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Artigos

28/11/2017

Safrinha 2018: o que podemos esperar?

Terminamos mais uma colheita de milho safrinha e o sentimento é bastante diferente da safra passada. Só isso mostra que falar sobre as condições de 2018 é algo um tanto desafiador. Para isso, temos que voltar um pouco e recordar o cenário vivenciado nas duas últimas safras.

A safra de verão 2015/2016 foi de 5,3 milhões de hectares (Conab, 2017), sendo a menor área já registrada para esta safra. A forte estiagem que assolou o Brasil na safrinha seguinte (2016), principalmente nos estados do Brasil Central, levou a uma redução de 25% na produção total da segunda safra comparada à safra anterior (Conab). Esses dois fatores combinados levaram os preços a patamares recordes durante o inverno de 2016, conforme mostra o Gráfico 1.

 

Gráfico 1: Série de preços de milho disponível (2016-2017) Fonte: Cepea

Esse preço recorde, durante o momento de decisão de plantio de milho verão e safrinha, fez a área de milho verão reverter uma tendência, ou seja, tanto milho verão quanto milho safrinha cresceram, sendo o primeiro em área e o segundo em investimento, principalmente.

A safra de verão 2016/2017 contou com um clima extremamente favorável, que levou a um aumento de 5% na produtividade. Já para a safrinha 2017, praticamente finalizada, houve uma condição de clima, em sua maioria, bastante favorável à cultura do milho segunda safra, com chuvas ao longo do tempo, quando as lavouras já estavam no campo. As estimativas da safrinha 2017 apontam para o mesmo patamar de produtividade da safra 2015, ou 44% de aumento comparado à safra passada (2016).

Esse cenário culmina com os baixos preços vividos no início do segundo semestre de 2016. Na grande maioria, quem está conseguindo boas rentabilidades são os agricultores que travaram seus custos com o milho disponível da safra anterior, ou no momento da aquisição dos insumos (ainda no segundo semestre de 2016) já em queda após a situação recorde.

É necessária esta observação em relação à anormalidade ocorrida naquele período, pois é comum o produtor lembrar do último ano e guardar como a visão correta do mercado. Ao se observar o Gráfico, que apresenta a série de preços de milho disponível na BM&F Bovespa, entre 02 de agosto de 2004 e 15 de setembro de 2017, observa-se que, salvo a exceção de 2015/2016, o preço do grão jamais ultrapassou os patamares de R$ 40 (preço BM&F). Todo este histórico carrega uma média em 13 anos de R$ 26,26 para cada saca de 60 kg de milho, menos da metade do recorde apresentado em junho de 2016, que era de R$ 53,91. Também é praticamente o dobro do menor preço da série, ocorrido em março de 2006, de R$ 13,32.

 

Gráfico 2: Série de preços de milho disponível (2004 – 2017) Fonte: Cepea

O objetivo deste conjunto de dados é deixar claro que as condições vividas nos anos de 2015 e de 2016 formam uma situação atípica. Vale ressaltar que a valorização do grão é muito interessante para a cadeia produtora de milho, pois favorece o investimento e o uso de melhores tecnologias, pela maior segurança no retorno ao capital investido. Entretanto, se pensarmos na cadeia que utiliza o milho como insumo, como a de carnes, a supervalorização inibe investimentos e inclusive leva à redução de plantéis e produção.

Falou-se do passado e, agora observando a situação do mercado dentro deste ano, como pode ser analisado pelo Gráfico 1 (preços entre janeiro de 2016 e setembro de 2017), pode-se constatar a queda normal, já esperada durante a colheita da safrinha, que gera a maior pressão de preços pela alta oferta de grãos no mercado e, a partir de então, uma redução aos patamares de 2015, antes da alta histórica. Fato interessante é que, na colheita da safrinha 2017, mesmo com pressão e alta oferta no mercado, a redução de preços não é tão expressiva, até pelos patamares nos quais já se encontrava. Além disto, a recuperação normal pós-colheita pode ser observada ao final da série, quando se entra na segunda quinzena de agosto, período que já abrange o início da compra de insumos para a próxima safrinha.

A situação momentânea exige cautela, mas os primeiros sinais são positivos com relação aos preços. A área de milho verão deverá recuar para os patamares de 2015, e o baixo preço do momento torna a exportação uma alternativa bastante interessante, batendo recordes para os meses de julho/agosto. A estimativa é a exportação chegar perto dos 30 MM alcançados em 2015, ano de exportação recorde como pode ser visto na Tabela 1.

 

Tabela 1: Exportação mensal de milho (milhões de toneladas) Fonte: ANEC

Isso mostra a importância de um plano robusto de produtividade e lucratividade, com objetivos bem delineados. Tomar decisões baseadas nos preços momentâneos leva a resultados insatisfatórios, tanto com o otimismo exacerbado nos momentos de alta, quanto o pessimismo dos preços baixos, principalmente, aqueles observados nos momentos de colheita. A safrinha tem se mostrando um excelente negócio dentro do sistema de produção do agricultor, diluindo custos, otimizando insumos e trazendo rentabilidade. Prova disso é o seu crescimento ano após ano. Dentro disso, a produtividade tem se mostrado a ferramenta mais valiosa no que diz respeito à rentabilidade, primeiro na diminuição do custo por saca (eficiência produtiva) e depois no aproveitamento de preços favoráveis. Por isso nós, da DuPont Pioneer, acreditamos que a melhor estratégia para a safrinha 2018 é a eficiência e não a diminuição do investimento.

Autor:
Lucas Melo e Ricardo Formentini, Gerentes de Marketing Estratégico da DuPont Pioneer