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Artigos

02/04/2015

Silagem de milho na Safrinha: Um investimento!

O equilíbrio entre preço e custo, certamente, é o maior desafio em toda atividade e não será diferente para nossa pecuária em 2015. Embora o mercado venha se recuperando nos últimos anos, os produtores precisam ter cautela na hora de planejar sua atividade. De qualquer forma, se não houver aumento de produtividade (ex.: litros/vaca ou litros/ha) o produtor certamente terá grandes dificuldades na gestão do seu negócio. Por outro lado, todo o aumento de produção somente é alavancado pela maior produtividade e oferta de comida para o rebanho, em especial a silagem de milho.

Segundo Paulo Martins, economista da Embrapa Gado de Leite, em 2015 a região Sul vai superar a Sudeste na produção de leite (Figura 1). "A produção de leite em São Paulo decresceu e, em 2012, foi 13,8% menor que em 1990. O Estado deixou a condição de segundo colocado e passou para a quinta posição no ranking nacional. A produção do Rio Grande do Sul era de 74% em relação a de São Paulo, em 1990. Mas, cresceu 178,9% e já, em 1999, este Estado deixou São Paulo para trás. Hoje, ocupa o segundo lugar em termos de produção nacional. Também Santa Catarina viu sua produção crescer mais de quatro vezes, ou seja, 317,8% e, desde 2007, esse pequeno Estado apresenta produção maior do que São Paulo (Figura 2)", relata o pesquisador.

 
 

Na região Sul, o custo da terra é elevado em função do menor tamanho das áreas e por competir com atividades agrícolas, principalmente a cultura da soja, de modo que a única maneira de ser competitivo é ser cada vez mais produtivo. No Sudeste, além da possibilidade de arrendamento da área para outros cultivos, principalmente a cana-de-açúcar, a expansão das áreas cultivadas de soja "empurram" a pecuária para sistemas de produção mais intensivos, onde a transformação de insumos em leite e carne, de forma economicamente eficiente, ocupam rapidamente o lugar da pecuária de baixa produtividade, onde não se consegue produção em escala e padrões mínimos de qualidade para agregação de valor.

Cada vez mais o produtor precisa produzir mais forragem na mesma área disponível, de modo que se tenha maior estabilidade e menores custos na produção de alimentos. O produtor deveria pensar nisso como a "segurança alimentar do rebanho".

É nesse cenário que o plantio de milho Safrinha vem se tornando, cada vez mais, uma das principais formas de se produzir alimento volumoso de qualidade num período crítico.

Na Figura 3 temos a área total de milho de Verão e Safrinha plantados na última safra. Obviamente que foram as melhores condições agronômicas e de mercado das culturas de soja e do milho grão que determinaram essa inversão no total da área plantada entre Verão e Safrinha nos últimos anos. Mas não podemos negar que se a silagem, que já representa cerca de 20% da área total das lavouras de milho, não contribui em muito para esse cenário, certamente pegou uma "boa carona".

 

Do ponto de vista agronômico a escolha dos melhores híbridos para produção de silagem tem levado em consideração uma combinação de fatores como a precocidade, sanidade foliar e estabilidade agronômica do material. A colheita deve ser mais rápida de modo a permitir que as culturas seguintes, que podem ser também forragens de inverno, não tenham seu período ideal de plantio comprometido. Por outro lado, tem sido grande o desafio da manutenção de condições mais adequadas ao cultivo, principalmente quanto ao controle de pragas e doenças. Nesse sentido os bons produtores têm percebido que a biotecnologia, associada ao Manejo Integrado de Pragas (MIP), tem sido a ferramenta encontrada para controlar os danos na lavoura e melhorar a qualidade da silagem. Fatores intrínsecos à planta, além da produtividade de grãos, como digestibilidade da fibra, têm sido conseguidos por meio de tecnologias associadas à tolerância de doenças foliares e de colmo, de modo que plantas mais sadias têm apresentando também melhor qualidade de fibra.

O avanço tecnológico no cultivo do milho Safrinha pôde ser verificado nas últimas safras onde, em algumas regiões, em função dos danos causados pela seca nas lavouras de verão, as melhores colheitas de milho foram as provenientes da segunda safra.

Toda atividade agropecuária está sujeita a oscilação de preços e custos, provocadas pela volatilidade dos mercados. A busca pela eficiência e produtividade será sempre o caminho mais seguro a ser trilhado, pois, além de gerar melhores resultados financeiros em épocas normais, protege economicamente o produtor nas épocas de crises.

Leia mais: Martins, P. Região Sul será campeã de produção.
de_producao_sul_sudeste_producao_leite_produtividade_preco_cooperativas_negocio_competicao_produtores_5359.aspx

Autor:
João Ricardo Alves Pereira - Professor Adjunto do Depto. de Zootecnia - Curso de Zootecnia UEPG/Castro-PR
Fonte: