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Artigos

01/10/2004

Fique de olho na ferrugem da soja

O que se está falando sobre a Ferrugem

 Mais um verão se aproxima e os olhos dos sojicultores estão novamente voltados para a Ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi). Dentre as novidades ressaltadas na XXVI Reunião de Pesquisa de Soja da Região Central do Brasil destacam-se o grande número e qualidade dos trabalhos, envolvendo o manejo desta doença.

Quando se utilizam as estratégias de controle de doenças, logo se lembra o processo mais eficiente de controle, que seria a resistência genética. Infelizmente, o desenvolvimento de novas cultivares com resistência ou tolerância a esta doença tornou-se ineficaz devido a ocorrência de nova(s) raça(s) de ferrugens verificadas na última safra, comprometendo, em parte, os esforços dos nossos melhoristas na obtenção destas cultivares. A conclusão é que, pelo menos, durante os próximos quatro a cinco anos, o caminho será árduo para obtenção de cultivares com tolerância. Portanto, será importante praticarmos um bom manejo da cultura, plantando na melhor época, usando fungicidas específicos na época e da maneira mais adequada possível e, assim, convivermos com a Ferrugem.

Outro ponto que apresenta uma estreita relação com a maior incidência da doença são, sem dúvida, as condições ambientais para o seu aparecimento e severidade. Como foi visto na safra passada, grande parte do Paraná e Mato Grosso do Sul sofreram uma grande estiagem, desfavorecendo a ocorrência da Ferrugem. Já as condições ambientais no Brasil Central foram caracterizadas por altos índices pluviométricos, o que, além de aumentar a incidência e a severidade da Ferrugem, impossibilitou os agricultores de aplicarem os fungicidas na época correta.

Alguns trabalhos com bons resultados já estão caracterizando o índice de chuva acumulada para manter a superfície da folha favorável para a penetração do fungo e, assim, decidir pela utilização de produtos químicos. Acreditamos que esta também será uma boa forma de se "prever" o início da doença e que em um curto período de tempo poderá estar sendo utilizada com êxito.

Os principais aspectos do manejo da Ferrugem

Os pontos principais no manejo desta doença se relacionam com a quantificação do nível de dano, época de controle, produtos químicos testados, modo de aplicação e até quando avaliar o nível de infecção para uma nova aplicação.

A maioria dos técnicos e produtores no Brasil Central já se preparou para enfrentar a Ferrugem da soja, adquirindo novos pulverizadores, comprando fungicidas para pelo menos duas aplicações e, inclusive, já definiram as datas (estádios fenológicos) de aplicação. A maioria irá fazer a primeira aplicação em R2 (plena floração) e a segunda em R5.1(grãos perceptíveis ao tato a 10% da granação) a R5.2 (maioria das vagens com granação de 11 a 25%).

Se a Ferrugem chegar antes, o que fazer?

Alguns pesquisadores alertam que é possível que isso ocorra devido a fontes de inóculos maiores nesta safra. Só para se ter uma idéia, já foi identificado que algumas plantas daninhas poderão multiplicar o fungo da Ferrugem e começar o processo de infecção mais cedo, como o leiteiro (Euphorbia heterophyla) e a corda-de-viola (Ipomea spp.), segundo Juliatti, et al. (2004).

Outro fato importante é a atitude que alguns produtores tomaram, plantando soja nos pivôs centrais do Centro-Oeste. Mesmo com o controle químico poderá favorecer o aparecimento da Ferrugem nos plantios de verão do próprio agricultor ou mesmo dos seus vizinhos, aumentando grandemente o inóculo.

Como fazer, então?

Mais uma vez a agricultura nos mostra que o melhor meio e mais racional de se manejar uma cultura é simplesmente monitorá-la.

O Brasil inteiro aprendeu a um custo bem elevado como identificar a Ferrugem da soja, como também estudou os produtos que funcionam melhor para o seu controle. O monitoramento, sem dúvida, será o grande diferencial nesta safra. Os melhores produtos quanto ao desempenho são aqueles à base de triazóis, juntos ou separados das estribirulinas, e estarão sendo classificados quanto a sua eficiência pela comissão de fitopatologia, coordenada pela Embrapa CNPS. Esta classificação deve ser publicada no próximo mês. Este monitoramento dará subsídios para uma possível antecipação ou atraso da aplicação do fungicida, sendo que ambos os casos poderão implicar num melhor desempenho do produto ou ainda economizar uma aplicação sem interferir na produtividade final.

Tecnologia de aplicação

Outro fator de extrema importância refere-se ao modo de aplicação dos fungicidas. Hoje, já se sabe que tanto a aplicação terrestre como a aérea podem funcionar bem para o controle desta doença. Na aplicação terrestre recomenda-se vazão de 150 a 200 litros de calda/ha. Mas, há bastante divergência entre os pesquisadores no que se refere a ponta de pulverização. Alguns se mostram bastante favoráveis a leques duplos e outros a bicos cone. Na aplicação aérea, verificaram-se ótimos resultados com aplicação de UBO, ultrabaixo volume oleoso, com vazões próximas de 10 litros de calda/ha. Em ambas as técnicas, lembramos da importância de se atentar para não se aplicar nos horários mais quentes do dia nem com ventos fortes e umidade relativa baixa.

Que outras doenças deverão ser monitoradas?

O monitoramento não somente favorecerá uma melhor época para o controle da Ferrugem, mas também permitirá a identificação de outras doenças como Septoria, Cercospora, Antracnose e Mela, que poderão causar os mesmos danos da Ferrugem asiática se não controladas adequadamente. Lembramos que a maioria dos fungicidas utilizados para o controle de Ferrugem não possui um controle satisfatório para as doenças como a Mela e a Antracnose. Este fato foi evidenciado no sudoeste de Goiás e todo o estado do Mato Grosso, que são regiões onde normalmente ocorrem chuvas abundantes, predispondo a uma maior incidência da Antracnose, com baixa efetividade dos fungicidas utilizados para esta doença.

Verificamos nesta safra o aparecimento de níveis de fitotoxidez com produtos à base de triazóis em algumas cultivares de soja existentes no mercado. Esses casos ocorreram em baixa escala e foram relacionados, principalmente, a doses mais elevadas dos triazóis ou aplicações em horários muito quentes e/ou associação com óleo mineral e inseticidas organofosforados, além de uma certa susceptibilidade de algumas cultivares de soja. Dentre as cultivares de soja da Pioneer, verificamos que a DMVitória apresentou, em alguns casos, maior nível de fitotoxidez, devendo os agricultores tomar os devidos cuidados com dosagens, misturas e horários de aplicação.​

Fonte: