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Artigos

14/01/2015

A digestibilidade da fibra na escolha do híbrido para silagem de milho

​As forragens são um componente necessário nas dietas de animais ruminantes, pois são as principais fontes de fibras necessárias para otimizar a função ruminal. A maior digestibilidade da fibra faz com que o seu tempo de permanência (enchimento) no rúmem seja menor, permitindo maior ingestão de Matéria Seca pelos animais, demandando menos alimentos concentrados ou aumentando a produtividade.
 
Tradicionalmente, a silagem de milho tem sido analisada quanto aos seus teores de proteína bruta; fibras (FDN - Fibra insolúvel em Detergente Neutro e FDA - Fibra insolúvel em Detergente Ácido); e de energia (NDT - Nutrientes Digestíveis Totais, energia metabolizável ou energia líquida). Nos últimos anos, algumas universidades americanas e laboratórios comerciais começaram a avaliar a Digestibilidade da Fibra em Detergente Neutro (DFDN), o que permitiria estimativas mais precisas de Nutrientes Digestíveis Totais (NDT), energia líquida (NE), e potencial de consumo de Matéria Seca, tornando o balanceamento da dieta mais preciso e a produção de leite pela vaca, por exemplo, mais previsível (Oba& Allen, 2011).
 
A determinação da digestibilidade verdadeira in vitro (DIVFDN) é o procedimento laboratorial utilizado para se estimar a DFDN e consiste, basicamente, na incubação de uma amostra de forragem em recipientes anaeróbios em ambiente controlado (temperatura, gases, etc.), tendo fluido ruminal como inóculo. O custo da análise é relativamente elevado e requer aferição constante. Outro procedimento é o uso do NIRS (espectrometria de infravermelho próximo), que estima a composição química medindo refletância de ondas infravermelho. Apesar do maior rendimento e menor custo, o uso de NIRS requer calibrações com um número significativo de amostras, com dados obtidos a partir de análises químicas (DIVFDN) específicas para os alimentos avaliados, por isso os resultados de NIRS devem ser interpretados com cautela.
 
No Brasil, têm sido crescentes as recomendações técnicas para que a escolha do híbrido para silagem de milho tenha como base a digestibilidade da fração FDN. Como consequência, temos visto lavouras com baixas produtividades em função do posicionamento agronômico errado e silagens de baixa qualidade, tornando ainda mais difícil a missão de se conscientizar os produtores que uma boa silagem começa com uma boa lavoura.
 
A digestibilidade da fibra (DFDN) da silagem de milho é extremamente variável e pouco relacionada com os teores de FDN, FDA ou mesmo a Proteína Bruta (PB), que são geralmente empregadas na formulação das dietas. Na Tabela 1 são apresentados valores médios de aproximadamente duzentas e cinquenta amostras, de cerca de dez híbridos comerciais, provenientes de trabalhos de pesquisa e de lavouras por dois anos consecutivos na região Sul do Brasil. Os teores de amido foram usados somente como indicativo da produtividade de grãos desse mesmo grupo de híbridos em diferentes condições agronômicas. Os menores teores de amido são provenientes de amostras que, por alguma razão (ataque de pragas, restrição hídrica, etc.), tiveram suas produtividades reduzidas, enquanto os maiores teores representam esse mesmo grupo de híbridos em melhores condições de produtividade. As amostras foram analisadas por meio de NIRS no laboratório da Pioneer Livestock Nutrition Center, Iowa, EUA.
 
 
Os resultados indicam que existe grande variação nos teores de fibra digestível (DFDN) entre os híbridos avaliados. Essasvariações podem ser decorrentes, por exemplo, da estrutura da planta, que pode variar de acordo com a população estabelecida na área, das condições de fertilidade do solo e danos decorrentes de pragas e doenças, além das variações climáticas. Ou seja, os prováveis valores esperados para DFDN dificilmente serão os mesmos encontrados na silagem fornecida aos animais.
 

Em outra pesquisa conduzida para se avaliar os efeitos do momento de corte, expresso pelo teor de Matéria Seca sobre a produtividade e a qualidade da silagem de milho (Tabela 2), verificou-se que a antecipação do corte favorece a maior digestibilidade da fibra (DFND), mas acarreta sensível redução na qualidade da silagem de milho, decorrente da menor produtividade de grãos, e, consequentemente, no seu potencial de transformação em leite e carne. Práticas de manejo na produção de silagem, no caso o ponto de corte, interferem de forma mais efetiva na digestibilidade da fibra do que as características próprias do híbrido. Vale ressaltar que a intensidade de picagem da forragem, onde ainda temos muito a aprender quanto ao uso correto de máquinas e implementos, também vai interferir na digestibilidade da fibra da silagem.
 
 
A escolha de híbridos apropriados para a produção de silagem de milho deve buscar altos rendimentos de forragem e de grãos, que é a porção responsável por quase 65% da energia da silagem. Para isso, o correto posicionamento agronômico e as práticas de manejo para o controle de pragas e doenças são fundamentais porque elas influenciam tanto no rendimento da lavoura quanto na qualidade da silagem.

 
Estabelecidas as condições ideais de produtividade, num segundo momento, devemos considerar as características de digestibilidade da fração fibrosa (DFDN) da forragem. A digestibilidade está positivamente relacionada com o desempenho dos animais, porém, sofre interferência de variáveis desde condições agronômicas até o manejo da ensilagem, como momento de corte e tamanho de picado. Certamente, os dados de DFDN devem ser utilizados para ajustar a formulação de dietas, uma vez que pode ser uma ferramenta importante na predição da ingestão de alimentos e produção de leite.

Autor:
João Ricardo Alves Pereira - Professor Adjunto do Depto. de Zootecnia/Curso de Zootecnia UEPG/Castro-PR
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