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Artigos

20/08/2006

Pulgão no Milho

Nos últimos anos, pragas anteriormente consideradas secundárias, como por exemplo o pulgão do milho (Rhopalosiphum maidis), passaram a atacar a cultura com maior freqüência e intensidade, deixando de ser secundárias para tornar se um problema real para alguns produtores em algumas regiões do Brasil, principalmente, nos estados do sul do país.

 

Essa mudança ocorreu devido a fatores como as mudanças nas condições climáticas, a falta de rotação de culturas e o uso inadequado de inseticidas com conseqüente redução do número de inimigos naturais de diversos insetos que atacam diferentes culturas, dentre elas, a do milho.

 

A origem e o melhoramento genético

 

Fósseis de milho, datados de aproximadamente 7.000 anos atrás, foram descobertos no vale do Tehuacan, no México. Desde então, populações indígenas já faziam instintivamente aperfeiçoamentos no milho, submetendo a cultura a um constante processo de melhoramento genético, selecionando as plantas mais vigorosas, produtivas e as que possuíam as características de maior interesse como a maior produtividade, a maior resistência às doenças e às pragas e a maior adaptabilidade às condições de solo e de clima. Assim, por meio de um processo de seleção contínuo, uma gramínea com vários colmos, espiguetas pequenas e poucos grãos evoluiu até se transformar na planta de milho atual.

 

Hoje, muitas empresas investem pesado em seus programas de melhoramento genético. Buscam obter híbridos mais produtivos, com maior resposta ao manejo, mais adaptados às condições do ambiente e com maiores índices de tolerância às doenças e às pragas, além de outras características como melhorias na qualidade nutricional e menores índices de produção de micotoxinas nos grãos.

 

A Pioneer é uma das empresas que mais investe em pesquisa genética no mundo. No milho, só no Brasil, em suas quatro estações de pesquisa localizadas em Passo Fundo/RS, Toledo/PR, Itumbiara/GO e Balsas/MA e na sua extensa rede de testes distribuídos em, aproximadamente, 400 locais em todo o país, a Pioneer, todos os anos, avalia mais de 10.000 linhagens, das quais são codificadas cerca de 100 novas linhagens, que darão origem a, aproximadamente, 5.000 híbridos. Estes serão novamente testados por vários anos nos diversos ambientes do Brasil até a seleção final.

 

Paralelamente, uma ampla rede de ensaios agronômicos é conduzida com o objetivo principal de aumentar as informações sobre as características dos produtos, regiões de adaptação, níveis de resposta a determinadas práticas de manejo como população, espaçamento e adubação, assegurando assim o correto posicionamento do produto no campo por meio das orientações que são fornecidas ao produtor.

 

A importância da rede de ensaios na estabilidade dos híbridos

 

Em média, são gastos de 8 a 10 anos para que um novo híbrido chegue ao mercado. Todo esse tempo se faz necessário para que se possa avaliar a resposta desse híbrido quando submetido às pressões ambientais ao longo do tempo.

 

Os profissionais da área de melhoramento e desenvolvimento de produtos necessitam da ocorrência de variações no ambiente num determinado local como doenças, pragas, chuvas excessivas e seca, para poder avaliar, selecionar e posicionar corretamente um híbrido.

 

É por meio das informações obtidas ao longo do tempo em determinados ambientes, que se avalia, seleciona e posiciona um novo híbrido com menores riscos e maiores chances de sucesso. É com base no estudo de freqüência - número de vezes que um fenômeno ocorre num determinado tempo - e de intensidade - severidade da ocorrência - de um ou mais fenômenos que se dá o processo de seleção.

 

Assim, para selecionar um produto para uma determinada doença (ou inseto) é importante que ela ocorra e, para isso, as condições ambientais devem ser propícias para a sua ocorrência. Algumas doenças (ou insetos) necessitam de temperaturas mais amenas, outras mais elevadas, algumas têm maior potencial de dano em regiões de cultivos mais intensos e sem rotação de culturas. A seleção será mais eficiente quanto maior for a representatividade dos ensaios e o período com o qual os híbridos forem submetidos a um ambiente de pressão de seleção.

 

Um bom exemplo foi o que ocorreu com o pulgão do milho na região Sul nesses últimos quatro anos. O pulgão do milho cresceu em importância causando, principalmente, nesses dois últimos anos, danos econômicos a muitas lavouras de milho da região.

 

A importância da rede de ensaios no posicionamento dos híbridos

 

Ainda que os híbridos Pioneer não tivessem sido especificamente selecionados e desenvolvidos para apresentar resistência ao pulgão do milho, o que se observou foi que, na maioria das regiões onde ocorreram severos ataques de pulgão, os híbridos Pioneer recomendados para essas regiões foram menos atacados por esses insetos.

 

Essa maior tolerância se deveu ao fato de que os materiais recomendados atualmente para o Sul do país foram selecionados ao longo dos anos em ambientes que, na maioria das vezes, foram propícios ao aparecimento do pulgão. Dessa forma, a cada safra havia uma seleção dos híbridos, pois somente os melhores ganhavam os ensaios da rede. Indiretamente estava ocorrendo uma seleção também para o pulgão.

 

Prova da superioridade dos híbridos Pioneer na tolerância ao pulgão pôde ser verificada em um trabalho realizado pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária - FAPA - durante a safra 2005/06, em que foi avaliada a tolerância de 26 híbridos de milho ao ataque de pulgões. As condições em que foi conduzido o trabalho foram favoráveis ao ataque da praga devido à escassez de chuvas no período anterior ao florescimento do milho.

Observou-se uma diferença de susceptibilidade ao pulgão entre os vários híbridos, sendo que os híbridos Pioneer 30F44, 30P70 e 30P34 não manifestaram nenhum sintoma de dano decorrente ao ataque dos pulgões. Os híbridos Pioneer 30F53, 30K64 e 30R50 também apresentaram alta tolerância ao ataque da praga com perdas de menos de 150 kg/ha. Os híbridos mais susceptíveis ao ataque dos pulgões apresentaram perdas de até 2.000 kg/ha.
 
Contudo, produtores e técnicos devem ficar atentos a esta praga e monitorá-la para realizar o controle, se necessário, independente do híbrido, principalmente, nas regiões de histórico de alta intensidade e freqüência do ataque da praga. Além disso, recomenda-se também o monitoramento para a ocorrência de viroses, uma vez que os pulgões podem ser vetores de doenças.
 

O pulgão e suas características

 

O pulgão do milho é um inseto pequeno, esférico, verde claro, verde azulado ou acinzentado. As fêmeas adultas não ovopositam como a maioria dos outros insetos, mas se reproduzem por partenogênese (geração de descendentes através da transformação de um óvulo não fertilizado em um embrião, sem a participação do macho). As ninfas são exatamente iguais aos adultos, diferindo apenas em tamanho.

 

O pulgão desenvolve-se em quatro estádios ninfais. A rapidez de desenvolvimento das ninfas, o número da progênie e a longevidade do adulto são grandemente influenciados pela temperatura. Quanto mais alta for a temperatura, mais rápido se desenvolvem as ninfas do pulgão. A temperatura ótima de desenvolvimento das ninfas vai de 10ºC a 35ºC e, em temperaturas acima ou abaixo desses limites, as ninfas interrompem o desenvolvimento. As ninfas do pulgão são de coloração verde clara e, à medida que se desenvolvem, vão se tornando mais escuras. Os adultos podem ser alados ou não, e medem 1 a 2 mm de comprimento. Existem diferenças no número de ninfas produzidas pelas fêmeas aladas ou não. As fêmeas não aladas têm uma maior progênie (até 80 ninfas) e as fêmeas aladas se reproduzem em menor número (até 50 ninfas).


Os insetos alados aparecem como resposta a mudanças no clima, na densidade populacional e dependendo das características da planta hospedeira. Geralmente, a população de insetos alados aumenta em estações chuvosas e, em situações de alta pressão de insetos. O surgimento de insetos alados permite que, em situações de alta pressão, as fêmeas voem para plantas ainda não infestadas e iniciem uma nova colônia.

 
 
Os locais mais prováveis de se encontrar as colônias de pulgão, são na bainha das folhas e na parte superior da planta de milho. As infestações também podem ocorrer no cartucho e no pendão da planta.
 

Danos

O pulgão do milho é uma praga que ataca diversas gramíneas como milho, sorgo, trigo, milheto, cana-de-açúcar, arroz e outras culturas como batata e fumo.
 

O melhoramento específico para resistência ao pulgão ainda é limitado. Contudo, tem se notado que a intensidade do ataque dos pulgões em determinados híbridos é maior do que em outros. Isso se deve à estrutura da planta (plantas com folhas mais eretas e com cartuchos mais fechados protegem mais as colônias, o que favorece o desenvolvimento dos insetos) e à concentração de alguns ácidos, chamados ácidos hidroxâmicos (DIMBOA é o mais comum deles) na planta.

Observou-se que insetos que se alimentam de plantas que possuem altas concentrações desses ácidos, alimentam-se por um tempo menor, reproduzem-se menos e demoram mais para atingir o estádio adulto de desenvolvimento. Todos esses fatores fazem com que as colônias de pulgões nessas plantas sejam menores e, conseqüentemente, a planta consiga suportar melhor o ataque do inseto. Daí a diferença percebida por muitos produtores e por trabalhos científicos na susceptibilidade dos híbridos ao ataque do inseto.

Toda a planta de milho está sujeita ao ataque dos pulgões, mas os maiores danos são observados quando o ataque é no pendão do milho, o que pode causar falhas na polinização e o aparecimento de espigas estéreis ou incompletas.

 

Nas plantas severamente atacadas pode acontecer a murcha, encarquilhamento e clorose das folhas.

 

Trabalhos conduzidos pela Universidade de Alexandria, Egito, demonstraram que perdas de produtividade causadas por pulgões diferem de acordo com o estádio de desenvolvimento em que ocorre a infestação. Infestações ocorridas de V10 até o pendoamento, causaram 28% de perdas com uma média de infestação de 818 pulgões/planta. Infestações que ocorreram entre R2 e R4 causaram 16% de perdas com uma média de 1.038 pulgões/planta.

Além dos danos diretos, o pulgão, ao se alimentar da seiva da planta, excreta uma substância açucarada que serve como substrato para o crescimento de fungos. Esses fungos formam uma camada escura, chamada fumagina, que cobre a superfície foliar e pode reduzir a taxa fotossintética da planta. Os pulgões também são vetores de diversos vírus que atacam as plantas de milho.

Doenças transmitidas pelo pulgão

Mosaico comum do milho

O Mosaico, comumente denominado de Mosaico Comum do Milho, é um complexo viral que engloba Maize Dwarf Mosaic Virus (MDMV), Sugar Cane Mosaic Virus (SCMV), Johnson Grass Mosaic Virus (JGMV) e Sorghum Mosaic Virus (SrMV).

 Mosaico Comum do Milho
 

O Mosaico é transmitido por mais de 20 espécies de afídeos, sendo que um dos principais transmissores é o pulgão do milho.

A doença se manifesta com pontos cloróticos nas folhas e, com o tempo, evolui para manchas em verde claro mescladas com áreas normais da folha, daí o nome mosaico. As plantas atacadas pela doença geralmente são menores e também produzem menos. A melhor forma de controle é o plantio de híbridos resistentes. O controle dos insetos vetores e a eliminação de plantas daninhas hospedeiras do pulgão contribui no controle da doença.

Controle

Há diferenças quanto ao nível de resistência entre os materiais cultivados, mas ainda não existem informações mais completas sobre recomendação de cultivares visando o controle dessa doença.

Deve-se evitar, se possível, plantios tardios pela maior população de insetos vetores do vírus. Além disso, devem ser eliminadas gramíneas selvagens hospedeiras (capim massambará, colchão, colonião e capim-arroz) e evitar os plantios nas proximidades de culturas de cana-de-açúcar infectadas com o vírus, que podem ser fontes de inóculo.

Monitoramento e controle

Os dados para monitoramento dessa praga no Brasil ainda são incipientes, pois não era considerada como praga de importância econômica e, por isso, ainda existem poucas informações técnicas. Dados de entidades de pesquisa americanas mostram alguns índices que podem ajudar no monitoramento e controle do pulgão.

Para fazer o monitoramento da população de pulgões, deve-se procurar as colônias nos cartuchos das plantas jovens, no pendão e na bainha das folhas superiores. Observe também o número de inimigos naturais existentes nessa mesma planta. Os inimigos naturais mais comuns são as joaninhas, vespas e fungos Se os pulgões estiverem com aspecto descolorido ou marrom e forem maiores que os outros insetos é porque já foram parasitados (vide foto ao lado). Caso, aproximadamente 50% das plantas da lavoura estejam atacadas, se a pressão de insetos por planta for alta (mais de 100 por planta) e as plantas estejam sob estresse de seca, o controle químico pode ser recomendado. 

 Joaninha
 
 Fungo
 

Contudo, até o momento, não existem inseticidas registrados no milho para o controle dessa praga no Brasil. Dessa forma, o que o produtor pode fazer é programar a aplicação de inseticidas para o controle de outros insetos, de forma com que essa coincida com o período do pendoamento nas lavouras muito atacadas pelo pulgão.

Como geralmente, na época de ataque dos pulgões, o milho já se encontra em estádios mais avançados de crescimento, o controle pode ser feito através de pulverizadores tipo “parruda” ou avião. Devido ao posicionamento das colônias na planta, geralmente protegidas no cartucho, caso se utilize o controle químico, deve-se utilizar um maior volume de calda e posicionar os bicos pulverizadores de forma que o inseticida atinja o alvo.

Conclusão

Como outras pragas e doenças que vêm aparecendo nas últimas safras, produtores e profissionais da área de pesquisa e assistência técnica devem ficar atentos para o ataque dos pulgões e buscar informações sobre seu manejo da lavoura e a melhor forma possível para evitar perdas de produtividade.<BR><BR>O plantio de híbridos que foram menos atacados pela praga em safras passadas pode ser uma medida eficiente de controle cultural. Contudo, o produtor não deve deixar de realizar o monitoramento constante da cultura, principalmente em condições ambientais propícias ao aparecimento e desenvolvimento do inseto e nas fases de polinização e pendoamento, onde os danos são maiores.

Referências Bibliográficas

AL - ERYAN, M. A. S.; EL-TABBAKH, S. S. Forecasting yield of corn, Zea mays infested with corn leaf aphid, Rhopalosiphum maidis. Journal of Applied Entomology 128 (4): 312-315, 2004.

ANTONIAZZI, Noemir; HILÁRIO, João Maria N. Avaliação da Suscetibilidade de Híbridos de Milho ao Ataque de Pulgões na Safra 2005/2006. Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, Guarapuava, PR, 2006.​

Fonte: