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Artigos

28/01/2015

Sistema de Combinação de Cultivares de soja

​Desde os anos 70, a cultura da soja vem crescendo em importância dentro do sistema de produção da agricultura brasileira. Para a maioria dos agricultores, a soja é a principal fonte de renda dentro das propriedades, que estão perto da capacidade máxima de área cultivável.

Com a dificuldade de expansão, uma das alternativas é o aumento dos rendimentos dentro da mesma área, o que demanda a melhoria da fertilidade do solo aliada ao uso de técnicas mais eficientes como tratamento de sementes, herbicidas, fungicidas e inseticidas e, ainda, adoção da biotecnologia.
 
Para os pesquisadores, um dos maiores desafios é criar a "Cultivar Perfeita", a qual deve atender aos principais interesses dos produtores, quais sejam: precocidade, resistência aos herbicidas, pragas e doenças, mantendo sempre alto rendimento e perfeita qualidade de grãos. Também deve ter a flexibilidade de plantio em qualquer época e em diferentes condições de solo e clima.
 
Devido a essa complexidade, a melhor alternativa é encontrar a "Cultivar Ideal" para cada região, propriedade ou talhão. Para isso, são realizados testes com diferentes cultivares em diferentes ambientes por vários anos, identificando-se qual o posicionamento correto a ser adotado. Esses testes são baseados na interação Genótipo x Ambiente, resultando no ajuste das melhores práticas de manejo a fim de obter o máximo rendimento e a estabilidade produtiva de cada cultivar.
 
Hoje, existem cultivares recomendadas para todas as regiões produtoras de soja do Brasil, sendo que o rendimento é resultante da menor ocorrência dos diferentes tipos de estresses durante o ciclo da cultura, ou seja, quanto menor o estresse sofrido pelas plantas durante o desenvolvimento, melhor será seu desempenho.
 
 
Sistema de Combinação de Cultivares (SCC):
Uma estratégia inteligente na escolha das cultivares é a adoção do Sistema de Combinação de Cultivares (SCC), que visa proporcionar o aumento do rendimento médio da propriedade, combinando cultivares de soja de diferentes ciclos e características. Neste sistema, as cultivares são divididas proporcionalmente entre os talhões, havendo menor prejuízo no rendimento caso ocorra deficiência hídrica, excesso de chuvas, ataque de pragas e incidência de doenças em determinados períodos críticos do desenvolvimento da cultura.
 
 
Índice de Área Foliar (IAF):
No sistema de produção deve-se buscar, em uma lavoura de soja, um Índice de Área Foliar (IAF) entre 4 e 4,5 m² de área foliar para cada m² de área de solo (relação aproximada de 4:1) para que se tenha rendimentos elevados. Esse IAF proporciona um aproveitamento de, aproximadamente, 95% dos raios solares pelas folhas distribuídas nas plantas, o que acarreta o melhor aproveitamento da luminosidade para fotossíntese.
 
Para que se entenda melhor a necessidade das plantas de soja e para que se conduza a um excelente sistema de combinação, basta observar como eram as características das plantas entre as décadas de 1980 e 1990. Nessa época, as cultivares se caracterizavam por grupos de maturação maiores (mais tardias) e potencial de IAF de aproximadamente 8:1 (muito acima do que a cultura necessita). Contudo, ao emergirem, sofriam ataques de insetos, que ocasionavam a perda de algumas plantas pela ineficiência dos tratamentos de sementes que não possuíam inseticidas. Também ocorriam perdas de IAF no controle de plantas daninhas, pois os herbicidas apresentavam fitotoxidez à cultura. E, quando as plantas estavam quase recuperadas, era necessário o uso de inseticidas para controle de lagartas, onde o nível de dano somente era atingido ao apresentar 40 lagartas por batida de pano (recomendação da época). Assim, o IAF, que iniciava com potencial de 8:1, era reduzido a aproximadamente 4:1, ou seja, a soja era induzida a perder elevadas quantidades de área foliar, mas ainda sobrava o suficiente para produtividades entre 2.400 e 3.000 kg/ha.
 
Atualmente, as práticas culturais estão direcionadas à redução de perda de área foliar, sendo que as cultivares mais produtivas são as que conseguem desenvolver IAF em torno de 4:1 no talhão onde são inseridas, utilizando, com isso, toda a energia disponível no ambiente (água, luminosidade, nutrientes). Para isso, os produtores e os profissionais da área agronômica devem ter muito "conhecimento" das características das cultivares e, principalmente, do local onde elas serão inseridas. O manejo ideal da cultura deve ser realizado objetivando a menor perda de área foliar possível, resultando em IAF próximo aos 4:1 programados. Assim, as cultivares com grupos de maturação menores (mais precoces) e com menor porte (plantas mais baixas) tornam-se mais eficientes em comparação àquelas utilizadas em anos anteriores.
 
 
Características e resultados práticos:
As cultivares de soja, de acordo com seu ciclo e hábito de crescimento, possuem características diferentes entre elas em relação aos períodos da fase juvenil, do florescimento, do enchimento de grãos e da maturação. Podemos observar esses diferentes comportamentos no Gráfico 1, referente a um experimento conduzido na região Sul, com as cultivares amplamente utilizadas naquela região.
 
 
 
É importante considerar que as diferenças entre as diversas cultivares de soja disponíveis para semeadura em cada região podem fazer com que as mais produtivas em determinado ano não sejam tão produtivas no seguinte e vice-versa.
 
Analisando-se os Gráficos 2 e 3, podemos observar como a influência das diferentes características dos dois últimos anos em relação ao clima, ao ataque de pragas e às doenças influenciaram no rendimento de cultivares com ciclos diferentes.
 
Na safra 2012/2013, as cultivares de ciclo mais longo (exceto a cultivar de Grupo de Maturação 6,2 que acabou sendo prejudicada em razão do seu hábito de crescimento determinado) sobressaíram-se nos resultados de produtividade nas regiões que apresentaram deficiência hídrica nas fases críticas da cultura (como na região de latitude 28°11'13" com altitude de 670 m inserida na ZAH 1.1), conforme se verifica no Gráfico 2.
 
 
 
Na safra 2013/2014, o fator mais prejudicial à soja na região Sul foi a forte incidência de ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) com pico de infestação no final do mês de fevereiro e no início do mês de março, justamente quando as cultivares mais tardias necessitavam de toda a sua área foliar preservada para um excelente enchimento de grãos. Já as cultivares mais precoces foram colhidas com alta produtividade, uma vez que a ferrugem asiática não chegou a atingí-las de forma considerável (Gráfico 3).
 
 

As cultivares mais precoces e com porte mais baixo (IAF menor) devem ser utilizadas nas melhores épocas de semeadura, em áreas com baixo risco de deficiência hídrica e com boa fertilidade de solo. Necessário, ainda, que sejam adotadas boas práticas culturais a fim de se obter a menor perda possível de IAF.
 
As cultivares mais tardias e com porte mais alto (IAF maior), por sua vez, devem ser utilizadas nas datas de semeadura fora do ideal e em áreas novas, desuniformes e com fertilidade mais fraca.
 
Portanto, a adoção do Sistema de Combinação de Cultivares (SCC) permite maximizar o rendimento das diferentes cultivares de soja, diluindo os riscos que não estão sob o controle do produtor - riscos climáticos - e os danos por pragas e doenças inerentes a cada safra, bem como possibilitar a melhor organização na utilização das máquinas agrícolas nas práticas culturais e, também, no escalonamento da colheita.
Autor:
Ricardo Zottis, Engenheiro-agrônomo, MSc, Coordenador de Agronomia da DuPont Pioneer e Bernardo Tissot, Engenheiro-agrônomo, Coordenador de Agronomia da DuPont Pioneer
Fonte: