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Artigos

01/10/2005

Aplicação de fertilizantes a lanço: cuidados

O fornecimento de nutrientes através de aplicações em cobertura é fundamental para a obtenção de alta produtividade na cultura do milho. O nitrogênio, nutriente que apresenta as maiores respostas em produtividade para a cultura, pode ser fornecido para as plantas na semeadura e em cobertura em um período que se estende desde a pré-semeadura até 4 - 6 folhas.

Esta exigência da cultura, em termos de época para a aplicação, é que torna a distribuição de fertilizantes a lanço uma necessidade na maior parte dos sistemas de produção.

Incorporar o fertilizante é outra maneira de fornecer o nutriente. Apresentando como vantagens a redução de possíveis perdas por volatilização do nitrogênio e a boa distribuição na área e como desvantagens ser mais demorada - baixa capacidade operacional - e apresentar custo elevado.

Em trabalho desenvolvido em região com tradição na produção de milho, detectou-se que somente em 20% dos casos, a aplicação a lanço era realizada a contento.

Uma boa distribuição do fertilizante é aquela onde a dose desejada é distribuída de modo uniforme na área, ou seja, cada parte recebe a mesma quantidade de produto.

Ajuste de vazão e dose

Os fabricantes dos equipamentos fornecem tabelas para a realização da calibração de modo rápido. As tabelas devem ser adotadas como parâmetros para se aproximar grosseiramente da dose desejada. A calibração da dose, deve atentar para um fator de grande importância: quando o equipamento tem mecanismos dosadores com ajustes independentes, caso da maioria dos distribuidores montados de disco duplo, faz-se necessária a verificação da simetria dos mesmos. Recomenda-se que se utilize o método apresentado no Quadro 1.


Entendendo a qualidade da distribuição

Uma vez definida a vazão, velocidade e dose, é necessário assegurar que, nas diferentes partes da lavoura, a quantidade aplicada seja a mesma. O mecanismo distribuidor é responsável por esta parte da operação. Os fabricantes fornecem recomendações de combinações de tamanhos, ângulos e número de paletas de acordo com a dosagem e o produto a ser aplicado. Embora estas recomendações sirvam como um primeiro passo, a experiência mostra que é necessário realizar uma checagem e novos ajustes para melhorar a distribuição.

Na Figura 1 é exemplificado o que se denomina perfil transversal de distribuição. As barras representam a quantidade de fertilizante aplicada após uma passada do distribuidor.

 

A distribuição na lavoura tem características que dependem desse perfil de distribuição e espera-se, com isso, que o gráfico obtido não apresente acúmulo nem falhas, devendo haver sobreposição que permita atenuar os altos e baixos do perfil.

A Figura 2 representa um esquema de como as passadas paralelas no campo contribuem para a distribuição do fertilizante. Estes dados foram obtidos para equipamento em condições reais de trabalho, considerando-se as sobreposições e trabalhando-se com uma distância de 18 metros entre passadas.

 

 

 

O distribuidor não conseguiu realizar a distribuição de modo satisfatório, confrome Figura 3.

 

Comparando-se a linha laranja que foi obtida na distribuição com a linha verde que seria o desejado, nota-se grande amplitude nas doses aplicadas. Uma maneira de atenuar o problema é reduzir o espaçamento entre as passadas, permitindo maior sobreposição.

Com a redução do espaçamento entre as passadas houve melhoria significativa na qualidade da distribuição, devido à melhor sobreposição dos depósitos realizados nas passadas laterais verificados nas Figuras 4 e 5.

 

  

 

  

A utilização de sistemas para realização de passadas paralelas, barra de luz, é de grande auxílio na distribuição de fertilizantes. Isso permite que se mantenha espaçamento preciso entre as passadas e que se façam as passadas na medida correta para a distribuição do fertilizante, não sendo necessário seguir outros rastros.

Ajustes para a obtenção de uma distribuição uniforme

Geralmente os melhores resultados de distribuição, visando distâncias longas, são obtidos quando se utilizam as maiores paletas. Para obter bom perfil de distribuição é aconselhável a utilização dos maiores pares de paletas de tamanhos diferentes no mesmo disco.

O ajuste dos ângulos das paletas é possível em alguns equipamentos e deve ser realizado de modo que haja um meio termo entre uniformidade e distância de lançamento do fertilizante. Paletas atrasadas em relação ao sentido de giro dos discos produzem menores distâncias e maior uniformidade na distribuição. Já, paletas adiantadas permitem maiores distâncias ao custo de baixa uniformidade na distribuição.

Os fertilizantes também são de grande importância na qualidade da distribuição. Fertilizantes granulados que apresentam maiores densidades e uniformidade são mais facilmente arremessados pelos equipamentos de discos. Maiores vazões sobre o mecanismo distribuidor também contribuem para a obtenção de melhores distribuições.

Verificação da qualidade da distribuição

Para a verificação da distribuição de fertilizante pode se utilizar uma metodologia simples. Consiste em se distribuir em espaçamentos regulares numa superfície plana e sem obstáculos uma série de coletores, recipientes de dimensões idênticas ao longo do perfil de distribuição, como demonstrado na Figura 6.

 

Em seguida, realiza-se a aplicação como se estivesse trabalhando normalmente, desde que não haja ventos fortes. O material é coletado e pesado ou comparado com base em volume. Pode ser necessário, dependendo da dose, passar mais de uma vez nos mesmos locais para obter material suficiente para a pesagem.

A seguir, compara-se o peso ou volume de cada um dos coletores com a média obtida para todos os coletores. Não deve ocorrer variação elevada nos valores e pode-se tomar como parâmetro um desvio de 15 a 20% em relação à média para cima ou para baixo. Se houver algum valor fora desses limites, deve-se realizar nova regulagem e repetir o processo para verificação. Não se chegando a um ajuste satisfatório, resta apenas a redução do espaçamento entre as passadas.​

Fonte: