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Artigos

21/01/2015

Utilizando as ferramentas de Agricultura de Precisão para auxílio no processo de melhoria da propriedade

​A agricultura tem passado por um momento de mudança. Há alguns anos foram lançados no mercado diferentes equipamentos para coleta de diversos tipos de dados geolocalizados, que têm nos feito pensar sobre a evolução da assertividade em relação ao manejo, à gestão e de como isso pode fazer com que a lucratividade seja efetivamente maximizada.

Existe muita divergência no uso do termo "Agricultura de Precisão", o que me faz referir o termo manejo localizado. Acredito que, para fazer "Agricultura de Precisão", teríamos que utilizar as informações geradas a partir dos dados geolocalizados coletados pelos equipamentos que temos disponíveis hoje na fazenda (e isso não tem nada a ver com a quantidade de equipamentos que temos e, sim, com o aproveitamento da informação que estamos coletando) para medirmos o desempenho, estabelecermos metas e, então, avaliarmos o quão eficazes foram as decisões tomadas com os dados anteriormente coletados. Isto vai muito além da amostragem em grade e mapas de fertilidade.
 
Medir. Essa é a palavra para estabelecer qualquer referência, meta e autoavaliação, pois, não se gerencia o que não se mede. Sem medir o resultado das decisões e ações não conseguiremos ter referência para estabelecer metas alcançáveis e, desta forma, progredir.
 
A principal função de todas as ferramentas, direta ou indiretamente, é coletar dados. A coleta de dados é o primeiro passo para criar parâmetros e estabelecer metas. Isso é de extrema importância. Estabelecendo metas, baseadas em números produzidos em cada propriedade, começaremos a dar o primeiro passo em direção à melhoria.
 
Essas metas precisam ser desafiadoras, mas possíveis de serem alcançadas. Quando estabelecemos metas baseadas em dados ou parâmetros que não são inerentes à propriedade, corremos o risco de ficarmos estagnados por subestimarmos nossa capacidade; ou frustrados e desanimados por pularmos etapas e superestimarmos nossa realidade.
 
Outro desafio é estabelecer qual equipamento comprar, pois será ele o responsável por gerar o dado que servirá de referência para estabelecer as metas de melhoria. Aí entra o conhecimento específico. Conhecer a fazenda e a situação dela faz com que consigamos eleger essa prioridade. Sabendo onde preciso melhorar, terei o indicativo de quais os equipamentos disponíveis no mercado e quais poderão, ou não, me auxiliar no processo de coleta de dados e, com certeza, no processo de melhoria da fazenda.
 
Com o auxílio do equipamento adquirido e a partir dos dados coletados, precisamos visualizar de uma forma padronizada, transformando esses dados em informação útil e que servirá para nortear o processo de análise e, então, direcionamento das tarefas relacionadas.
 
Na parte prática, geralmente tem se eleito a aplicação em taxa variada como um importante processo de melhoria da fazenda. Acredito que seja pelo fato de a tecnologia de aplicação ter mudado significativamente desde que o GPS (GNSS) se tornou comum nas práticas agrícolas nos últimos anos e possibilitado a intervenção localizada aplicando a quantidade certa no local certo.
 
Mesmo dentro do processo de aplicação em taxa variada, surpreende-me o número de produtores que não estão monitorando o processo ou o estão fazendo apenas visualmente, acreditando que, somente os fatores que eles interviram (aqui falando de corretivos e fertilizantes), estejam limitando a produtividade do talhão.
Podemos e devemos aproveitar e utilizar os dados para aumentar o conhecimento específico da fazenda, uma vez que a quantidade de dados têm aumentado significativamente se comparado aos coletados antigamente.
 
Quando decidimos iniciar a "Agricultura de Precisão" na propriedade pela aplicação localizada devemos, como qualquer outro processo, mensurar, comparar e avaliar a evolução.
 
Quando optamos iniciar o processo de AP pela correção química, não podemos esquecer que é muito difícil entender as interações entre os nutrientes no solo de forma mais complexa. E é muito difícil correlacionar a fertilidade química em relação a apenas um elemento como o principal fator limitante da produtividade. Lembremos: os elementos interagem com o ambiente e entre eles. A física do solo, muitas vezes, é o fator que limita a disponibilidade dos nutrientes e, até mesmo, da água. Ou seja, fertilidade física também é importante e não podemos esquecer o conceito de fertilidade biológica. Isto é, como avaliar o progresso? Como saber se estamos no caminho correto?
 
Vamos lá! Assim como a Lei dos Mínimos (Von Liebg) nos ensina que a produtividade será limitada pela falta de apenas um dos nutrientes (e o excesso de um elemento não supre a falta de outro), temos também a Lei dos Máximos (Wallace, 1993). Com ela aprendemos que, em campos de produção muito bem manejados e de elevado retorno, ainda temos diversos fatores que, isolados ou em conjunto, limitam a produtividade.
 
Somente conseguiremos romper a barreira da produtividade a partir do momento que conseguirmos identificar e eliminar essas causas que, mesmo sem vê-las estão lá, e não permitem que a lucratividade atinja outros patamares.
 
Isto determina a busca dos fatores que limitam a produtividade e, na continuidade, a determinação das ações que visam sua mitigação ou sua eliminação, um a um! E, quanto mais fatores eu eliminar ou amenizar, maior será a produtividade.
Se considerarmos, então, a fertilidade química como nosso principal gargalo e iniciarmos por ele o "ingresso à tecnologia", temos que ter em mente uma maneira de medir e avaliar nossa evolução.
 
Há algum tempo recebi um comentário de um consultor, o qual justificava a sua "evolução" de fertilidade pelo decréscimo da necessidade de fertilizante ou pelo incremento médio do nível do elemento em questão. Ora, quando decidimos optar pela correção da variabilidade, essa também deve ser a metodologia utilizada para avaliação, ou seja, avaliamos o quanto a variabilidade diminuiu em relação ao nutriente em questão. Esta é a maneira mais sensata de avaliarmos o progresso.
 
Não podemos comparar coisas distintas ou com formas não padronizadas de medida. Precisamos ser o mais sensatos possível e, para isso, devemos comparar os fatores, isoladamente, com o mesmo padrão. Primeiro passo já foi feito quando levantamos os dados de fertilidade através da amostragem de solo no primeiro ano. Estabelecemos, assim, a metodologia e os padrões que deverão ser usados na próxima coleta (mesma grade amostral, mesmos pontos de amostra, profundidade, laboratório, metodologia de elaboração dos mapas, etc.). E é importante ser muito bem planejado. Com a espacialização dos dados começamos a visualizar a variabilidade, nutriente a nutriente! Muito bom, mas e agora? Qual o resultado que isso me gera? Economia de produto? Vou produzir mais?

Quando visualizamos o primeiro mapa apenas constatamos o que já sabíamos mas não havíamos mensurado. Temos variabilidade e agora ela está medida e geolocalizada.
 
Nutriente a nutriente. Com isso, temos a primeira referência e podemos, então, estabelecer a primeira meta e ela precisa ser baseada na diminuição da variabilidade do nutriente que irei intervir. Não mais pela média. Posso, sim, ter aumento na quantidade média de nutriente aplicado, mas haverá uma diminuição significativa da variabilidade deste nutriente na área que estou intervindo - isso é evolução.
 
A análise pode ser direta ou indireta, ou seja, podemos usar o nível de potássio ou a dose para correção de cloreto de potássio. O que muda é o número, mas ambos utilizam a variabilidade para análise. Podemos ainda considerar saturação por base ou dose de calcário. Utilizemos, para exemplificar, um caso real e específico de uma área onde a correção do solo com calcário foi o fator escolhido para intervenção. Ao coletarmos solo e fizermos a necessidade de calagem, obteremos a distribuição em área, conforme Gráfico 1.
 
 
 
Podemos observar que as doses abaixo de 500 kg/ha são as que concentram a maior área (esses dados são de uma área específica e variam de local para local). Podemos dizer que se buscássemos apenas uma dose que fosse mais representativa para essa área, seria essa faixa, de 0 até 500 kg/ha.
 
Como agora podemos e optamos por intervir localmente, o que esperamos com a redução da variabilidade?
 
Que as doses extremas diminuam em área ou até deixem de existir, tendendo a uma distribuição das faixas como uma distribuição normal ou em forma de sino, conforme Gráfico 2.
Notadamente não temos essa distribuição, como pode ser visto na sobreposição de figuras (Gráfico 3), onde as barras representam a situação em 2008 e a curva representa uma distribuição normal (a média indicada pela figura com distribuição normal é meramente explicativa).
 
 
 
Isto não ocorre no exemplo (Gráfico 3) por diversos fatores. Entre eles, podemos considerar curto o espaço de tempo entre as aplicações de calcário em relação ao residual da dose média aplicada, ou longo o residual da dose média aplicada para o intervalo de tempo considerado.
Na segunda coleta que realizamos em 2011, observamos que uma média começa a ser "desenhada", como podemos notar no Gráfico 4.
 
 
 
 
 
Notadamente, as áreas com faixa de aplicações abaixo de 500 kg/ha diminuíram. Os extremos com doses muito altas praticamente inexistem e a média começa a aumentar com dose em torno de 1000 - 1250 kg/ha e o gráfico começa a ter o "formato de sino" que esperávamos.
No Gráfico 5, vemos que a média de calcário se acentua mais na dose esperada, diminuindo um pouco mais os extremos.
 
 
 
Quanto mais íngreme for a curva, menor será a variabilidade. Claro que, em função de diferentes tipos de solo, variação na textura, CTC, limite da tecnologia de aplicação, resolução da amostra (amostra/ha), limite do modelo matemático na interpolação dos dados para representar a realidade, etc., sempre teremos uma variabilidade, menor, mas ainda a teremos.
A diferença entre 2008 e 2014 será o que evoluímos (Gráfico 6). Podemos ver e mensurar, no gráfico sobreposto a diminuição da variabilidade ao longo dos anos. Consideramos que a área azul é o quanto de área os extremos foram diminuídos e, consequentemente, a variabilidade foi diminuída.
 
 
 
A área em amarelo é o quanto estava superestimado o residual de calcário da dose média utilizada anteriormente no intervalo de tempo de aplicação.
 
Também podemos considerar o quão mais assertivos, com o incremento da nova tecnologia, estamos nesse mesmo intervalo de tempo.
 
Nas barras com verde+amarelo, o verde é o quanto fui assertivo em termos de área na tecnologia antiga.
 
Lembro ainda que essa avaliação é para calcário, ou indiretamente saturação por base, e nessa área em específico. Podemos ter (e muito provavelmente teremos) resultados diferentes em outras áreas mesmo dentro da mesma fazenda. Precisamos repetir o processo para os outros nutrientes e avaliarmos separadamente para então podermos mensurar o resultado de nossas intervenções (ou das intervenções feitas por terceiros).
 
Continuamos ao passar do tempo até que se estabilize a variabilidade ou a redução da variabilidade não ocorra mais de forma significativa.
 
Em resumo, ao mudarmos o método de intervenção, buscando uma melhoria da variabilidade, precisamos fazer uma avaliação de forma adequada, pois não faz sentido utilizarmos valores médios para avaliarmos a redução de variabilidade.
 
Dessa maneira, podemos seguir evoluindo dependendo da situação, manejo no passado, ambiente, condições e investimentos de cada um, mas sempre integrando todos os conhecimentos da área agrícola na busca pela maximização da lucratividade no campo.
Autor:
Pellisson Kaminski, Engenheiro-agrônomo
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