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Artigos

26/12/2014

Manejo de milho para altos rendimentos

​A cultura do milho vem experimentando sucessivos avanços tecnológicos ao longo do tempo. Desde o advento de tecnologias revolucionárias, como uso de hibridação no início do século passado, até a incorporação de ferramentas de biotecnologia, adotadas nos últimos anos, o potencial genético da cultura aumentou drasticamente. Os ganhos de produtividade observados nos últimos anos têm relação direta com o desenvolvimento de materiais cada vez mais produtivos e com a adoção de práticas agronômicas eficientes. Embora dados oficiais apontem médias de produtividade de milho primeira safra ao redor de 100 sc/ha na região Centro-Sul do Brasil (Conab, 2014), existem produtores colhendo mais que o dobro desses patamares consistentemente (Tabela 1).

 
 
A semente de milho é o insumo que carrega o maior pacote tecnológico da agricultura atualmente. O avanço em termos de potencial genético, a incorporação de características como resistência a doenças, insetos e o desenvolvimento de Base de dados materiais adaptados aos mais diferentes ambientes avançou muito nos últimos anos. O ganho de potencial genético da cultura pode ser observado pelos resultados de produtividade atingidos na última safra. David Hula estabeleceu o novo recorde de produtividade da NCGA (Associação Nacional de Produtores de Milho), nos Estados Unidos, com a marca de 454 bu/ac, o que corresponde a 475 sc/ha com o híbrido P2088YHR. Na mesma categoria (plantio direto - irrigado), os quatro primeiros colocados produziram acima de 400 sc/ha, todos plantando híbridos DuPont Pioneer. Na propriedade da família Dallazen, no município de Palmeira das Missões/RS, atingiu-se a marca histórica de 411 sc/ha com o híbrido P1630H em uma parte do talhão com pouco mais de 6 ha com sobrepasse de pivot e alta aplicação de fertilizantes. Produtividades como essas até poucos anos atrás eram inimagináveis em condições de lavoura e só eram obtidas em pequenas parcelas demonstrativas, sob condições controladas.
 
Embora a evolução genética dos híbridos atuais seja inegável, as altas produtividades de milho têm relação direta com a melhoria de manejo das lavouras. Produtores de alta tecnologia têm conseguido controlar eficientemente o uso dos fatores de produção de suas propriedades. Com a profissionalização que a atividade agrícola vem passando nos últimos anos, o uso de recursos como máquinas e insumos têm sido controlados de forma muito mais efetiva. O uso desses fatores, aliados a um planejamento agronômico eficiente, têm aumentado a fertilidade do solo e permitido aos agricultores experimentarem tetos produtivos inéditos para a cultura do milho.
 
Definir o quanto a evolução desses patamares de rendimento se deve ao avanço de materiais mais produtivos e o quanto está relacionado a melhorias de manejo é difícil. Anualmente, a DuPont Pioneer conduz testes para avaliar o avanço de seus produtos em propriedades de clientes parceiros, ensaios chamados de PAT (sigla em inglês para "Ensaio de Avanço de Produto"). A análise histórica dos resultados coletados nesses ensaios serve como base de dados para discussão de alguns pontos que julgamos determinantes para a obtenção de altos rendimentos de milho e nos ajuda a entender os avanços observados nos tetos produtivos atuais.


Base de dados
Na região Sul do Brasil são conduzidos, anualmente, cerca de 400 ensaios (PAT) nas principais regiões produtoras de milho. Esses ensaios definem o avanço de híbridos pré-comerciais, comparando-os com os materiais disponíveis no mercado. Todos os ensaios são conduzidos em propriedades de produtores considerados referência de bom manejo em suas respectivas regiões, aplicando o mesmo nível de tecnologia empregado nas suas lavouras comerciais (Figura 1). Portanto, a análise dessa base de dados nos fornece informações precisas sobre a evolução do manejo e da produtividade observada em nível de lavoura.

 
 
Com o objetivo de avaliar a evolução da produtividade e o nível de tecnologia empregada, analisamos o histórico de dados desses ensaios durante o período compreendido entre 2001 e 2013, o que representa 2.800 lavouras em toda região Sul do Brasil, no decorrer de 13 safras consecutivas.
 
Evolução da produtividade
Para determinar a evolução do potencial produtivo, comparou-se o rendimento dos três híbridos ganhadores de cada ensaio ao longo do período. Através desta análise, pode-se observar a evolução dos tetos produtivos alcançados (Figura 2). A linha de tendência indica uma evolução de 3,5 sacos a cada ano. Isso reflete o efeito da incorporação de materiais mais produtivos, desenvolvidos pela pesquisa a cada ano e, também, melhorias de manejo, que serão discutidas em seguida.
 
 
Avaliou-se ainda a distribuição de classes de produtividade em cada safra (Tabela 2). Através desses dados é possível visualizar o efeito das condições ambientais vigentes em cada ano e ter uma noção da evolução dos patamares de rendimento. A primeira coluna (50-100 sc/ha) apresenta uma tendência de diminuição de frequência ao longo do tempo. O aumento observado nos anos 2005, 2008 e 2011 reflete a ocorrência de severo déficit hídrico nessas safras.
 

A classe de produtividade que apresenta a evolução mais expressiva é, sem dúvida, a classe de 200-250 sc/ha. A ocorrência desses patamares de produtividade aumentou muito a partir de 2009. Esse período coincide com o surgimento de híbridos melhorados através de ferramentas de biotecnologia e com uso de marcadores moleculares. Essa tecnologia agrega características como resistência a algumas doenças e permite a seleção precisa de materiais superiores. Além disso, esse período coincide também com o surgimento de materiais com tolerância a insetos (Bt). Essa tecnologia melhorou muito o controle de lagartas na cultura, aumentando a proteção da produtividade construída via genética superior e manejo.
 
A obtenção de elevadas produtividades de milho depende de uma série de fatores, alguns deles controlados pelos agricultores, outros dependentes do ambiente de produção. A seguir são discutidos, com mais detalhes, alguns dos fatores determinantes para a obtenção de altos rendimentos.
 
Seleção de híbridos
Híbridos testados num mesmo local e época de plantio variam frequentemente em torno 30 sc/ha. Nos níveis de produtividade alcançados em nossos ensaios de lavoura, essa diferença pode ser ainda maior. Por essa razão, a seleção do híbrido certo para cada condição é, provavelmente, a decisão de manejo mais importante dentre todas as que são controladas pelo agricultor.
 
O potencial produtivo de muitos híbridos atuais ultrapassa os 300 sc/ha. É necessário reconhecer que, para atingir esse potencial, é imprescindível que híbridos de alto potencial se desenvolvam num ambiente favorável, com suprimento adequado de água, controle de doenças, insetos e plantas daninhas, além de adequada fertilidade do solo. Para obtenção do máximo rendimento possível, a seleção do híbrido deve atender alguns requisitos importantes:

- Elevado potencial produtivo:
análise resultados de colheita de diferentes localidades e ambientes de produção para identificar híbridos com alto potencial de rendimento.

- Bom arranque inicial:
em muitas localidades, especialmente no Sul do Brasil, a janela de plantio tem antecipado cada vez mais, quando as temperaturas são mais baixas, seja para viabilizar uma segunda safra, ou para fugir da estiagem em dezembro e janeiro. Nesse caso, híbridos com bom arranque garantem uma população adequada e uniformidade de estande.

- Boa tolerância à deficiência hídrica: sabe-se que alguns materiais toleram melhor a ocorrência de veranicos que outros. Essa característica pode ser determinante para obtenção de boas produtividades em áreas sem irrigação.

- Tolerância para as doenças de ocorrência frequente na sua região:
doenças de folha, colmo e grãos causam disfunções fisiológicas nas plantas que diminuem o seu potencial produtivo. A tolerância genética dos híbridos é a ferramenta de manejo mais eficaz para o controle de doenças.

Todos esses fatores devem ser considerados para montar um Sistema de Combinação de Híbridos. Esse sistema vem sendo difundido pela DuPont Pioneer há muitos anos e consiste em combinar híbridos com diferentes ciclos e características complementares. Desta forma, é possível mitigar o risco de perda pela ocorrência de algum fator de estresse como restrição hídrica, surto de doenças, ocorrência de ventos fortes ou excesso de chuvas. O Sistema de Combinação de Híbridos dilui os riscos associados a esses estresses, pois na mesma lavoura estarão posicionados materiais em diferentes estádios fenológicos e características distintas de desenvolvimento. Como exemplo, pode-se combinar um híbrido superprecoce com bom arranque inicial para abertura de plantio e posicionar um híbrido mais defensivo e com alto potencial de rendimento para os plantios seguintes. Com essa ferramenta é possível melhorar muito a estabilidade de produção ao longo das safras.
 
Práticas de plantio 
População de plantas
O melhoramento genético de híbridos com tolerância superior a estresses ambientais contribuiu para o aumento de rendimento de grãos por permitir o plantio de lavouras com alta população de plantas. Desde as primeiras fases de desenvolvimento dos híbridos, os materiais são selecionados em ensaios conduzidos com altas populações, objetivando maximizar produção de grãos por unidade de área.
 
O milho necessita de uma população bem específica para maximizar seu potencial produtivo. Essa característica está associada ao fato de que a planta não possui um mecanismo de compensação de espaços eficiente em baixas densidades. Isto ocorre porque ele perfilha pouco e seus perfilhos normalmente produzem poucos grãos. Além disto, apresenta limitada capacidade de expansão foliar e baixa prolificidade.
 
A tolerância ao adensamento de plantas varia conforme as características de cada
híbrido. O uso de densidades muito altas pode reduzir a atividade fotossintética da cultura e a eficiência de conversão de fotoassimilados à produção de grãos devido ao sombreamento. Em consequência, há um aumento da esterilidade feminina e redução do número de grãos por espiga. As plantas, nessa situação, podem desenvolver colmos mais frágeis (estiolamento) e ficar mais suscetíveis à ocorrência de quebramento.
 
Portanto, o ajuste preciso da população ótima de plantas para o máximo rendimento de grãos vai depender das características do híbrido e das condições edafoclimáticas do ambiente onde será cultivado. O desenvolvimento de híbridos modernos proporcionou um tipo de planta mais eficiente em termos de potencial produtivo, com materiais de porte mais baixo e arquitetura foliar ereta, que possibilitam seu cultivo sob altas densidades de plantas.
 
A análise histórica dos dados de PAT confirma essa hipótese. Ao mesmo tempo em que se observou incremento nos tetos de produtividade ao longo das 13 safras analisadas, houve incremento na população média de plantas ao longo do tempo (Figura 3A). Além disso, observou-se resposta da produtividade em função do aumento da população de plantas, na média de todos os ensaios (Figura 3B).
 

Uniformidade de emergência
A uniformidade de plantas em milho é fator determinante para maximizar o potencial de rendimento de grãos. A uniformidade de emergência e a população final de plantas são fatores que se complementam. De nada adianta o produtor alcançar a população de plantas planejada inicialmente, 75.000 plantas por exemplo, se nessa população se encontram 20% de plantas dominadas.
 
Considera-se planta dominada aquela que apresenta atraso de desenvolvimento em relação ao padrão das plantas da lavoura. Plantas com atraso de duas folhas em relação ao restante da lavoura produzirão poucos grãos ou, em alguns casos, nem emitem espigas. Tornam-se verdadeiras plantas daninhas, competindo por recursos com as plantas adjacentes.
 
A ocorrência de plantas dominadas tem relação direta com a qualidade da operação de plantio. Nesse sentido, todos os fatores que influenciam um plantio de qualidade devem receber o máximo de atenção, pois é nessa operação que se determina o número potencial de espigas viáveis que será obtido na colheita. Dentre os aspectos mais importantes a se considerar para o plantio de qualidade devem-se citar:

- Dessecação antecipada e bem feita: uma dessecação antecipada permite que a palhada esteja em condições favoráveis ao bom funcionamento do sistema de corte de palha da plantadeira, especialmente em condições de elevada quantidade de resíduos de gramíneas. A antecipação desta operação também auxilia o manejo de ervas resistentes como azevém, permitindo fazer manejo sequencial complementar, caso se constate "sobras" da primeira dessecação.

- Regulagem da plantadeira:
a escolha correta de discos e anéis; o ajuste de engrenagens para deposição da quantidade desejada de sementes; profundidade adequada de deposição de sementes; distância do adubo em relação à semente; sistema de fechamento de sulco.

- Velocidade de plantio:
esse é, sem dúvida, o principal entrave para o plantio de qualidade e a principal causa de desuniformidade de emergência e de distribuição de plantas nas lavouras demilho na atualidade. Em diversos ensaios conduzidos pela Pesquisa Agronômica da DuPont Pioneer, fica evidente que, à medida que aumenta a velocidade de plantio, piora a distribuição de plantas. Observa-se isso pelo aumento do coeficiente de variação (CV%) da distância média entre plantas na linha de semeadura (Figura 4). Ao mesmo tempo, aumenta a porcentagem de plantas dominadas e de duplas. Como consequência, a produtividade de grãos diminui.
É importante esclarecer que esses dados foram obtidos com uso de plantadeira com sistema de distribuição pneumático. Embora alguns vendedores de máquinas argumentem que determinados modelos têm a capacidade de plantar a velocidades de 8 a 10 km/h, nossos testes indicam que o ideal é não ultrapassar os 5 km/h. Embora o sistema de distribuição a vácuo seja mais eficiente na seleção das sementes, todo sistema de corte de palha, abertura de sulco, tubo condutor de sementes e fechamento de sulco deve funcionar numa velocidade adequada para realizar um bom trabalho. O que fica evidente, pela análise dos nossos resultados, é que com o aumento da velocidade, a plantadeira não consegue ler os desníveis do terreno e, com isso, não consegue manter a profundidade e a distribuição de sementes uniforme.
 
Espaçamento entre linhas
O desenvolvimento de híbridos mais tolerantes a altas densidades de plantas e a maior agilidade da indústria de máquinas no desenvolvimento de equipamentos adaptados ao cultivo do milho com linhas mais próximas aumentaram o interesse dos produtores de milho em reduzir o espaçamento entre linhas utilizado na cultura dos tradicionais 80-90 cm para 40-50 cm.
 
A redução do espaçamento entre linhas permite melhor distribuição das plantas na área. Com isso, é possível melhorar a eficiência de interceptação da radiação solar e da absorção de água e nutrientes, aprimorar o controle cultural de plantas invasoras, reduzir as perdas de água por evaporação do solo, utilizar a mesma regulagem para semeadura de milho e soja e distribuir melhor as sementes no sulco de semeadura, devido a menor velocidade de trabalho dos sistemas distribuidores de sementes. Outro benefício indireto é a melhor distribuição do adubo na área, o que diminui os riscos de dano das sementes por salinização.
 
Os benefícios da redução do espaçamento entre linhas sobre a produtividade do milho variam em função de diversos fatores tais como as características do híbrido, época de semeadura, densidade de plantas e expectativa de produtividade. Diversos resultados gerados dentro da empresa e em instituições de pesquisa independentes apontam ganhos de produtividade ao redor de 5 a 8%, especialmente em condições de lavouras conduzidas com alta população de plantas e elevada estimativa de rendimento.
 
Rotação de culturas
A rotação de culturas é uma prática fundamental para manter níveis de produtividade elevados em longo prazo. Essa prática auxilia na quebra do ciclo de vida de doenças e insetos que limitam o potencial de rendimento da cultura. Além disso, permite o uso de diferentes grupos de herbicidas, favorecendo o controle de ervas daninhas do ponto de vista de manejo de resistência. A alternância de cultivo de culturas com alta produção de biomassa e diferentes sistemas radiculares contribui também para o aporte de compostos orgânicos que melhoram as condições físicas e químicas do solo.
 
A adoção de um sistema de rotação de culturas eficiente aumenta a complexidade da operação agrícola. Exige planejamento de uso do solo e da propriedade segundo princípios básicos de agronomia, onde deve ser considerada a aptidão de cada gleba e os aspectos econômicos da escolha dos cultivos. Poucos agricultores são capazes de manter um sistema de rotação de culturas, seguindo as melhores práticas agronômicas. A maioria dos produtores decide qual cultura entra no sistema semanas antes da semeadura, seguindo as flutuações de preço na época de plantio ou confiando em previsões de mercado. A conta desta falta de planejamento agronômico geralmente chega em forma de perdas por alta incidência de doenças, áreas infestadas com plantas daninhas de difícil controle e redução severa de produtividade na ocorrência de veranicos, em intensidades muito maiores que vizinhos de cerca que usam sistemas de rotação bem planejados.
 
Fertilidade do solo
Para atingir altas produtividades é necessário um ótimo manejo da fertilidade do solo. Isso é alcançado com a rotação de culturas e complementa-se com a aplicação eficiente de nitrogênio (N) e análise do solo para determinar os níveis de fósforo (P), potássio (K) e pH do solo.
 
Adubação nitrogenada
O nitrogênio é o nutriente absorvido em maior quantidade pela cultura do milho. Portanto, seu manejo é fundamental para garantir altos rendimentos. Para cada tonelada de grãos produzida, a lavoura de milho extrai entre 20-27 kg de N, dependendo do nível de rendimento. O solo é capaz de suprir uma parte desta demanda através da mineralização da matéria orgânica, mas o restante deve ser aplicado via adubação. Alguns tipos de solos são capazes de fornecer altas quantidades de N. Porém, créditos desse nutriente podem ser obtidos, utilizando-se culturas de cobertura como nabo forrageiro ou leguminosas.
 
Além da quantidade adequada, o momento de aplicação é de suma importância para maximizar a eficiência de uso do N aplicado. Esse nutriente está sujeito a perdas por lixiviação ou por volatilização. Nesse sentido, quanto menor o intervalo de tempo entre aplicação e absorção pelas raízes, menores as chances de ocorrerem perdas e maior é a eficiência. A planta de milho apresenta picos de absorção que coincidem com o período de rápido crescimento, iniciando em V6 (seis folhas expandidas) até VT (pendoamento). Publicações recentes indicam que para híbridos modernos, a absorção de N após o florescimento responde por 37% do total de N absorvido (Debruin, 2014). Portanto, para maximizar o rendimento, a planta precisa encontrar esse nutriente disponível para absorção durante a maior parte do seu ciclo de desenvolvimento. Nesse sentido, o parcelamento da quantidade de N a ser aplicada na lavoura é uma estratégia importante para manter o suprimento adequado do nutriente ao longo do desenvolvimento da cultura e mitigar perdas por condições climáticas adversas no período de aplicação como chuvas fortes ou elevadas temperaturas.
 
Fósforo e potássio
Assumindo que os solos são mantidos com teores adequados de fósforo (P) e potássio (K), se faz necessária a aplicação de, pelo menos, a quantidade desses nutrientes que são removidas pela cultura no patamar de produtividade almejado. Para produzir cada tonelada de grãos, a planta de milho extrai cerca de 4 kg de P e 20 kg de K.
 
Em relação ao método de aplicação, muitos agricultores têm optado por tirar o adubo da plantadeira para ganhar em rendimento operacional. Essa prática já foi discutida em detalhes em uma publicação prévia (Ramos, 2014). O aspecto mais importante que se deve atentar é fazer o acompanhamento dos teores desses nutrientes no solo, especialmente em relação ao P que é muito reativo com a argila e pode ficar retido numa camada indisponível para as raízes. Casos de sucesso em relação à aplicação a lanço de adubos são observados em situações de perfil de solo bem corrigido e com elevados teores de nutrientes monitorados constantemente.
 
Proteção da produtividade
Quando se trata de controle de insetos ou doenças, o aspecto mais importante a ser observado é o monitoramento constante da lavoura. Em regiões de alta pressão de pragas e doenças, um intervalo de 3 dias pode determinar o sucesso ou fracasso da aplicação de defensivos pela perda do correto ponto de aplicação.
 
Controle de insetos
O uso de tecnologia Bt facilitou o controle de lagartas na cultura do milho, tornando o seu manejo muito mais eficiente. Isso estimulou os agricultores a investirem mais na lavoura, pelo potencial de rendimento estar bem protegido. Entretanto, o uso dessa tecnologia não isenta o agricultor de fazer o constante monitoramento e caso constate que a lavoura atingiu o nível de dano, deve entrar com aplicação de inseticida complementar. Essa prática visa o controle eficiente de pragas e a preservação da tecnologia Bt. Embora o uso da tecnologia tenha pouco tempo de adoção em larga escala no Brasil, fica evidente que pelas características de nosso sistema de produção, espectro de pragas e ambiente tropical, é impossível controlar lagartas de forma sustentável, apenas plantando um híbrido Bt. Essa é apenas uma das ferramentas que devem ser adotadas (ABRASEM, 2014).
 
Manejo de doenças
O melhor manejo de doenças é, sem dúvida, o correto posicionamento de híbridos. O conhecimento do histórico de doenças de determinada região deve ser levado em conta na hora da escolha do híbrido. Todos os materiais que vão para o mercado são avaliados quanto à suscetibilidade para as principais doenças de ocorrência na cultura. Com essas informações em mãos, deve se posicionar híbridos mais defensivos nos locais com histórico frequente de doenças.
 
Em ambientes de produção com elevada pressão de doenças como na Safrinha, ou em casos em que o híbrido mais produtivo e melhor adaptado ao sistema de cultivo de determinada região possui suscetibilidade a determinada doença, a aplicação de fungicidas foliares é determinante para a expressão do potencial produtivo da cultura.
 
Do ponto de vista da fisiologia da planta de milho, é fundamental a proteção da área foliar durante o período crítico, ao redor do florescimento, onde ocorre a maior demanda energética da planta. Para manter as folhas protegidas durante tempo suficiente para que a planta possa produzir energia e translocar essa produção para os grãos, muitas vezes é necessário adotar aplicações sequenciais de fungicidas. Neste caso, um aspecto importante a ser considerado é o cuidado com o período residual dos produtos que, de maneira geral, se mantêm ativos na planta por, no máximo vinte dias, dependendo da quantidade de chuvas. Assim, o intervalo entre as aplicações deve respeitar este período para manter a planta protegida.
 
Seguindo esta estratégia, um manejo que vem sendo adotado com bons resultados é a aplicação de fungicidas por volta do estádio V8-10 (última passada do trator) e uma segunda aplicação em pré-pendoamento, usando-se a combinação de triazol e estrubirulina. Em áreas com histórico de alta pressão de doença pode-se adicionar mais uma aplicação neste tratamento, fazendo uma terceira pulverização 15 a 20 dias após a última (por volta de R3). Desta forma, consegue-se proteger a planta durante o período mais importante para definição do potencial de rendimento, com residual suficiente para garantir a proteção da área foliar. Além disso, protege a cultura de doenças com ocorrência tardia como Mancha Branca e a Cercospora (Jandrey, 2014).
 
Manejo de plantas daninhas
Um programa eficiente de controle de invasoras deve manter a lavoura limpa durante o período crítico de competição, que se inicia entre V2-V3 (duas a três folhas expandidas) e vai até V10 (dez folhas expandidas). A escolha do produto mais eficiente para o espectro de plantas daninhas da área é fundamental para o sucesso da aplicação e deve ser orientada pelo engenheiro-agrônomo responsável pela lavoura. Desta forma, aspectos importantes como interação com inseticidas ou adubos nitrogenados serão considerados para se evitar perdas por fitotoxidez. Portanto, a obtenção de altas produtividades em milho depende da interação de diversos fatores que se complementam. O produtor deve integrar várias tecnologias e estar atento a muitos detalhes. Pois, é o somatório de todos esses fatores que viabilizam lavouras de elevado rendimento.
 
Debruin, J., Butzen, S. 2014. Nitrogen Uptake in Corn. Crop Insights Vol. 24, n 4. DuPont Pioneer, Johnston, IA.
https://www.pioneer.com/home/site/us/agronomy/library/n-uptake-corn/
Jandrey, D.B. Controle de Mancha de Turcicum na Safrinha. Artigos. DuPont Pioneer.
Jeschke, M. 2014. Managing Corn for Greater Yield.o Crop Insights Vol. 24, n 2. DuPont Pioneer, Johnston, IA.
Ramos, A.A., 2014. Adubação antecipada e à lanço no milho safrinha. Artigos. DuPont Pioneer.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Autor:
Douglas Jandrey - Black Belt da DuPont Pioneer
Fonte: