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Artigos

16/04/2015

Contribuição da biotecnologia para altas produtividades na Safrinha

​A evolução da produtividade da segunda safra de milho, mais conhecida como Safrinha, é notória a cada ano que passa. Produtores cada vez mais empreendedores e investidores, híbridos cada vez mais produtivos, práticas de manejo adequado, época de semeadura, entre outras, faz com que aumente a produtividade safra após safra. Isso motiva toda a cadeia (produtores, cooperativas, revendas, companhias de semente) a buscar cada vez mais produtividade com segurança na Safrinha. Em algumas regiões existem produtores alcançando produtividades muito altas, sendo parecido até mesmo com o ambiente de verão. Conforme o Gráfico 1, podemos ver que, após a introdução do milho Bt, houve um aumento expressivo em produtividade, criando um novo patamar. Existem vários fatores que podem ter influenciado para esse aumento, mas o melhor controle das lagartas é um dos mais importantes.

 

Sendo considerado por muitos como a principal praga da cultura do milho, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) era o grande foco de controle. Muitas outras pragas eram simplesmente esquecidas. Entretanto, lagartas que eram consideradas secundárias como Diatraea saccharalis (broca-dacana), Agrotis ipsilon (lagarta-rosca), Elasmopalpus lignosellus (lagarta-elasmo) e Helicoverpa zea (lagarta-da-espiga), vinham causando danos indiretos e trazendo prejuízos que, muitas vezes, eram maiores que a lagarta-do-cartucho. As primeiras tecnologias de milho Bt vieram e controlaram muito bem todas as lagartas acima. Com o passar do tempo a lagartado-cartucho foi desenvolvendo a resistência à tecnologia Herculex® I e OptimumTM IntrasectTM (ver artigo sobre resistência nesse boletim informativo - páginas 16 a 19). Entretanto, as lagartas secundárias estão sendo muito bem controladas por essas mesmas tecnologias. Para entender melhor, descrevemos abaixo essas lagartas e seus possíveis danos:

 

Diatraea saccharalis
(broca-da-cana)

Os prejuízos indiretos desta praga são mais importantes economicamente, pois as galerias construídas no interior do colmo tornam as plantas mais suscetíveis ao tombamento, infertilidade dos pendões, redução da produtividade e ainda favorecem a entrada de patógenos oportunistas. Segundo Ivan Cruz (2007), ao atacarem o interior do colmo da planta, as larvas ocasionam danos que podem acarretar perdas entre 10 e 50% nos rendimentos. As maiores perdas são advindas de ataques nos entrenós mais próximos à espiga, pois produzem interferência na circulação de nutrientes elaborados pela planta, que são carreados para uma maior produção de folhas, em vez da produção de grãos, em comparação com os ataques.

 

Agrotis ipsilon
(lagarta-rosca)

Esta praga provoca significativa perda de estande, pois secciona o colmo da planta na altura do colo, configurando o sintoma de "coração morto". Além disso, pode ocorrer a emissão de perfilhos. Segundo Martins (2000), uma lagarta é capaz de destruir até 6 plantas. Em períodos de seca, o controle efetuado com inseticidas aplicados na semente ou em área total é insatisfatório pela dificuldade de contato do inseticida.

 

Elasmopalpus lignosellus
(lagarta-elasmo)

É muito difícil o manejo em solos arenosos (bem drenados) e sob vegetação de cerrado (principalmente no primeiro ano de cultivo) em períodos secos e com altas temperaturas. Atenção redobrada nos primeiros 30 dias após a emergência. Assim como a lagarta-rosca, a lagarta-elasmo também causa danos conhecidos como "coração morto" e causa perdas significativas no estande.

 

Helicoverpa zea
(lagarta-da-espiga)

Devido ao hábito da mariposa em depositar ovos no estigma da planta e a lagarta se desenvolver dentro da espiga, a Helicoverpa zea é chamada de lagarta-daespiga. Podemos dividir os danos em:
1- Diretos - que causam perdas de produtividade devido à destruição dos grãos, podendo chegar até 8%; e
2- Indiretos - podem ser entrada para fungos que causam os grãos ardidos. Devido à localização da lagarta dentro da espiga, o controle com inseticidas é muito difícil de acontecer. As tecnologias Bt associadas às praticas do MIP (Manejo Integrado de Pragas) oferecem um bom controle para essa praga. Para a identificação, temos que ter atenção pois podemos confundí-la com a lagarta-do-cartucho, visto que ambas são muito parecidas.

 

Considerado em muitas regiões como a principal praga da cultura do milho, o percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus) não é controlado por nenhuma tecnologia Bt. Para o controle efetivo dessa praga, temos que considerar os seguintes fatores:
1- Monitoramento e controle na cultura da soja;
2- Tratamento de semente com produtos registrados para o controle;
3- A partir da emergência, monitoramento e controle para sempre que for achado, na média de várias avaliações, 1 percevejo vivo por grupo de 10 plantas.

Podemos concluir que a biotecnologia teve um papel fundamental para o incremento de produtividade da cultura do milho na Safrinha, pois controlou muito bem as cinco principais lagartas da cultura que causavam grandes prejuízos, fazendo com que a genética expressasse o seu maior potencial produtivo.

Autor:
Paulo Machinski, Coordenador de Agronomia da DuPont Pioneer
Fonte: