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Artigos

14/07/2016

Resistência: um risco real à Biotecnologia

​A introdução de híbridos marca Pioneer® contendo a tecnologia Leptra® na safrinha 2016 traz ao produtor brasileiro uma excelente ferramenta no auxílio ao controle das principais pragas do milho, dentre elas: lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea), broca-da-cana-deaçúcar (Diatraea saccharalis) e lagartaelasmo (Elasmopalpus lignosellus).

Com o objetivo de monitorar a performance dos híbridos com a tecnologia Leptra®, a DuPont Pioneer iniciou na safrinha 2016 a implementação de ensaios de campo sem a utilização de pulverizações adicionais de inseticidas nas principais regiões produtoras de milho safrinha do país. (Veja Figura 1)

 

 

Em 2009, quando ocorreu o lançamento da tecnologia Herculex® I, em função da sua eficiência, dizia-se, equivocadamente, que as plantas aparentavam ter “folhas de plástico”. Porém, com o passar dos anos, presenciamos o aumento gradual da necessidade do uso complementar de inseticidas para o controle da lagarta-do-cartucho nessa tecnologia, o que ocorreu em função da evolução da resistência de populações desta praga à tecnologia Herculex® I.  Infelizmente, similar tendência está sendo observada em outras tecnologias (Veja Figuras 4 e 5). 

 

Assim como ocorre com os agroquímicos (inseticidas, fungicidas ou herbicidas), o uso repetido do mesmo princípio ativo para controle de determinada praga aumenta a exposição deste, podendo levar ao desenvolvimento de resistência¹ das populações (insetos, patógenos ou ervas daninhas). Da mesma forma, o aumento de adoção de tecnologias Bt e a constante expressão de proteína no ciclo da cultura aumenta a pressão de seleção sobre os insetos-alvo, elevando o risco de desenvolvimento de resistência1

Baseados em dados de pesquisa de mercado (Fonte: Kleffmamn 2009-2014), com aproximadamente 4.000 agricultores, por ano e safra, constatou-se que todas as tecnologias Bt de milho lançadas no mercado brasileiro sofreram a mesma tendência, ou seja, aumento de área plantada e, consequentemente, aumento do uso de inseticidas com o passar dos anos (Figura 4).

Visto por outro ângulo, a Figura 5 mostra a comparação entre área cultivada de determinada tecnologia com a proporção de área real tratada. Por exemplo, nos dois primeiros anos após o lançamento da tecnologia Herculex® I no Brasil (2009), o volume de adoção () era baixo e nenhuma aplicação de inseticida (▄) foi realizada.  Na safrinha de 2011 e 2012, aproximadamente 20% de toda área com Herculex® I sofreu uma aplicação de inseticida para controle de lagarta (Veja o posicionamento do ponto na coluna mostrando área cutivada). Já na safrinha de 2013, esse número passou a aproximadamente 60%. Na safrinha de 2014, após a confirmação de resistência de populações de lagarta-do-cartucho ao Herculex® I², as áreas plantadas com a tecnologia sofreram, em média, 2,3 aplicações de inseticida (Veja o ponto  indicando que a área tratada consiste em mais que o dobro da área plantada). 

 

É de conhecimento que o risco da evolução de resistência de insetos-praga às culturas Bt no Brasil é elevado. A utilização da tecnologia Leptra® requer a adoção de boas práticas de manejo para manter a suscetibilidade das pragas-alvo, prolongando a eficácia e a durabilidade da tecnologia. Como boas práticas³, recomenda-se o Manejo da Resistência de Insetos (MRI), que tem como foco principal o uso de refúgio estruturado efetivo, controle de plantas daninhas pré e pós-plantio, rotação de culturas e o uso de inseticidas químicos para o controle adicional de pragas quando necessário (tratamento de sementes e/ou aplicação foliar).

Vale ressaltar que algumas plantas daninhas, bem como soja voluntária em milho safrinha, funcionam como hospedeiros alternativos e podem servir como uma fonte de lagartas em estádios fenológicos maiores, acarretando danos na cultura principal devido à movimentação larval.  Essa dinâmica pode promover a exposição subletal das pragas à(s) proteína(s) expressa(s) nas tecnologias, potencialmente acelerando o desenvolvimento de resistência. Seguindo o mesmo raciocínio, o uso de consórcio de lavouras como, por exemplo, Sistema Santa Fé/Barreirão, não é recomendado como prática adequada para MRI. Isso ocorre devido à cultura do milho estar em contato com a pastagem todo o seu período de desenvolvimento, possibilitando movimentação larval entre as culturas e, consequentemente, aumentando o risco de resistência em função da exposição subletal. Além disso, deve ser dada atenção especial para áreas de plantio mais tardio, onde ocorrem cultivos sequenciais de milho, pois a tendência é que a pressão de pragas aumente com o tempo, e que a praga se desloque com maior intensidade para lavouras mais jovens (áreas em estádio vegetativo inicial adjacentes ou próximas à areas de milho em estádios mais avançados, onde a pressão de Spodoptera é alta e/ou o controle da praga é inadequado). 

A efetividade de práticas de manejo de resistência após a sua identificação é limitada, pois é muito difícil controlar a multiplicação de indivíduos resistentes quando a sua população atingir certafrequência. Pelo compromisso assumido
com a sustentabilidade da agricultura Brasileira, a DuPont Pioneer reforça a importância da adoção das boas práticas pelos agricultores, pois acredita que estas promoverão aumento na durabilidade das tecnologias. Entendemos que a logística/dinâmica do Sistema Agrícola é complexa, e que uma das grandes dificuldades do Manejo de Resistência de Insetos é a adoção de áreas de refúgio estruturado efetivo (com limitado uso de inseticidas)4. Sabemos que esse é o primeiro passo nadireção correta e que o desafio é grande.

1 Veja mais sobre o manejo da resistência de insetos à tecnologia Bt em: www.pioneersementes.com.br/mri
2 Entenda como se formou a resistência de insetos à tecnologia Bt assistindo ao vídeo “A Gestão Responsável de Produtos e as Boas Práticas de Manejo, acessando: www.pioneersementes.com.br/gestaoresponsavel
3 Conheça as Boas Práticas de Manejo em: www.pioneersementes.com.br/boaspraticasleptra
4 Tire suas dúvidas sobre refúgio estruturado efetivo em: www.pioneersementes.com.br/refugioee

 
 
 
 
 

Autor:
Analiza Alves, Pesquisadora Cientista da Pioneer Hi-Bred Internacional