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Artigos

01/12/2004

Logo após o término do plantio, já recomenda-se o monitoramento da lavoura

Terminado o plantio, é hora de cuidar da soja e de preparar-se para os tratos iniciais da cultura. Foi-se o tempo que a lavoura de soja era uma lavoura tranqüila. Hoje como vemos, além das necessidades corriqueiras de manejo, também há uma crescente necessidade de uso de informações técnicas para obter-se melhores performances das cultivares.

Nesta época de chuvas instáveis, apresentaremos dicas de como monitorar sua lavoura de soja para que se evite danos causados por pragas, pela competição por plantas daninhas e atentar para um adequado manejo da cultura.

Logo após o término do plantio, já recomenda-se o monitoramento da lavoura nos momentos iniciais de emergência, em especial se o clima estiver desfavorável. Esse monitoramento é necessário principalmente no que se refere ao ataque de pragas iniciais da soja, tais como a lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus), e a lagarta rosca (Agrotis ipsilon), que podem reduzir bastante a população de plantas, comprometendo a produtividade final. Normalmente, solos que sofreram queimadas ou foram lavrados na ausência de chuvas favorecem o aparecimento da lagarta elasmo, já os solos que possuem palhada e que foram nivelados e apresentam um aspecto "sujo" também chamado semidireto, favorecem o aparecimento da lagarta rosca. O nível de controle sugerido é de uma planta atacada por metro em ambos os casos, mencionando ainda que estas pragas atacam em reboleiras. Lembramos ainda que na situação de ataque por lagarta rosca é recomendado o uso de inseticidas caso o nível de danos seja atingido e no caso de elasmo, somente o tratamento de sementes com fipronil (Standak) pode gerar bons resultados. Para obter mais informações procurar o site do Ministério da Agricultura/Agrofit: http://www.agricultura.gov.br/

Com o desenvolvimento da soja, passando pelos estádios de V1 (primeiro nó) a V3 (terceiro nó), os danos causados por estas pragas diminuem muito. No entanto, outras pragas a partir deste período poderão surgir e necessitar de controle. A Figura 01 apresenta as fases fenológicas da soja e as épocas de maior probabilidade de ataque por pragas. Destaca-se a necessidade de monitoramento de outras lagartas, como a lagarta da soja - Anticarsia gemmatalis, pois apesar do fácil controle, principalmente com inseticidas biológicos como o baculovírus, esta lagarta possui grande capacidade de desfolha. Em alguns casos pode destruir toda a área foliar da soja jovem em apenas dois dias.

A partir daí já aconselha-se começar a monitorar a nodulação da soja, pois sabe-se que praticamente todo o nitrogênio necessário para uma boa produtividade está diretamente ligado ao processo de nodulação. Este nitrogênio pode ser fornecido gratuitamente para a cultura pelas bactérias fixadoras. A soja consome aproximadamente 83 kg de nitrogênio para produzir 1000 kg de grãos e matéria seca, aproximadamente 5,0 kg de nitrogênio para cada saca de 60 kg de grãos produzidos. Por isso, é necessária uma boa inoculação das sementes no plantio, em especial no caso de áreas novas, avaliando ainda a sua eficiência. Para isso, basta arrancar algumas plantas de soja e verificar a nodulação, principalmente em áreas de abertura, onde grande parte do solo está ácido ou foi corrigido recentemente, o que desfavorece o processo de simbiose com as bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico.

Para verificar-se o processo de nodulação está sendo eficiente, basta inicialmente averiguar o porte e coloração das plantas de soja. Plantas desuniformes e amareladas são indicativos que a nodulação não está ocorrendo. Deve-se então arrancar algumas dessas plantas e verificar a presença de nódulos na raiz. Quando a inoculação é feita com sucesso, deve haver de 10 a 30 nódulos por planta. Para ver se os nódulos estão realmente realizando o processo de fixação do nitrogênio atmosférico com eficiência, corta-se o nódulo ao meio e observa-se a coloração interna deste. O nódulo deve ter uma coloração avermelhada. Essa coloração é o indicativo da presença da leghemoglobina e quanto maior a sua incidência, maior a eficiência. No caso de se constatar a ausência ou ineficiência da nodulação, pode ser feita uma aplicação imediata de inoculante líquido e água, o que em alguns casos têm promovido o restabelecimento do processo.

São vários os fatores que podem afetar a qualidade da inoculação. O produtor deve aplicar sempre inoculantes de qualidade, na quantidade e da maneira recomendada pelo fabricante, e não deve esperar muito tempo entre a inoculação e o plantio. Além disso, o plantio em solos muito quentes também pode afetar a qualidade da inoculação, sendo recomendado que este seja realizado nas horas mais frescas do dia.

O armazenamento do inoculante antes da inoculação também deve ser feito à temperatura de 5 ºC (na geladeira) e quando transportado deve ser embalado em caixas de isopor ou em pacotes com bom isolamento. A inoculação deve ser feita à sombra, pois altas temperaturas podem fazer com que o inoculante perca a sua efetividade.

Já a partir de V3, ocorre uma alta infestação de plantas daninhas, caso não tenha sido feita a aplicação de herbicidas em pré-emergência. A partir desse estádio, já é viável a aplicação de herbicidas pós-emergentes, observando essencialmente o espectro e o porte das ervas daninhas para uma aplicação mais precisa. Nesta fase é importante o controle, principalmente devido à grande competição por água, luz e nutrientes. No entanto, alguns cuidados são fundamentais para que estas aplicações obtenham êxito e não comprometam o desenvolvimento da soja. Destacam-se o pH da calda de aplicação e as condições do ambiente no momento da aplicação. A maior eficiência de aplicação é obtida quando a umidade relativa do ar está alta e a temperatura abaixo de 30 ºC, livre de orvalho, além é claro de ausência de ventos fortes. Na maioria das vezes, o melhor horário para se aplicar o herbicida, é a partir das 8 até as 11 horas e das 15 às 19 horas, podendo haver variações.

Já em fases superiores, V4 (quarto nó), é preciso uma maior atenção à questão nutricional, pois nesta fase a soja começa o processo de definição de produtividade. A Embrapa Soja é bem clara no que se refere à adubação foliar: esta deve ser feita quando se suspeita através do histórico da área, ou da análise de solo ou folha, que existe deficiência de micronutrientes. Dá-se um especial destaque para o manganês, podendo a sua deficiência ser corrigida pela aplicação foliar de 350 g/ha (1,5 kg de sulfato de manganês/ha), diluídos em 200 litros de água com mais 0,5% de uréia. Já no caso de cobalto e molibdênio, micronutrientes fundamentais no processo de fixação biológica do nitrogênio atmosférico, recomenda-se para quem ainda não os aplicou via semente, que o faça em adubações foliares na quantidade de 2 a 3 gramas de cobalto/ha e de 12 a 30 gramas de molibdênio/ha, sendo necessária a utilização de fontes solúveis destes micronutrientes.

A partir deste momento, é necessário o monitoramento contínuo da Ferrugem da Soja (Phakopsora pachyrhizi) mesmo nas fases que antecedem a floração. Caso sua presença seja constatada, medidas de controle deverão ser tomadas imediatamente, conforme abordamos no Boletim Informativo Pioneer 19.​

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