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Artigos

24/04/2014

Em um futuro próximo, a sua lavoura poderá ter um robô voador



A população mundial continua crescendo e deve aumentar 34% até 2050. O número de pessoas aumenta continuamente e alimentar o mundo é uma tarefa difícil. Para os produtores rurais, sobra o desafio de aumentar a produção de alimentos em 70% até a metade deste século. Além das constantes melhorias genéticas e evolução das técnicas de plantio necessárias, a agricultura de precisão surge como uma nova fronteira para trazer melhorias para o campo.

Monitorar condições climáticas, ajudar na identificação de pragas e doenças, verificar histórico de crescimento, nutrição e qualidade das plantas ou do solo e até uma estimativa de resultados de produtividade dividido em zonas de manejo, baseadas em diferentes potenciais produtividades. Estas e tantas outras informações que não eram coletadas por falta de ferramentas, hoje estão cada vez mais próximas do produtor. Este é o objetivo das empresas de tecnologia agrícola. Já existem tecnologias que são capazes de monitorar 24 horas por dia cada metro quadrado de uma fazenda. Então, por que não utilizá-las?

Entre as várias tecnologias existentes, uma das que mais tem chamado atenção, possivelmente por sua excentricidade, são os veículos aéreos não tripulados (da sigla em inglês UAV, Unmanned Aerial Vehicle), também são chamados de "drones". Para explicar: um robô que voa sozinho colhendo informações ou realizando tarefas que antes pertenciam a grandes tratores ou aviões, pode facilmente ser confundido com um OVNI (Objeto Voador Não Identificado), principalmente se ele estiver trabalhando no meio da madrugada sem, nem mesmo, precisar de alguém para acompanhá-lo.

Utilizado principalmente por propósitos militares, os UAVs são usados para transportar armas, monitorar áreas de combate e fazer reconhecimento de terreno. Mas, a popularização desta tecnologia e seu enorme potencial trouxe novo campo de atuação para estes veículos, a agricultura. Alguns projetos experimentais já estão sendo realizados e começam a surgir as primeiras apostas comerciais de uso desta ferramenta na agricultura. Apesar de ainda em fase de testes, o uso desta tecnologia em várias outras áreas começa a chamar a atenção das lideranças, que precisam regulamentar o uso civil deste tipo de tecnologia dentro do perímetro urbano. Isto porque alguns projetos destas naves incluem o uso para monitoramento de segurança e trabalho de delivery.

Entre os principais benefícios destes pequenos robôs para a agricultura está o monitoramento diário, através de fotografias, da plantação que podem ser em alta resolução. As imagens podem ser usadas para identificar automaticamente focos de doenças em meio à plantação de algumas culturas como, por exemplo, encontrar reboleiras causadas pelo ataque de nematoides, que são mais difíceis de ser identificadas através do monitoramento convencional, principalmente no início da ocorrência. Estas imagens também podem ser usadaspara visualizar o histórico de crescimento e vigor das plantas ou, até mesmo, para observação através de diferentes sensores, que podem identificar a quantidade de fotossíntese que cada planta está fazendo. Com a ajuda de alguns equipamentos acoplados à câmera é possível criar um mapa 3D da sua lavoura, útil para terrenos que tenham elevações ou diferentes níveis. Alguns modelos de UAV possuem diferentes sensores, que podem identificar a quantidade de luz e umidade, construíndo um mapa da lavoura e permitindo a identificação de qualquer desuniformidade de uma destas características que podem afetar a produtividade de algum setor da fazenda. Uma foto também pode identificar diferenças de temperatura, de forma que, em terrenos desnivelados, é possível identificar a quantidade de calor e luz captadas pela planta.

É importante salientar que todos os processos realizados por esta máquina podem ser controlados manualmente e, para algumas funções, através de programação de horário. Por exemplo, todo dia, às 7 horas da manhã, o drone, como pode ser chamado o aparelho, levanta voo com ajuda do operador, faz o reconhecimento de determinado setor e volta para descarregar as informações, automaticamente. Este voo depende da força do vento: caso esteja muito forte, ele aborta sozinho. aso seja uma área pequena ou uma propriedade com vários aparelhos, qualquer uma das informações citadas poderá ser colhida de hora em hora, dando uma introspecção muito mais complexa sobre cada centímetro quadrado da plantação.

A tecnologia é uma ferramenta importante para a agricultura de precisão e deverá ser usada como tal, de forma que funcionará ainda melhor em conjunto com maquinário avançado que colete outros dados e informações na hora de plantar e  colher. Novas ferramentas são fundamentais para conhecer melhor a terra, as culturas e o ambiente, já que em grandes propriedades é comum o reconhecimento através de amostragem, que nem sempre reflete a situação real daquele local. Portanto, o trabalho com criação de mapas através de fotos aéreas ajuda na identificação de várias características e particularidades de áreas específicas.

Estamos falando de uma tecnologia experimental, que ainda busca aplicações práticas e benefícios que pode trazer para o produtor. Importante falar também do aspecto financeiro,visto que, apesar de o preço da tecnologia ter baixado bruscamente nos últimos anos, ainda se trata de uma tecnologia cara, em especial no Brasil, onde ainda há poucas empresas investindo neste ramo.

Nos EUA, alguns modelos de UAV são comercializados a partir de US$ 2.500 e podem ultrapassar os US$ 15.000, dependendo das funções encontradas em cada aparelho. Dependendo do tamanho da propriedade, pode ser necessário o uso de mais aparelhos trabalhando em sincronia, o que torna a brincadeira mais cara. Outro possível problema, dependendo da função a ser utilizada, é o tempo que pode ficar no ar, visto que alguns modelos de UAV têm baixa autonomia de voo, o que demanda cargas frequentes, baterias maiores ou uso de combustível tradicional. Na medida em que ferramentas assim se tornarem mais populares e acessíveis, os preços deverão diminuir e a tecnologia agregar novas funcionalidades.

É muito bom perceber que as novas tecnologias, na maioria das vezes desenvolvidas para outros fins, estão sendo aplicadas (ou está se buscando a aplicação) na agricultura. Na prática, muito provavelmente, os UAV's serão utilizados, primeiro por instituições de pesquisa e empresas para a identificação de particularidades no desenvolvimento de um híbrido ou cultivar ou na progressão de uma doença ou praga dependendo das condições climáticas, uma vez que os UAV's funcionam também como miniestações meteorológicas e podem captar dados de precipitação, temperatura e umidade. Somente aí os produtores já terão grande vantagem, uma vez que possuirão mais conhecimento sobre as particularidades das culturas plantadas.

A partir daí, o próximo passo é ter o seu próprio robô na fazenda.​
Autor:
Dennis Altermann e Pellisson Kaminski
Fonte: