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Artigos

17/04/2014

Brasil, um gigante da agricultura

O mundo vive ou não uma crise econômica? Para onde vai o mercado de grãos e alimentos no mundo? Estas são perguntas que todos estão fazendo. Parece que o momento é confuso e de indecisão. O mundo vive, sim, uma crise às voltas com o crescimento econômico e dos mercados de manufatura, que sofreu com um tranco quando houve o estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos em 2008. A economia mundial continuará crescendo, mas a passos lentos. Estima-se que, na média, o mundo crescerá em torno de 2,5% a 3,5% ao ano, obviamente que alguns países da Ásia terão crescimento acima desta média. O crescimento econômico mundial interfere sensivelmente no mercado e consumo de alimentos. Outro fenômeno que interfere fortemente no consumo e produção de alimentos, e continua acontecendo, principalmente, nos países asiáticos, é a saída das famílias que deixam o trabalho no campo e vão trabalhar nas indústrias de manufaturas e morar nas cidades. Estima-se que na China, cerca de 2.000 pessoas por hora deixam o campo para viver nos projetos de urbanização e trabalhar nas indústrias chinesas. Isto, com certeza, incentivará o consumo de mais alimentos e alimentos mais elaborados e, por consequência, os campos, antes cultivados por técnicas rudimentares de agricultura, passarão a ser cultivados por uma agricultura com tecnologia e mecanizada.

O consumo de alimentos seguirá com crescimentos estáveis. Carnes em geral seguirão com índices médios positivos em torno de 0,6% ao ano e as commodities milho e soja, que fazem a base da alimentação proteica e energética no mundo, terão crescimento da ordem de 4% em nível mundial. As grandes mudanças no consumo de grãos podem vir da matriz energética que tende aumentar a demanda mundial por biocombustível. Apesar do ritmo estável, os Estados Unidos seguirão firmes na política e produção de etanol, buscando melhor harmonização de custos e redução de emissão de gases mais poluidores ao meio ambiente. O Brasil poderá entrar na produção de etanol de milho nos próximos anos por motivos diferentes aos dos Estados Unidos. O motivo pode ser o excedente na produção de milho. A alta aptidão do Brasil para produzir soja e milho, expansão de terras, incremento da tecnologia e aumento da estratégia do agricultor em realizar duas safras ao ano(safra e safrinha) têm proporcionado ao Brasil bater recordes de produção de grãos, ano após ano. Para os próximos dois anos prevê-se crescimento da Safrinha mesmo com os preços da commodity de milho em baixa, pois, a oportunidade de cultivar a terra por duas vezes ao ano, diluir custos, aumentar fluxo de caixa e aproveitar melhor os recursos financeiros e naturais são fatores que estão levando os agricultores com médias altas de produtividade a produzirem, em um único ano, cerca de 11.500 kg de cereal em um único hectare. Quando somamos a colheita de soja e milho, como vantagem básica deste sistema de duas colheitas por ano, encontramos a razão do agricultor em diversificar as culturas e reduzir os riscos.

O Brasil deve estar caminhando para mais um recorde de produtividade de grãos na safra 2013/14. Estima-se que colheremos cerca de 79,6 milhões de toneladas de milho para este ciclo, o que representa a sensível redução de 1,7% no volume deste grão. A maior redução deve vir das áreas que estão sendo plantadas nos próximos meses. Estima-se que a queda no plantio da área de verão será em torno de 10%. Também é possível prever sensível redução na produtividade, pois, a maioria dos agricultores que optou por deixar de plantar milho para plantar soja agora no verão, são geralmente agricultores que mais utilizam tecnologia e têm a intenção de fazer sua segunda safra com milho. A Safrinha segue em sua maioria ainda indefinida. Os preços de milho em algumas regiões apresentam reação lenta, o que leva a muitas incertezas quanto ao tamanho de área que o agricultor irá semear com milho na segunda safra após a colheita da soja. É certo que em função do cenário de ofertas do milho no mercado internacional, e com as informações muitas vezes duvidosas quanto ao volume do estoque mundial de milho, os preços deverão atingir níveis de estabilidade razoáveis ao limite da remuneração justa. Mas, o agricultor deve ter a consciência de que, dificilmente, no curto prazo verá preços similares ao que ocorreram no ano passado. No entanto, os preços abaixo do que vimos este ano no estado do Mato Grosso também erão bem improváveis de acontecer novamente. Acredita-se que, em termos de preços de milho, o Brasil já passou pelo seu pior momento. As exportações acima de 17 milhões de toneladas foram fundamentais para a recuperação dos preços desta commodity e estima-se que, até o final do ano, o Brasil possa ultrapassar a barreira de 20 milhões de toneladas em exportações para este cereal.

Diante de todo este cenário, a Safrinha brasileira possivelmente deve ser igual ou pouco menor que a do ano anterior. Muita coisa ainda tem para acontecer, mas uma delas parece já estar bem encaminhada. A safrinha de algodão adensado deve crescer e tomará espaço da Safrinha de milho em, pelo menos, 200 mil hectares no Mato Grosso.

A soja é a principal espécie vegetal a ser cultivada na agricultura brasileira. A liquidez e a estabilidade de preços para esta oleaginosa nesta safra e também nas safras anteriores incentiva o agricultor a ampliar suas áreas de plantio com esta cultura. Suas alternativas para crescimento de área plantada têm sido a substituição do milho, algodão e buscar novas áreas para plantio. As mais visadas são as áreas ocupadas com pastagens degradadas. A área a ser plantada de soja na safra 2013/14 deve atingir a marca dos 29,0 milhões de hectares, 5 a 6% maior que o ano anterior, ou seja, será um novo recorde para a ocupação das áreas agrícolas com soja. A produtividade deve ficar estável ou com sensível decréscimo em função de muitas áreas cultivadas serem degradadas ou novas para plantio. Estima-se que o Brasil deverá colher em torno de 88,2 milhões de toneladas de soja.

A agricultura brasileira será provavelmente a maior do mundo, é apenas uma questão de tempo.

Somente para termos uma ideia, hoje a área plantada no Brasil está em torno de 55 milhões de hectares em culturas anuais. Estima-se que o Brasil ainda tenha potencial de plantar mais que 65 milhões de hectares, simplesmente mais que o dobro do tamanho da área atual plantada. Mas, teremos uma longa jornada pela frente para estruturar e suportar a produção agrícola brasileira. As questões de infraestrutura podem ser um gargalo na logística de escoamento e comercialização dos produtos agrícolas, como é de conhecimento de todos. O nosso país tem tamanho continental e serão necessários pesados investimentos em estradas, portos, ferrovias e armazenagem. A quebra de paradigma também se faz necessário. O Brasil poderá, no futuro, produzir mais álcool de milho a preços viáveis do que a própria cana-de-açúcar. O Brasil será um "player" na exportação de milho mais importante que a Argentina. Este paradigma parece que já está muito perto de se desfazer, a contar pelos dois últimos anos de exportação de milho. O Brasil agrícola é um Gigante Acordado, capaz de capturar as oportunidades que surgem à sua frente e capaz de empurrar para frente o desenvolvimento de todo resto da cadeia de consumo.

Autor:
Cassio Kirchner
Fonte: