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Artigos

08/04/2015

Dessecação para colheita antecipada da soja e cuidados com percevejos na Safrinha de milho

​Atualmente o sistema de produção de soja superprecoce+milho Safrinha vem se tornando uma realidade cada vez mais presente na agricultura de outros estados fora do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. Essa combinação de sucessão soja+milho Safrinha tem viabilizado economicamente várias propriedades que têm adotado tal sistema.

Uma prática bastante comum e muito utilizada pelos agricultores como forma de antecipar ainda mais a colheita da soja e consequente liberação desta para o plantio do milho na sequência é a dessecação antecipada da cultura da soja.

Esta técnica pode antecipar a colheita de três dias a uma semana, dependendo da umidade do grão no momento da dessecação, do produto utilizado e das condições climáticas após a aplicação. Embora pareça curto, esse período pode representar muito no potencial produtivo da Safrinha e trazer benefícios como uniformidade de maturação, antecipação da colheita, plantio do milho Safrinha com menos pressão de plantas daninhas, melhor aproveitamento da umidade do solo e chuvas, dessecação de plantas invasoras adultas, eliminação de plantas daninhas jovens e transporte de grãos com menos impurezas.

Na literatura existem alguns parâmetros que podemos utilizar para identificar com segurança o melhor momento para esta prática. Um deles é verificarmos o momento em que a planta da soja completa a sua maturação fisiológica, ou seja, quando ocorre o maior acúmulo de matéria seca no grão e a partir do qual a cultura só perde água. Isto ocorre a partir do estádio R6.5 (pelo menos uma vagem madura do terço superior da planta, segundo a escala de estádios de Ferh & Caviness). O mais recomendável, nesse caso, é que se faça a dessecação após o estádio R6.5 e R7, onde o estádio R7 (veja Figura 1) é de mais fácil visualização a campo - mais de 50% das folhas amareladas. (Borges, E.P & Siede, P.K, Fundação MS).

 

Contudo, na pressa para se adiantar a colheita e realizar o plantio da Safrinha, muitos agricultores estão "antecipando" este processo, realizando a dessecação fora do ponto ideal, o que acarreta perdas de produtividade.

Num trabalho recente realizado na Fundação MT, vemos que o ponto ideal desta dessecação está no estádio R7.3 (Figura 2), que é onde 76% das folhas estão amarelas e prontas para receber o dessecante (Kappes, C. Fundação MT). Algumas práticas corriqueiras de antecipar essa operação podem comprometer a produtividade da soja com uma redução de até 12 sacas por hectare, o que dificilmente será compensado economicamente pela cultura subsequente.

 

A escolha dos herbicidas para a dessecação vai depender das plantas daninhas predominantes na área. Caso predominem gramíneas, deve-se optar por herbicida a base de Paraquat. No caso de ervas daninhas de folhas largas, deve-se optar por herbicidas a base de Diquat. Ambos possuem ação de contato, não apresentam resíduos na soja e têm seu processo de absorção completado em 30 minutos, sendo que chuvas após esse período não interferem no funcionamento do produto. Se ocorrerem dias chuvosos após a dessecação, pode não haver grande antecipação da colheita. Entretanto, após a chuva cessar, a perda de umidade é mais rápida na área dessecada. Trabalhos têm mostrado que a dessecação não interfere na produtividade, na incidência de doenças e na germinação, mesmo que ocorram períodos chuvosos após a aplicação. (SILVA NETO, S. P).

Na sequência da entrada na lavoura para as operações de dessecação, temos um inimigo perigoso que, muitas vezes, passa despercebido e que podemos intervir de forma eficaz em seu controle - os percevejos (Figura 3).

 

Os percevejos sempre desempenharam papel importante, causando danos expressivos na cultura da soja. Entretanto, a população das espécies de percevejos predominantes na cultura da soja - percevejo verde (Nezara viridula) (Figura 3) e o percevejo-marron (Euchistos heros) (Figura 4) - vem aumentando e ocasionando danos também nas áreas de milho Verão e particularmente nas áreas de milho Safrinha. Essas espécies têm recebido especial atenção pelos produtores, cuja predominância de um ou outro varia em função de ano e de região. Embora todo o complexo de espécies de percevejos tenha importância econômica, algumas espécies que ocorrem no final do ciclo da soja, como o percevejo-barriga-verde, Dichelops furcatus (Fabr, 1775) e Dichelops melacanthus (Dallas, 1851) (Heteroptera: Pentatomidae), não têm merecido devido controle na cultura da soja. (Dallas, 1851).

 

Devido à sua relevância, é importante que as operações de manejo no final do ciclo da cultura da soja contemplem o controle dos percevejos, seja após a última aplicação de fungicida ou no momento da dessecação da cultura, visando a diminuição dos níveis populacionais que comprometerão seriamente o desenvolvimento inicial do milho Safrinha, prejudicando o estande e o potencial produtivo.

Sabemos que dependendo da idade da plântula e da intensidade da infestação, o dano do percevejo pode causar desde sintomas leves até morte da mesma (Figura 5). Esta inicia com o murchamento das folhas centrais (sintoma de "coração morto") e termina com a seca total da planta, reduzindo o estande da cultura. Não raro, danos severos de percevejo são confundidos com danos provocados por lagartas mastigadoras como a lagarta-do-cartucho do milho.

 

A alimentação do percevejo pode, ainda, promover alterações fisiológicas na planta à semelhança da retenção foliar na soja. Nas folhas das gramíneas, o dano do percevejo não permite a abertura (desenrolamento) do limbo foliar, formando o sintoma denominado "encharutamento". Em alguns casos, pode provocar o superperfilhamento, cujo sintoma é conhecido como "enrosetamento" ou pode, ainda, causar apenas lesões (furos) simétricas com bordas amareladas no limbo foliar (Waquil, J.M. & Oliveira, J.L, Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas-MG/Embrapa Soja, Londrina-PR).

Em ensaios realizados pela equipe de pesquisa da DuPont Pioneer, observou-se também que o ataque de Dichelops furcatus (Figura 3 - primeira foto), além de reduzir o número de plantas e/ou causar deformação, alterou o padrão de florescimento em alguns híbridos, o que levou à falta de sincronia entre a emissão dos pendões e à emissão das espigas.

Abaixo apresentamos uma tabela onde temos as ações de manejo (número de percevejos por metro e número de pontos de amostragem por área) com base no monitoramento e nível de controle bem como no preparo das iscas para realização deste monitoramento.

 
 

Outro ponto que é a utilização de híbridos com as várias combinações das tecnologias Bt´s para resistência às lagartas, tem-se observado muitas vezes que o agricultor não realiza aplicação de inseticida nesta primeira fase devido a quase ausência de danos iniciais e isto pode nos deixar desatentos para a ocorrência dos percevejos e também da diminuição populacional das lagartas. Portanto, a melhoria do manejo destas pragas depende de um monitoramento mais sistemático da população no agroecossistema (inclusive na soja) e do aprofundamento dos estudos da sua ecologia, principalmente da dinâmica populacional e da interação inseto/planta.

Finalmente, alertamos para que, mesmo após o manejo de inseticida junto com a última aplicação do fungicida na soja, se faça um monitoramento da lavoura próximo à fase de dessecação (Figura 6) e, caso necessário, se faça uma nova pulverização contra os percevejos, visando diminuir a população deste inseto próximo ao plantio do milho Safrinha.

 
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