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Artigos

01/12/2004

Mantendo a qualidade do grão durante a colheita

A medida que aumenta o nível tecnológico das granjas de aves e suínos e a utilização do milho para finalidades especiais como a alimentação humana, a qualidade de grão do milho se torna cada vez mais importante. A rentabilidade da avicultura e suinocultura, principalmente, está diretamente relacionada à genética animal e à quantidade e qualidade do alimento fornecido.

A seleção adequada de híbridos, o momento certo da colheita e a regulagem das colheitadeiras são fatores importantes para a produção de grãos de alta qualidade no campo. A qualidade do grão começa com a escolha dos híbridos passando por um conjunto de práticas que devem ser adotadas e monitoradas até a colheita. Híbridos inadequados para uma determinada região propensa a desenvolver fungos de grãos, a falta de controle de pragas que possam abrir portas de entrada para doenças nas espigas, e clima ou outras condições de manejo favoráveis ao desenvolvimento de fungos de grãos, podem danificar o grão no campo e a sua qualidade irá provavelmente se deteriorar ainda mais durante a colheita, manuseio e armazenagem.

A Seleção dos Híbridos

A seleção de híbridos com alta qualidade de grão é o primeiro passo. A Pioneer possui em sua linha de produtos um conjunto de híbridos que combinam além de outras características agronômicas, a elevada tolerância às doenças de grãos. A tolerância à podridão de grão é uma característica importante na preservação da massa do grão e na armazenabilidade. A podridão de grão, comumente conhecida como grão ardido, pode ser ocasionada por diferentes fungos. Por isso, é importante identificar os fungos que estão ocorrendo numa determinada região para melhor selecionar os híbridos. Dificilmente encontrar-se-á num mesmo híbrido, elevada tolerância a todos os fungos causadores de podridão de grãos, apesar de alguns híbridos terem uma maior tolerância “horizontal” (tolerância a um maior número de espécies de fungos).

O Conhecimento do Ambiente

Conhecer a região em que se está plantando é outro aspecto fundamental para a seleção dos híbridos, para determinar a melhor época de plantio e para planejar práticas de manejo a serem adotadas. Áreas acima de 700 metros de altitude são mais propensas ao desenvolvimento de fungos de grãos, pois a temperatura amena dificulta a troca de umidade do grão para com o ambiente, propiciando a entrada e o desenvolvimento de fungos.

Épocas de plantio em que a fase de pré-florescimento coincida com chuvas excessivas e épocas em que o início do período de perda de água dos grãos coincida com temperaturas amenas e/ou chuvosas, são condições favoráveis à entrada e ao desenvolvimento de fungos causadores de podridão de grãos. A elevada pressão de pragas, principalmente da lagarta do cartucho e da lagarta da espiga, e o seu difícil ou inadequado controle podem abrir as portas para a entrada de desenvolvimento de patógenos causadores de fungos de grãos. A falta de rotação de culturas e o plantio de milho após milho com a presença de palhada de milho do plantio anterior, podem aumentar o potencial de inóculo dos fungos de grãos e aumentar significativamente o percentual de grãos ardidos.

Quando iniciar a colheita

A época de colheita pode ter um grande efeito na qualidade dos grãos. Uma colheita bem-planejada começa com a combinação de híbridos de diferentes ciclos e épocas de plantio. Esses dois aspectos auxiliam no escalonamento da colheita e podem proporcionar condições adequadas para uma alta qualidade de grãos. Permitir que o milho seque no campo para economizar com transporte e secagem pode trazer conseqüências negativas para a produtividade e a qualidade, principalmente quando ocorre a incidência de doenças de colmo e espiga ou o ataque de insetos. Por isso, na média recomenda-se que a colheita comece quando o milho estiver em torno de 25% de umidade.

Entretanto, nas áreas onde se cultiva outras culturas como o feijão e até mesmo a soja após o milho de verão, além da escolha de híbridos hiperprecoces, a colheita pode ser antecipada colhendo-se com umidade ao redor de 29% a 30%. Para se decidir qual o melhor momento de iniciar a colheita visando elevada qualidade de grãos, deve-se considerar alguns parâmetros como tamanho da área, produtividade prevista, capacidade de colheita e capacidade de secagem e armazenagem. Também são importantes o monitoramento da umidade e das condições de cada talhão a partir da maturação fisiológica.

Monitoramento da área

Ao monitorar as condições da lavoura, os produtores devem estar atentos a possíveis problemas na espiga, no colmo e no sistema radicular da planta. Muitas das doenças mais comuns do milho como a diplodia, o fusarium, e a giberella, podem atacar os colmos e a espiga. Essas doenças, assim como a antracnose, geralmente começam como podridões de raízes, ou atingem o colmo e a espiga através de portas de entrada abertas por insetos. Estresses na planta durante a fase de enchimento de grãos, tais como seca, granizo, limitação da luz solar ou até mesmo altas produtividades, podem enfraquecer a planta e aumentar a incidência de podridões do colmo antes da colheita. De modo geral, quanto mais problemas de colmo, raiz e podridão de espigas uma lavoura apresentar, mais cedo ela deverá ser colhida.

Deteriorações no colmo podem causar um impacto negativo na produtividade e na qualidade de grãos. Se o milho 'cair' devido aos ventos, as espigas irão entrar em contato com o solo, que será uma fonte de inóculo e promoverá condições de umidade para o desenvolvimento de fungos causadores de podridões. Colmos frágeis podem ser detectados facilmente: aperta-se o primeiro ou segundo internódio acima da superfície do solo. Se o milho cair, isso indica estádios avançados de podridão de colmo. Outra técnica consiste em empurrar a planta de milho para o lado, mais ou menos uns 20-30 cm, na altura da espiga. Se o colmo dobrar-se próximo à base, ou se não retornar à posição vertical, é sinal da ocorrência de podridões do colmo. Cheque 20 plantas em 5 áreas do talhão. Se mais de 10-15% dos colmos apresentarem podridão, esse talhão deverá ser colhido antecipadamente.

Para avaliar podridão das espigas tire a palha das espigas de 5 plantas em 5 áreas do talhão para verificar a presença de insetos ou de podridões. Se esses problemas forem severos, considere a colheita antecipada para reduzir a multiplicação dos insetos e das podridões.

Regulagens das colheitadeiras

Os ajustes da colheitadeira e a operação de colheita são elementos importantes na preservação da qualidade de grãos. A colheitadeira é uma máquina complexa que recolhe, debulha, limpa e transporta grãos. Assim, velocidades da colheitadeira, do cilindro, do côncavo e demais componentes como caracóis, ventiladores e peneiras ajustados garantem um produto final limpo e de alta qualidade. Antes de iniciar a colheita procure informar-se com o fabricante, treine seus operadores e comece as regulagens seguindo as orientações do fabricante. Dependendo das condições da lavoura tais como umidade dos grãos e volume de massa das plantas, serão necessários ajustes para uma colheita eficiente e com qualidade. Um simples aumento da rotação de um cilindro de 300 rpm para 600 rpm, dependendo da umidade do grão, pode elevar os danos nos grãos de 5% para 30%. Por isso, consulte e siga as orientações do fabricante.​

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