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Artigos

04/02/2015

A importância da correta adoção das tecnologias

​Rissi, como você analisa o agronegócio brasileiro com foco principal na cultura do milho?
Roberto de Rissi - Na última safra, a média brasileira de produtividade de milho ficou ao redor de 5.400 kg/ha contra 3.400 kg/ha há 10 anos. Isso significa dizer que o Brasil vem mantendo uma taxa de crescimento de produtividade na ordem de 5,0% ao ano.

Em dez anos, nós saímos de uma produção de milho de 35 milhões de toneladas numa área de 12.3 milhões de hectares para mais de 82 milhões de toneladas em 15.12 milhões de hectares. Aumentamos a área com milho em 30% e a produção em mais de 200%. Os números mostram o grande avanço tecnológico que o milho sofreu.
 
E quais são os motivos que levaram a todo esse crescimento?
Roberto de Rissi - A maior competitividade, agora global, e impulsionados por uma melhor visão em relação a gestão das propriedades, o produtor passou a considerar mais claramente os custos das lavouras, incluindo o preço das terras. Dentro do objetivo de encontrar formas de melhor remunerar a atividade agrícola, o milho surgiu como uma alternativa economicamente viável e foi a cultura que mais incorporou tecnologia nestes últimos anos. Assim, a combinação de fatores como o lançamento de híbridos de maior produtividade, a entrada da biotecnologia, a adoção de novas tecnologias de manejo e a modernização dos equipamentos e máquinas agrícolas levou a essa explosão do crescimento da produção de milho no Brasil.
 
Mas ainda temos coisas para melhorar. Ajudar os agricultores a melhorar seus resultados é uma das funções das empresas. Informação é a chave do sucesso tanto para os agricultores quanto para as empresas do setor. A competitividade da agricultura brasileira é extremamente dependente do desenvolvimento e adoção de novas tecnologias. Para conquistar novos mercados e aumentar a rentabilidade dos produtores precisamos ter visão de longo prazo, aumentar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento e criar um ambiente regulatório que incentive o investimento público e privado.
 
Como melhorista e como líder de uma empresa do setor do agronegócio, qual foi a importância das empresas de sementes neste crescimento?
Roberto de Rissi - Para sustentar todo esse crescimento houve a necessidade de investimentos substanciais na área de pesquisa. A começar pelos programas de melhoramento ofertando híbridos mais adaptados às diversas regiões e épocas de plantio, responsivos ao uso de tecnologia e consequentemente mais produtivos, passando pela geração e difusão de informações de manejo e, consequentemente, melhor suporte no campo e, mais recentemente, a incorporação de novas tecnologias, tendo como exemplo a tecnologia Bt. Eles proporcionaram maior segurança aos agricultores e, consequentemente investiram mais e melhor, gerando os resultados alcançados atualmente.
 
Esses investimentos fizeram com que a cultura do milho hoje atinja um novo patamar de produtividade com médias acima de 12, 13, 14 mil quilos por hectare. Além disso, junto com outras culturas, como a soja, mudou o nosso sistema produtivo. Hoje existem duas culturas de milho: a do Verão e a da Safrinha. E isso vem alterando, de forma muito perceptível,o sistema produtivo em muitas regiões produtoras do Brasil, a exemplo dos  estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia. E, desta forma, acabou também interferindo no desenvolvimento de outras culturas, como a soja, que, em função destas mudanças, passou a oferecer novas características que suportassem estes sistemas. Somado a isto, ganhos operacionais no plantio, condução e colheita, por meio de mudanças em práticas de manejo e uso de máquinas e equipamentos mais eficientes e de maior precisão contribuíram substancialmente para essa evolução.
 
Você falou em adoção de tecnologia. Quais são os maiores desafios nesta área?
Roberto de Rissi - O maior desafio foi e vem sendo fazer com que as tecnologias sejam adotadas na íntegra e manejadas corretamente, para que elas apresentem o resultado desejado e se mantenham eficazes pelo maior período possível. A adoção de maneira inadequada ou parcial explica porque, muitas vezes, se alcança resultados fantásticos na rede de ensaios das empresas, entidades de pesquisa ou fundações e, os mesmos não se concretizam nas lavouras ou, quando se concretizam, estão abaixo dos índices obtidos nos ensaios. Isso, muitas vezes, faz com que as tecnologias sejam questionadas.
 
A questão da adoção da tecnologia é que ela deve ser adotada na íntegra e, via de regra, deve estar combinada com outras práticas de manejo para aumentar a segurança quanto a sua eficiência e sustentabilidade. E não há milagres. Uma tecnologia isoladamente não produz resultados milagrosos. O que há na prática é um somatório de efeitos devido à combinação existente entre elas.
 
No caso das tecnologias Bts ainda existe uma característica toda especial que é o fato de que as práticas de manejo da resistência devem ser adotadas por todos os que utilizam esta tecnologia. Isso demonstra que, cada vez mais, estamos integrados e os resultados e sucessos dependem desta integração. Mas, temos muito a evoluir neste quesito.
 
Então, a tecnologia Bt entra nesta mesma linha de raciocínio em termos de adoção?
Roberto de Rissi - Sim. Veja que a tecnologia Bt com suas diferentes proteínas tiveram sua aprovação no Brasil rapidamente e no campo logo mostraram o seu grande diferencial e valor. Isso fez com que a adoção fosse igualmente veloz. E isso talvez tenha levado alguns produtores a subestimar a importância do manejo da tecnologia, mesmo que todo um esforço de comunicação tenha sido feito para alertar neste sentido.
 
Assim, a não adoção ou baixíssima adoção das áreas de refúgio e a falta de combinação de várias práticas de manejo como dessecação antecipada, monitoramento da lavoura, uso de inseticidas com rotação de diferentes mecanismos de ação quando do atingimento de nível de danos e outras práticas, fizeram com que elas diminuíssem sua eficácia para algumas pragas.
 
Somado a isso, nós temos que considerar que o nosso país guarda características particulares. O Brasil é um país tropical com características climáticas diferenciadas e que interferem no ciclo e na vida dos insetos. A temperatura mais elevada, e a existência de hospedeiro (vegetação) a todo e qualquer momento, propiciam uma maior taxa de multiplicação e desenvolvimento das pragas. Isso faz com que ocorra um elevado número de gerações de insetos dentro do ciclo da cultura, culminando com uma maior pressão de insetos muitas vezes desde as fases iniciais.
 
Esse ambiente todo particular faz com que os cuidados básicos e fundamentais para manutenção da eficácia e proteção das tecnologias sejam obrigatoriamente dotados. Mas, infelizmente não foi o que aconteceu no Brasil. A título de exemplo, recentes pesquisas apontam que apenas 20% dos agricultores, que utilizam a tecnologia Bt, adotam áreas de refúgio. A tecnologia Bt deve ser usada como parte do Manejo Integrado de Pragas e não como uma solução única para o complexo de pragas que temos no Brasil.
 
Em razão deste cenário, hoje, estudos realizados pela DuPont Pioneer apontam registros recentes do desenvolvimento de resistência a campo de populações de lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) às tecnologias Herculex® I e Optimum TM Intrasect TM . Esse monitoramento de resistência faz parte de um protocolo e rotina da empresa.
 
Entretanto, os produtos com as tecnologias Herculex® I e Optimum TM Intrasect TM continuam a oferecer controle efetivo contra um amplo espectro de pragas, quando combinados com as melhores práticas de manejo. A tecnologia Herculex® I oferece proteção contra pragas do colmo (Diatraea sacharallis) e da espiga (Helicoverpa zea). E tecnologia Optimum TM Intrasect TM também oferece proteção contra a lagarta-elasmo e lagarta-rosca.
 
Mas, alertamos que nenhuma tecnologia Bt está imune à possibilidade do desenvolvimento de resistência a campo com o tempo. Por isso, todas as empresas que comercializam a tecnologia Bt estão constantemente desenvolvendo novas pesquisas e criando novos produtos, além de atualmente estarem envolvidas numa campanha liderada pela ABRASEM para divulgar as melhores práticas de manejo de pragas e manejo da resistência.
 
Rissi, você citou vários aspectos que contribuíram para o desenvolvimento de populações resistentes de lagarta-do-cartucho no Brasil. Você poderia detalhar um pouco mais sobre isto?
Roberto de Rissi - Conforme eu falei, a falta de adoção de práticas de manejo de resistência e de manejo integrado de pragas contribuiu bastante para isso. O desenvolvimento de resistência é um processo de seleção natural onde os insetos, adaptados ou resistentes a essa tecnologia, presentes na população aumentam sua frequência. As técnicas de preservação atuam exatamente no sentido de reduzir esse aumento. Importante entender que não se trata de uma alteração da tecnologia Bt mas sim de uma mudança ou evolução da população de pragas. E veja que não é algo particular para as tecnologias Bt. Desenvolvimento de resistência acontece com medicamentos, defensivos agrícolas e outras áreas.
 
Resistência de bactérias aos antibióticos é um grande desafio para a área médica e hospitalar. Resistência de insetos aos inseticidas, de plantas daninhas aos herbicidas e de doenças aos fungicidas são observados com muita frequência.
 
O histórico biológico do manejo de pragas demonstra que as pragas possuem uma habilidade comprovada de superar mecanismos de controle. Isso requer que sejam utilizadas várias ferramentas de manejo para controle das pragas.
 
No caso específico da lagarta-do-cartucho, além das condições tropicais do país permitirem elevar ainda mais a taxa de multiplicação deste inseto, proporcionando o aparecimento de inúmeras gerações durante o ciclo da cultura, aumentando o número de indivíduos na área, esta praga tem ampla capacidade de adaptação hospedando-se em vários vegetais. Ela também é um inseto de alta mobilidade, onde os adultos podem se movimentar por longas distâncias. Todo esse conjunto faz com que esta praga se torne potencialmente perigosa.
 
Roberto, diante desta constatação de desenvolvimento de populações resistentes para a Spodoptera frugiperda, qual é a posição da DuPont Pioneer e por que devo continuar plantando os produtos marca Pioneer® ?
Roberto de Rissi - A DuPont Pioneer, desde o início da introdução da tecnologia Bt, vem orientando seus clientes quanto a adoção das melhores práticas, alertando a possibilidade do desenvolvimento de populações resistentes se essas práticas não forem atendidas e sempre procurando atuar de maneira ética e transparente para com o mercado. Também respeita o direito de escolha dos produtores, ofertando tanto as versões convencionais quanto as versões transgênicas com diferentes tecnologias Bts.
 
Os produtos marca Pioneer® com as tecnologias Herculex® I e Optimum TM Intrasect TM continuarão sendo oferecidos ao mercado. Ao optar pelos nossos produtos, o agricultor deve basear suas escolhas nas características agronômicas como tolerância às principais doenças, ciclo, estabilidade e do potencial produtivo de nossa base genética.
 
Os melhores e mais consistentes resultados na lavoura serão alcançados por meio da combinação da nossa base genética, uso adequado das tecnologias e adoção de melhores práticas de manejo.
 
Mesmo que as pesquisas realizadas pela DuPont Pioneer apontem registros recentes do desenvolvimento de resistência a campo de populações de lagarta-do-cartucho (Spodoptera  frugiperda) às tecnologias Herculex® I e Optimum TM Intrasect TM, estas tecnologias continuam a oferecer controle efetivo contra um amplo espectro de pragas, quando combinados com as melhores práticas de manejo.
 
Em função disso, a DuPont Pioneer continua recomendando o refúgio estruturado ou em bloco por considerar a melhor alternativa para o complexo de pragas brasileiras. Além do refúgio, continua indicando que sejam adotadas as melhores práticas de manejo de insetos como:
 
a) dessecação antecipada, eliminando plantas daninhas e plantas voluntárias;
b) monitoramento da área e, quando necessário, aplicar inseticida no pré-plantio;
c) uso de tratamento de sementes, visando controle de pragas iniciais;
d) monitoramento da lavoura desde a emergência e, em caso de danos, aplicar inseticidas foliares, preferencialmente com rotação de mecanismo de ação;
e) rotação de culturas, visando a redução da pressão de insetos principalmente nas fases iniciais.
 
A observação e adoção dessas práticas por todos os agricultores é fundamental para a preservação da eficácia e longevidade das tecnologias contra todas as pragas para as quais elas ainda apresentam bom controle e não somente para a lagartado-cartucho (Spodoptera frugiperda) que, apesar de ser uma das mais importantes na cultura do milho no Brasil, não é a única praga que causa danos significativos às lavouras.
 
Roberto, para finalizar a nossa entrevista. Diante desta perda de eficiência das tecnologias para a lagarta-do-cartucho, a DuPont Pioneer estudou alguma proposta ou adequação comercial a partir desta safra que se inicia, quando foi constatada cientificamente no campo esta menor eficiência?
Roberto de Rissi - Todas as safras, nós avaliamos a performance de nossos produtos, visando observar a necessidade de algum ajuste. Esta avaliação tem como objetivo medir, de maneira transparente, o que estamos entregando e o que não estamos entregando de valor para os nossos clientes.
 
Nesta avaliação são considerados vários itens que compõem este valor final entregue. Sabemos que é difícil quantificar e atribuir isoladamente a participação que cada componente tem. Isso porque trabalhamos com algo biológico e, portanto, o resultado depende das interações que ocorrem.
 
Mas, mesmo assim, sabemos avaliar se estamos entregando o mesmo valor ou não. Para isso, envolvemos as nossas equipes técnicas, de marketing, vendas, pesquisa e de campo para uma tomada de decisão consciente e justa.
 
A Pioneer tem 42 anos de Brasil e, hoje, é marca líder no segmento do mercado de sementes milho. E isso foi conquistado graças a muito trabalho, esforço e, não podemos esquecer da confiança que nossos clientes depositaram na empresa durante todo esse tempo que foram os fatores que nos permitiram chegar onde chegamos.
 
A empresa fez ajustes dentro do que considerou justo. E essas condições podem ser conhecidas através do contato com a nossa rede de representantes comerciais dos produtos marca Pioneer® . Essas equipes poderão explicar melhor toda a linha de raciocínio que a empresa adotou para ser a mais justa, ética e transparente possível com os seus clientes.
 
Para terminar eu gostaria de agradecer o espaço para abordar o tema e, ao mesmo tempo, desejar uma excelente safra e que alcancem elevados índices de produtividade com os nossos produtos.
 
 
 
 
 
 
 
Autor:
Roberto de Rissi, Diretor-executivo da DuPont Pioneer Brasil
Fonte: