Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

01/10/2005

O processo de ensilagem

Análise de custo

A lavoura de milho que será destinada à ensilagem deverá ter alta produtividade, uma vez que a redução de custos deve, obrigatoriamente, passar pela busca no aumento de produtividade da forragem, visando diluir os custos de implantação, principalmente insumos, e proporcionar uma maior eficiência de colheita. Na tabela 1 são apresentados os custos de algumas máquinas e equipamentos agrícolas utilizados no processo de ensilagem.

 



Na tabela 2 são apresentadas duas situações de lavoura de milho para silagem, uma de produtividade baixa (30ton/ha) e uma de alta produtividade (55ton/ha).

  

 

Podemos verificar que a lavoura de maior produtividade de matéria verde (MV) apresenta um custo de produção 28% menor. Veja que o custo com ensilagem, considerado o mesmo para as duas lavouras, representa cerca de 27% para a silagem de menor produtividade e 20% para silagem de maior produtividade.

Na tentativa de obter silagem de melhor qualidade, algumas recomendações técnicas sugerem elevar a ensiladeira e cortar o milho mais alto (de 45 até 80cm do solo). Isso visa aumentar a concentração de nutrientes na massa ensilada devido a maior participação da espiga na planta colhida, enquanto que a porção que fica no solo é de baixa qualidade nutricional. Pesquisas mais recentes indicam que esta recomendação deve ser vista com cautela, uma vez que se colhe menos matéria seca (MS) por área, o que eleva significativamente os custos de produção. Mais recentemente foram lançados no mercado híbridos de milho para silagem que apresentam elevada produtividade de grãos e com melhor qualidade da fibra da planta (menor teor de FDA). Trabalhos realizados na Fundação ABC (Castro-PR), avaliando 21 híbridos de milho para a silagem, verificaram teores de FDA variando de 29% da MS com produtividades de grão entre 11.670 e 8.270kg/ha. Dessa maneira, se o híbrido apresenta boa qualidade de planta e produtividade de grãos, a altura de corte deve ficar em torno de 20cm do solo a fim de evitar a "contaminação" da silagem com terra e outros produtos e, também, reduzir o desgaste da ensiladeira.

O tamanho de partículas é fator importante para que se alcance boa compactação e, conseqüentemente, melhor fermentação da silagem. Para isso recomenda-se que as facas da ensiladeira sejam constantemente afiadas, permitindo que o tamanho das partículas seja uniforme durante todo o processo de colheita. Partículas grandes dificultam a compactação e, em casos extremos, são rejeitadas pelos animais, aumentando as perdas durante a alimentação. O produtor deve avaliar se os grãos presentes na silagem estão sendo triturados ou mesmo quebrados e acompanhar isso até o final do processo de corte. De nada adianta lamentar depois a presença de grãos inteiros nas fezes dos animais e, o que pode ser ainda pior, na próxima safra fazer opção por híbridos menos produtivos e antecipar o corte da silagem. Nesse caso, diminui-se a presença de grãos na silagem e, por isso, aparece menos nas fezes. Conforme ilustrado na tabela 3, maiores consumos de MS são alcançados com tamanho de partícula próximo de 6mm. Contudo, na prática, constatamos que bons consumos também são verificados para partículas de tamanho variando até 10mm.

 

Enchimento do silo

Um dos erros mais freqüentes tem sido o dimensionamento inadequado dos silos em relação à necessidade diária de silagem. Esse planejamento deve começar na lavoura. Se o produtor optou por plantar mais de um híbrido de ciclos diferentes (combinação de híbridos) e procurou escalonar o plantio, além de favorecer o corte da lavoura no momento ideal e otimizar o uso de máquinas, uma vez que a área a ser colhida na ocasião será menor (ao menos a metade), ele certamente terá dois ou mais silos na propriedade.

Os silos menores, principalmente os de superfície, são mais fáceis de serem compactados. A retirada diária de silagem abrangerá um volume maior e as perdas decorrentes da abertura serão reduzidas, uma vez que o tempo de uso do silo será menor e o restante da silagem armazenada ainda está intacta.

O enchimento do silo deve ser rápido, estabelecendo condições de anaerobiose (ausência de oxigênio) o mais rápido possível e cessando o processo de respiração (presença de oxigênio), caracterizado pelo aquecimento da silagem. Esse aquecimento reduz a qualidade da silagem porque diminui a disponibilidade da proteína, e a energia, que está sendo gasta no processo (geração de calor), deixará de ser aproveitada pelos animais.

O silo deve ser enchido em camadas no sentido "rampado" para diminuir a camada exposta ao ar. Silos tipo trincheira facilitam o processo de compactação, embora não seja limitante o uso de silos de superfície.

A compactação bem feita é o "grande segredo" de uma boa silagem. Ela deve ser feita de maneira exaustiva durante todo o período de enchimento do silo, utilizando-se um trator ou outro maquinário pesado. Para forragens com teores mais elevados de MS recomenda-se que sejam distribuídas camadas finas a fim de facilitar a compactação. Uma boa compactação permite que se armazene entre 550 e 650 kg de silagem por metro cúbico.

O fechamento do silo deve ser feito com lona plástica adequada (maior expessura e com "protetor" da ação do sol). É fundamental que a silagem esteja bem compactada e sua superfície devidamente abaulada. A lona deve ser colocada de modo a deixar espaço para que o ar saia pela frente do silo, evitando que se formem bolsões de ar e, principalmente, que a colocação de pesos sobre a lona empurre esse ar dentro da massa ensilada, o que vai favorecer o aquecimento da forragem.

Abertura do silo

Após a abertura do silo, a estabilidade da silagem depende da quantidade de substrato remanescente do processo de fermentação. Se ele não foi intenso, podem se desenvolver fungos e leveduras, ou seja, uma boa fermentação da silagem garante a sua qualidade mesmo depois de aberto o silo.

Se a silagem tem baixa qualidade, inicia-se a sua degradação e conseqüente perda de MS. Também pode ocorrer a presença de patógenos e de toxinas que podem contaminar os animais e humanos como, por exemplo, a aflatoxina, originada dos fungos do gênero Aspergillus e, mais recentemente, a identificação da Listeria monocytogenes, que pode causar listeriose, aborto e lesões.

Para que sejam reduzidas as perdas, é necessário que se remova uma camada diária de silagem de, pelo menos, 25cm de todo painel exposto, sem abalar a estrutura da massa ensilada.​

Fonte: