mesmo rastro para aplicação do fertilizante de cobertura ou mesmo do fertilizante antecipado do milho safrinha na soja já encerrando o ciclo. Contudo, este espaçamento é bem diferente quando se usa equipamentos nacionais. Temos visto que a grande maioria dos equipamentos consegue uma boa distribuição de fertilizantes sólidos até 14 metros, pois acima desta distância o erro de distribuição, chamado de coeficiente de variação, torna-se muito alto, comprometendo a eficiência desta prática. É necessária a calibração do equipamento para sabermos se o mesmo é eficiente para usarmos a faixa de aplicação desejada. Toda vez que mudar o fertilizante, deve-se calibrar o aplicador novamente. A utilização de mistura de grânulos tem mostrado ser um problema na aplicação pois, devido a diferentes densidades, o fertilizante é aplicado de forma desuniforme. Para isso o agricultor tem duas alternativas, ou usa um elemento de cada vez, por exemplo o superfosfato simples, e depois o cloreto de potássio, ou usa produtos com P e K no mesmo grânulo.
 

Tipos de fertilizantes aplicados a lanço ou antecipados

No caso de fertilizantes, muito tem-se usado como fonte de fósforo o DAP (Diamônio fosforado), MAP (Monoamônio fosforado) e superfosfato Simples. Com todos se obtém boa performance e eficiência para aplicação a lanço e antecipada.
 
Para o potássio, o fertilizante mais utilizado é o cloreto de potássio, com ótima eficiência. No entanto, cuidados têm de ser tomados em solos com teores de argila menores de 15% (150 g/kg) e baixos valores de matéria orgânica, pois o mesmo poderá ser perdido por lixiviação.
 
Para o nitrogênio a lanço e antecipado, no caso do milho principalmente, é que devemos ter mais critério. A maior parte do adubo nitrogenado utilizado no milho continua sendo a ureia. Quando utilizamos a ureia na aplicação antecipada e a lanço, muitas vezes, na soja, visando o milho safrinha, o clima está extremamente favorável, normalmente no final de dezembro e janeiro, ou seja, onde a temperatura amena e a precipitação fazem com que a ureia tenha ótima eficiência.

Quando tratamos de aplicação antecipada em milho verão, normalmente esta aplicação é feita algumas semanas antes do plantio do milho, e a utilização de ureia deverá ser incorporada. Muitas vezes utiliza-se a própria plantadeira para esta operação ou ainda, alguns agricultores optam pela utilização de ureias protegidas. Estas ureias protegidas, se comparadas com as ureias normais incorporadas, apresentam basicamente a mesma eficiência. Por isso não devemos reduzir a quantidade da mesma em função de contar com uma possível ineficiência da ureia normal, pois as perdas por volatilização basicamente só ocorrerão se a mesma for aplicada em superfície. Perdas por lixiviação da ureia em solos com teores de argila iguais ou maiores que 30% (300 g/kg) são muito difíceis de ocorrer nos Cerrados nos cultivos de verão, pois normalmente a precipitação não é intensa nos meses de outubro e novembro. Outro fato é que nos solos de Cerrado utilizamos uma saturação de bases ao redor de 60%, ou seja, ainda possuímos bastante hidrogênio neste solo que confere acidez suficiente para transformar o nitrogênio no solo na forma de amônio, que é mais estável.

Devido a essas características da ureia, alguns agricultores optam por aplicação de fertilizantes nitrogenados como o nitrato de amônio ou mesmo sulfato de amônio, neste caso já optando em suprir o solo de enxofre, visto as dificuldades de se obter gesso ultimamente. A utilização desses dois produtos é extremamente eficiente e segura no campo.

Quanto à época de aplicação, muitos foram os questionamentos quanto a essa antecipação do nitrogenado, sendo, em alguns casos, várias semanas antes do plantio do milho. O que temos visto é que no sistema de plantio direto que temos no Brasil, mesmo com teores de matéria orgânica por volta de 2,5%, esta matéria orgânica é suficiente para "reter" este nitrogênio e deixá-lo disponível para o milho, principalmente, nas fases que o mesmo define produtividade, que seria o V4 (quando o milho apresenta 4 folhas totalmente abertas). Este período varia de 18 a 25 dias de acordo com a região do Cerrado.

A quantidade de nitrogênio para a cultura do milho, quando falamos em aplicação antecipada e a lanço, é a mesma e visa atender a demanda desta cultura.

Nos levantamentos feitos pela DuPont Pioneer verificamos que, para a condição de milho verão, para produzirmos uma saca de 60 kg de grãos gastamos de 0,8 a 1,1 kg de nitrogênio por hectare. Este valor varia de acordo com a cultura antecessora. Se temos nos 2 anos anteriores ao milho a soja, podemos utilizar 0,8 a 1,0 kg de N/Saco de grãos de milho, se temos um milho plantado em palhada de sorgo, por exemplo, devemos utilizar 1,1 a 1,2 kg de N/saco produzido.

Exemplo: se temos duas áreas e iremos plantar milho de verão, e se, uma área tinha soja no ano anterior e a outra sorgo safrinha e deseja-se colher 200 sacos de milho por hectare nas duas áreas, a conta será a seguinte:

- Área que foi soja na safra passada: 200 sacos x 0,8 kg de N/ha = 160 kg de nitrogênio/ha

- Área onde foi sorgo na safrinha anterior: 200 sacos x 1,1 kg de N/ha = 220 kg de nitrogênio/ha

Obviamente, quanto mais cedo e de forma mais eficiente o agricultor utilizar este nitrogênio, maior a chance de se atingir a estimativa de 200 sacos de milho/ha.

Já, para a situação de Safrinha temos um consumo médio de 0,4 a 0,6 kg de nitrogênio para a produção de uma saca de 60 kg de milho. Esta variação leva em conta o plantio de milho safrinha após a soja precoce. A grande variação neste caso é basicamente devido a dois motivos: o primeiro é quanto à época de plantio de Safrinha no Brasil Central - Figura 4. Quando o milho é plantado entre o final de janeiro e até meados de fevereiro obtém-se a melhor eficiência do uso do nitrogenado. E o segundo fator, sem dúvida, é quanto ao que foi colhido da soja anterior. Trabalhos americanos comprovam que a soja tem capacidade de deixar 1 kg de nitrogênio para cada saco de soja produzido, até 45 sacos/ha, ou seja, quanto mais soja for produzida, e se o milho safrinha for plantado de 25 de janeiro a 14 de fevereiro, menor será o consumo de nitrogênio mineral necessário para produzir cada saco de milho.
 

Desta forma, a conta da necessidade de nitrogênio para a produção de milho safrinha seria a seguinte:

- Na cultura anterior, a soja precoce, com produtividade de 58 sacos/ha, forneceria nitrogênio suficiente para a produção de, pelo menos, 45 sacos de milho/ha, considerando-se o plantio na época ideal e com a precipitação necessária.

Se o produtor pretende colher 130 sacos de milho safrinha = 130 x 0,5 kg de N/saco = 75 kg de N/ha que deve ser aplicado e já existem 45 kg de nitrogênio oriundo dos 58 sacos de soja produzidos. Sabemos que existe uma tendência muito forte dos agricultores do Brasil de cultivarem duas culturas no ano e os resultados que temos visto têm comprovado o sucesso desta operação nas mais diversas regiões do Brasil. Quando se pensa nas duas safras, o fator eficiência deve ser levado em consideração, mas sem abandono da parte técnica. Por isto, recomenda-se que os agricultores que forem para este caminho, que façam isto de modo gradativo, aprendendo com o sistema antes de adoção total da área. As grandes frustrações que temos observado, na maioria das vezes, não estão em relação ao manejo de fertilização antecipada ou a lanço e, sim, à adequação do agricultor para adoção destes processos.

Autor:
André Aguirre Ramos
Fonte: