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Artigos

21/06/2016

Semente: o insumo mais importante da sua lavoura

por Paulo Dejalma Zimmer, Dr. Prof. Faculdade de Agronomia da UFPel e Coordenador do Programa de Pós Graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes / UFPel
Mártim Zamchett Groth, Doutorando no PPG Sementes / UFPel
Simone Morgan Dellagostin, Doutoranda no PPG Sementes / UFPel
Gustavo Zimmer, Mestrando no PPG Sementes / UFPel
Gustavo Henrique Demari, Doutorando no PPG Sementes / UFPel

A obtenção de lavouras altamente produtivas depende essencialmente de quatro pilares: 1) melhor genética possível; 2) acúmulo de plantas produtivas; 3) resposta de cada planta ao ambiente e ao programa nutricional; e 4) programa de proteção. No quesito genética, existe ampla disponibilidade de cultivares com elevado potencial produtivo. Com respeito ao acúmulo de plantas produtivas por área, o qual incorpora o número suficiente de plantas bem como a ausência de falhas ou adensamentos (duplos e triplos) nas linhas de cultivo, a distribuição das plantas nas lavouras brasileiras é ainda insatisfatória. No que se refere à maior resposta de cada planta, dependerá da capacidade em aproveitar os recursos ambientais e dos nutrientes fornecidos através do programa nutricional. Finalmente, o programa de proteção fitossanitária será responsável por resguardar o potencial produtivo.

Uma lavoura bem construída apresenta número ideal de plantas conjuntamente à uma ótima distribuição, o que permite excelente aproveitamento dos espaços disponíveis. Individualmente, essas plantas apresentam alto vigor e uniformidade sendo capazes de responder positivamente aos recursos fornecidos pelo ambiente. Percebe-se que, melhorias visando o acúmulo de plantas produtivas e a melhor resposta de cada planta são os fatores que mais contribuem para o aumento da produtividade. Nesse sentido, o conjunto semente/semeadura de altíssima qualidade compõe o alicerce para a construção da lavoura ideal, sendo que não há insumo capaz de contribuir tanto para a produtividade quanto a semente de altíssima qualidade bem distribuída no solo.

A qualidade da semente pode ser dividida em quatro atributos: qualidade física; fisiológica; genética e sanitária. Dentre eles, a qualidade física e fisiológica são as que mais interferem na distribuição de plantas e resposta de cada planta na lavoura, para o bem ou para o mal. Sementes com elevada qualidade física têm estrutura íntegra, apresentam uniformidade de tamanho e forma, são puras (ausência de daninhas ou material inerte) e têm elevado peso volumétrico, permitindo maior uniformidade na distribuição das sementes durante a semeadura e maior disponibilidade de reservas para o estabelecimento da plântula. Já a qualidade fisiológica engloba características importantíssimas, como a germinação que se refere a um elevado número de sementes viáveis (diminuindo a ocorrência de falhas), e o vigor, o qual garante características como o estabelecimento rápido e uniforme e a tolerância a condições estressantes durante a germinação e emergência.

Ao constituir uma lavoura, antes mesmo que uma única plântula tenha emergido, mais da metade do investimento necessário à produção já foi consumido e, ao mesmo tempo, grande parte do potencial produtivo pode ter sido comprometido devido a problemas na qualidade da semente ou no processo de semeadura. Por esse motivo, além de utilizar sementes de qualidade, é de extrema importância o treinamento de equipe, a regulagem correta da semeadora, o uso de velocidade adequada e a manutenção dos equipamentos.

A imagem abaixo, obtida em lavoura no estado do Mato Grosso, foi utilizada para representar a situação média de uma lavoura com o objetivo de ilustrar como podemos atingir maiores produtividades. Primeiramente, o uso de sementes de altíssima qualidade permite adequar o número de plantas por área, visto que na imagem existe espaço disponível para no mínimo mais seis plantas na situação demonstrada. Em seguida, dependendo das sementes utilizadas, pode-se melhorar a resposta de cada planta, sendo possível substituir ao menos três plantas de baixo desempenho (semente de baixo vigor) por plantas de alto desempenho (semente de alto vigor).

Várias pesquisas já associaram a qualidade fisiológica de sementes e o desempenho de plantas na produtividade dos cultivos. Dentre eles, destacam-se os trabalhos realizados pelo Prof. Schuch da UFPel, onde houve incremento de 35% no rendimento de grãos nos intervalos de vigor de 70% a 94%, medidos através do teste de emergência à campo. Esses resultados foram posteriormente validados em fazendas do MT. Outro estudo a ser destacado é o realizado por Bagateli e Schuch (2015), onde no intervalo de 65% a 95% de vigor, medidos através do teste de envelhecimento acelerado, constatou-se um aumento de 28 kg de grão/ha por ponto de vigor da semente.

Cientes da relação entre qualidade das sementes e produtividade, fica evidenciado que o produtor rural deve evitar semear o que desconhece. Nesse sentido, o uso de sementes certificadas constitui uma estratégia que visa evitar o uso de sementes de baixa qualidade ou de materiais sem qualidade atestada. Ressalta-se, no entanto, que germinação de 80% não é qualidade suficiente para uma boa lavoura e também que é essencial avaliar germinação e vigor o mais próximo possível da semeadura. Dessa forma, evitam-se surpresas desagradáveis como as ocorridas em inúmeras lavouras no último ano.

Em suma, colher mais implica em dar atenção aos detalhes, na velocidade de semeadura, na manutenção e regulagem da semeadora, no treinamento de equipe e principalmente na escolha da semente, verificando sempre a origem legal do produto.

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