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Artigos

12/12/2014

Sistema de plantio em linhas pareadas (linhas gêmeas)

A produtividade do milho por área tem aumentado significativamente nos últimos anos, incremento atribuído à adoção de manejos mais intensificados, novos híbridos com genética superior, introdução de biotecnologias (Bt) e novas tecnologias de plantio. Dentre estes podemos citar a redução da velocidade de plantio, o que possibilita uma melhor distribuição das sementes na linha de plantio, o uso de semeadoras com sistema de distribuição a vácuo e a utilização de espaçamento entre as linhas de plantio que possibilitem a melhor distribuição das plantas na lavoura.
 
O espaçamento entre linhas de plantio é um assunto muito discutido pelos produtores e que, atualmente, tem ganhado maior importância em vista das altas produtividades obtidas e a otimização do maquinário na propriedade, principalmente no que se refere ao trabalho de montagem e configuração das linhas na semeadora, uma vez que esta atividade é trabalhosa e demorada. Tem-se observado que a utilização de espaçamentos reduzidos se intensificou nos últimos anos como forma de otimizar o maquinário e melhorar a distribuição de plantas. Além disso, novas tecnologias de plantio foram desenvolvidas na busca de incrementos de produtividade, dentre estas, podemos citar o plantio em linhas pareadas ou gêmeas (em inglês, twin row).
 
O conceito de plantio em linhas pareadas, assim como o próprio nome diz, é o plantio de duas linhas próximas com espaçamento reduzido e afastadas das próximas duas linhas por um espaçamento maior, ou seja, plantio de duas linhas pareadas próximas uma da outra. O objetivo disto é melhorar a distribuição das plantas na área, evitando-se a competição intraespecífica, ter uma melhor interceptação da luz, maior espaço para o desenvolvimento foliar, radicular e melhor absorção de água e nutrientes.
 
O plantio de linhas pareadas pode ser feito com um espaçamento de 17 cm a 25 cm entre as linhas pareadas, em espaçamento de 70 cm a 80 cm. Um ponto importante a ser observado neste arranjo de plantas é a distribuição das sementes na linha, uma vez que ela nas duas linhas pareadas, deve ser intercalada, de modo que a precisão de plantio dever ser a melhor possível. Para melhor compreensão, vamos simular a distribuição de duas populações de plantas: uma com 70.000 e outra com 100.000 plantas por hectare no espaçamento de 70 cm normal e pareado (20 cm nas linhas pareadas) (Figura 1). Comparando a distribuição das plantas na linha pareada e normal, a distância entre plantas duplica na pareada. Assim, a planta terá espaço maior para a captação de recursos e desenvolvimento. Outro ponto interessante é que à medida que aumentamos a população de plantas, o plantio pareado demonstra ser mais eficiente que um espaçamento normal (ex. 70 cm) no que se refere à distribuição de plantas na área.
 
 
Em ensaio conduzido por Nafziger (2006), da Universidade de Illinois, comparou os plantios no espaçamento normal de 76 cm (30"), reduzido a 38 cm (15") e pareado, quanto à interceptação de luz pelo dossel das plantas. Durante o período vegetativo (V10), o plantio pareado e o reduzido interceptaram mais luz que o plantio normal a 76 cm, 79.5%, 83.3% e 70.3%, respectivamente. Contudo, durante o período reprodutivo (R2) não houve diferença na interceptação de luz entre pareado (98.9%), o reduzido (98.5%) e o normal (98.8%). Resultados obtidos de ensaios conduzidos pela Pioneer USA na região do Corn Belt, em 2010, comparando o plantio no espaçamento normal de 76 cm (30") com o plantio pareado, em 179 observações, demonstrou uma diferença de 0,73 sc/ha (0,7 bu/ac) a favor do plantio a 76 cm ou 30". No entanto, estes produtores têm observado maior produção de Massa Verde nos plantios pareados, o que é interessante para a produção de silagem.
 
No Brasil, infelizmente as informações sobre equipamentos e resultados do plantio em linhas pareadas ainda são escassos. Baseado nestas informações da Pioneer USA, foi desenvolvido um trabalho na região de Guarapuava/PR, na safra 2013/14, tendo como objetivo a comparação dos sistemas de distribuição de plantas no espaçamento normal, reduzido e linhas pareadas. O híbrido utilizado foi o P1630H em 6 tratamentos (Tabela 1) e 4 repetições. As parcelas eram compostas por 14 linhas de plantio com comprimento de 100 m, o manejo adotado foi o mesmo das demais áreas do produtor colaborador. A velocidade de plantio foi monitorada a 5,5 km/h para que a distribuição de sementes na fosse a melhor possível.
 
 
A produtividade dos plantios no espaçamento reduzido e pareado foi superior ao plantio no espaçamento normal de 80 cm (Gráfico 1). Quando comparamos a produtividade do plantio no espaçamento reduzido e pareado, o reduzido foi superior em 3 a 4 sc/ha, mas não houve diferença estatística. Resultados semelhantes foram obtidos pela Pioneer USA em ensaios conduzidos ao norte da região do Corn Belt, onde há uma tendência aos plantios pareado e reduzido produzirem mais, mas também não diferindo entre si.
 
 
A planta de milho é classificada como uma planta C4 e ela precisa da maior quantidade de luz possível no período em que apresenta maior índice de área foliar (IAF) para expressar seu potencial produtivo. Esta fase compreende o pendoamento e melhores serão as condições para o milho, quanto mais próximo do período com maior número de horas diárias de luz ocorrer o florescimento. No hemisfério Sul esta fase corresponde ao dia 21 de dezembro - solstício de verão - o que explica esta ausência de resposta a uma melhor distribuição espacial de plantas.
 
Já nos plantios de Safrinha, onde o florescimento das plantas de milho se dá a partir do final do mês de março, dependendo da região de cultivo, a duração do dia já é bem menor e o espaçamento reduzido ou pareado possibilita uma melhor interceptação da luz solar e, consequentemente, uma mitigação deste aspecto negativo à produtividade.
 
Em resumo, baseados nos dados deste ensaio e lavouras acompanhadas, onde o plantio de milho já é realizado em espaçamento reduzido, isto tem contribuído no ganho de produtividade. Na região de Guarapuava/PR, aonde foi conduzido o ensaio, já é uma realidade o plantio com espaçamento entre linhas reduzido, onde muitos produtores têm conseguido alcançar patamares de produtividades em lavouras comerciais acima dos 16.000 kg/ha, aliado ao plantio de híbridos de alto potencial produtivo e a um elevado nível de manejo.

Clique aqui e confira o vídeo feito por José Madaloz sobre o sistema de plantio em linhas pareadas (linhas gêmeas).
Autor:
José Madaloz - Coordenador de Agronomia SC2 da DuPont Pioneer
Tiago Hauagge - Coordenador de Agronomia PR2 da DuPont Pioneer
Fonte: