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Artigos

28/07/2016

O comportamento da ferrugem asiática na soja ao longo dos anos, dificuldades de controle e seus custos

Desde o surgimento da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) no Brasil ao final da safra 2001, perdas na produtividade foram relatadas em todas as regiões do país. A doença, que ocorreu em intensidade variável nas safras seguintes, está novamente gerando preocupação nos sojicultores na safra atual, pois é considerada, sem dúvida, a enfermidade que mais prejudica a cultura da soja no país.

A dificuldade de manejo para o controle da ferrugem asiática por parte dos agricultores é grande, pois a cada ano surgem surpresas quanto à eficácia dos fungicidas, os quais necessitam sofrer alterações nas misturas (inserção de outros mecanismos de ação), nas doses, bem como nos intervalos de aplicação, não raro exigindo reentradas mais frequentes na lavoura. Essa situação, aliada a qualquer erro estratégico de manejo que ocasione baixa produtividade, está tornando o custo da lavoura de soja cada vez mais oneroso, o que pode gerar enormes dificuldades de recuperação financeira às propriedades¹.

Perdas de produtividade e estratégias de manejo

A severidade dos danos ocasionados pela ferrugem asiática em soja é tão grande que pode acarretar perda de produtividade de até 90% (SINCLAIR e HARTMAN, 1999; YORINORI et al., 2005). As lesões ocasionam elevadas perdas de área foliar fotossintéticamente ativa, acarretando a senescência prematura das folhas e, consequentemente, a diminuição do peso de grãos, ou até mesmo a sua ausência nas vagens (fotos 1 e 2).

Algumas estratégias de manejo conhecidas e comprovadas para o controle da ferrugem asiática (Tecnologias de produção de soja, 2013) são:

  • Eliminação de plantas de soja voluntárias;
  • Ausência de cultivo de soja na entressafra por meio do vazio sanitário²;
  • Utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada;
  • Monitoramento da lavoura desde o início do desenvolvimento da cultura;
  • Utilização de cultivares com gene de tolerância à doença;
  • Utilização de fungicidas no aparecimento dos sintomas ou preventivamente.

Histórico da utilização de químicos para controle de ferrugem asiática da soja

Quando os danos ocasionados pela ferrugem asiática se iniciaram, intensificou-se a utilização de fungicidas para minimizá-los. Porém, as estratégias quanto aos produtos, doses e intervalos mudaram completamente neste intervalo de 15 anos entre a detecção e identificação da doença e os dias atuais, e podem ser resumidos em quatro fases distintas, como é apresentado no quadro 1:

A evolução dos custos das lavouras para controle da ferrugem

A perda de eficiência no controle de determinadas moléculas fungicidas é um processo natural ocasionado, entre outros mecanismos, pela pressão de seleção exercida sobre o fungo da ferrugem asiática, gerada pela utilização massiva (vários produtores) e cíclica (repetição de uso na mesma área) da mesma molécula, gerando a seleção resistente. Para compensar esta perda de eficiência dos fungicidas, mudaram-se as estratégias de aplicações a fim de melhorar a eficiência do controle da ferrugem asiática, o que, ao longo dos últimos anos, elevou sistematicamente os custos da lavoura de soja, conforme pode-se ver no quadro seguinte.

A escolha da cultivar como estratégia de controle

Considerando que os preços dos produtos químicos para controle de ferrugem asiática estão em patamares elevados, uma das maneiras de diminuir o custo das lavouras e que já tem sido adotada por alguns agricultores, é optar pela utilização de cultivares de soja com ciclo de desenvolvimento mais curto.

Um exemplo disso é a relação entre o surgimento dos primeiros focos e o pico de infestação (gráfico 1), que pode variar bastante dependendo do clima, mas tende a demorar o suficiente para os materiais mais precoces serem menos atingidos pela pressão.

Podemos observar que, normalmente a epidemia de ferrugem se intensifica a partir da segunda quinzena de fevereiro. Como alguns materiais existentes no mercado possuem ciclo que possibilita a colheita no auge da pressão da doença (gráfico 2), as cultivares mais precoces e com semeadura no início da época recomendada, tendem a proporcionar mais segurança em relação às eventuais perdas. Além disso, pelo menor tempo de exposição no campo de produção, essas lavouras têm possibilidade de reduzir 1 ou até 2 aplicações de fungicidas.

Para que se contorne o risco da ferrugem atingir com o mesmo grau de intensidade todas as cultivares da propriedade, devese adotar o Sistema de Combinação de Cultivares (SCC)3, que visa proporcionar o aumento do rendimento médio da propriedade combinando cultivares de soja de diferentes ciclos e características (gráfico 3). Neste sistema, as cultivares são divididas entre os talhões, havendo um menor prejuízo no rendimento caso ocorra deficiência hídrica, excesso de chuvas, ataque de pragas e incidência de doenças em determinados períodos críticos do desenvolvimento da cultura.

Na foto 3 podemos observar as diferenças de maturidade das cultivares de soja plantadas em um mesmo dia.

Conclusão

A ferrugem asiática é uma doença crônica que aumenta os custos das lavouras, exigindo técnicas de manejo apuradas, o que eleva os riscos da cultura da soja a novos patamares.

Devido à complexidade de controle desta doença, estratégias de manejo isoladas devem ser evitadas pois, da mesma forma que fatores associados intensificam o surgimento da doença e potencializam os danos (clima, restos culturais, rotação de culturas, etc.) fatores combinados de manejo (variedades de ciclo mais curto, fungicidas mais modernos, tecnologia de aplicação, dose e época de aplicação, etc.) terão efeito maior na mitigação destes danos.

¹ Saiba mais sobre os riscos e possíveis perdas com o uso do modelo atual de controle para a ferrugem asiática, acessando: www.pioneersementes.com.br/ferrugem
² Veja mais sobre a importância do Vazio Sanitário na mitigação de danos causados por moléstias como a ferrugem asiática: www.pioneersementes.com.br/vaziosanitario

³ Entenda como funciona o Sistema de Combinação de Cultivares de Soja em: www.pioneersementes.com.br/scc

Bibliografia utilizada:
SINCLAIR, J.B.; HARTMAN, G.L. Soybean rust. In: HARTMAN, G.L.; SINCLAIR, J.B.; RUPE, J.C. (Ed.). Compendium of soybean diseases. 4. ed. Saint Paul: APS Press, 1999. p. 25-26.

TECNOLOGIAS de produção de soja - Região Central do Brasil 2014. Londrina: Embrapa Soja, 2013. 265 p. (Embrapa Soja. Sistemas de Produção, 16).

YORINORI, J.T.; PAIVA, W.M.; FREDERICK, R.D.; COSTAMILAN, L.M.; BERTAGNOLLI, P.F.; HARTMAN, G.L.; GODOY, C.V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay. Plant Disease, v. 89, p. 675-677, 2005.

Autor:
Bernardo Tisot, Agrônomo de campo da DuPont Pioneer