Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

20/07/2006

Entendendo a qualidade da sua silagem

Muitos produtores já estão abrindo os seus silos e o procedimento obrigatório nesse momento é a coleta de uma amostra da silagem para análise bromatológica. Para a amostragem, devem ser coletadas amostras de diferentes pontos no painel (frente do silo) após ter sido retirada a primeira camada. Colete várias amostras e misture-as bem retirando em seguida uma amostra composta - procedimento semelhante ao que se faz para uma análise de solo - que deve ser imediatamente congelada para envio ao laboratório.

 

Quais análises devem ser solicitadas? Muitas vezes, sem um acompanhamento técnico o produtor solicita várias análises e, quando do resultado em mãos, utiliza somente uma ou duas informações - geralmente proteína e matéria seca - ou, por economia ou falta de conhecimento, solicita poucas informações, que não permitem fazer uma análise melhor da qualidade da sua silagem, que deve ser sempre entendida como um investimento.

 

De maneira objetiva, as principais análises que devem ser solicitadas são:

 

MATÉRIA SECA (MS)

 

Corresponde ao peso total da silagem descontada toda a umidade (água). É a fração onde estão contidos os nutrientes que os animais irão transformar em carne ou leite. Deve ser o principal critério básico para se avaliar produtividade e custos de uma silagem. O ideal é que esteja entre 32 e 37%.

 

FIBRAS

 

Duas frações devem ser analisadas:

 

FDN - A fibra em detergente neutro indica a quantidade de fibra, principalmente a da planta, presente na silagem. Os valores considerados ideais para essa fração devem ficar entre 45 e 52% da MS. Como os grãos têm pouca fibra, valores baixos de FDN indicam, geralmente, silagens com maior quantidade de grãos, enquanto que valores maiores de FDN indicam menores quantidades de grãos e/ou que a silagem pode ter sido colhida um pouco acima do ponto ideal (teores de MS acima de 37%).

 

FDA - A fibra em detergente ácido indica a porção da “fibra de baixa qualidade” que, por sua vez, está diretamente correlacionada com a menor digestibilidade da silagem. O teor de FDA permite estimar o conteúdo energético da silagem, expresso em NDT (Nutrientes Digestíveis Totais) através da fórmula: NDT = 87,84 (0,70 x FDA%).

 

PROTEÍNA BRUTA (PB)

 

Corresponde à fração protéica da silagem, considerando todo o nitrogênio (N) que esteja na matéria seca, seja ele protéico (aminoácido - NH2) ou não-protéico (amônia - NH3 e outras fontes). Os valores de proteína na silagem podem variar de 5 a 10% da MS. Contrário ao que muitos recomendam, a proteína não deve ser o principal fator ao se avaliar a qualidade da silagem. Antes de se pensar em proteína deve-se se preocupar com as frações que compõem os outros 90 a 95% da MS da silagem. Cabe lembrar também que metade da proteína da silagem, devido ao processo de fermentação, foi convertida em nitrogênio não protéico, ou seja, é de baixa qualidade.

 

As análises dos teores de óleo (EE), matéria mineral (MM) e lignina (LIG) só devem ser solicitadas se houver recomendação técnica que as justifique. Também deve-se ter bastante cuidado em se utilizar resultados provenientes de estimativas feitas através de equipamentos de infravermelho (NIRS), uma vez que a grande maioria dos equipamentos disponíveis no Brasil não possui curvas de calibração confiáveis para a leitura das silagens.

 

De maneira prática, ao se avaliar as silagens provenientes de duas lavouras distintas, conforme a Tabela 1, é importante perceber quais as informações que se pode obter a partir de uma análise bromatológica.

 
 
Com base na tabela, num primeiro momento, o produtor pode concluir que as duas lavouras tiveram uma mesma produtividade de massa verde (55.000 kg/ha) e, na análise bromatológica, a lavoura B produziu uma silagem com maior teor de proteína e, por isso, ser uma silagem de melhor qualidade.

 

 

Observando-se de maneira um pouco mais criteriosa, pode-se obter outras informações que auxiliarão na avaliação das silagens.

 

a) Produtividade de matéria seca:

 

A lavoura A produziu (55.000 x 35% = 19.250 kg/ha) mais matéria seca que a lavoura B (55.000 x 30% = 16.500 kg/ha).

 

Também pode-se afirmar que a lavoura A foi colhida no ponto ideal e, por isso, exigirá maiores cuidados na regulagem da ensiladeira e na compactação. Essas observações um produtor criterioso faz normalmente. O erro, em muitos casos, está em tentar facilitar as coisas como, por exemplo, não planejar a combinação de híbridos para corte em épocas distintas, não afiar as facas da ensiladeira (duas vezes ao dia), esperar a silagem que vem da lavoura com o trator da compactação parado, etc.

 

b) Análise dos teores de fibra:

 

Com base nos teores de FDA pode-se estimar o NDT das silagens (NDT = 87,84 (0,70 x FDA%), que será de 70,3% para a silagem A e de 68,2% para a silagem B. Pode-se afirmar que a silagem A tem qualidade superior em termos de energia para o animal do que a silagem B. Essa informação também pode ser confirmada pelo menor teor de FDN da silagem A, indicando que ela tem maior participação de grãos e, conseqüentemente, menor participação de plantas (fibra) na sua composição. Com base nos teores estimados de NDT e de produtividade de MS pode-se calcular quanto de energia (NDT) cada lavoura produziu.

 

 

Cabe lembrar que, quanto maior a produtividade de energia (NDT), maior será a quantidade de leite ou carne por área que aquela silagem poderá pro-duzir; com isso menor será a área necessária para alimentar o rebanho e haverá redução nos custos de alimentação. Pelo fato de a silagem ser de melhor qualidade, será menor a necessidade de ração concentrada para suplementação dos animais.

 

c) Análise dos teores de proteína:

 

A silagem A apresentou menor teor de proteína que a silagem B (6,8 x 7,5%). No entanto, quando se avaliam as produtividades de proteína/ha verifica-se que a silagem A é mais produtiva. 

 
 
 

d) Conclusões:

 

Com base nos cálculos efetuados, pode-se completar a Tabela 1 e, dessa maneira, fazer uma análise mais detalhada das duas silagens, conforme a Tabela 2.


 

Comparando-se as produtividades de energia (NDT) e de proteína (PB) nota-se que a relação é sempre próxima de 10 vezes mais energia do que de proteína produzida, indicando que a proteína não deve ser fator de maior importância na escolha de um híbrido para a produção de silagem.

 

Entendendo as produtividades de matéria seca e de nutrientes por hectare, o produtor poderá realizar comparações simples, mas de grande valia, nas suas tomadas de decisão. Ele pode, por exemplo, avaliar os custos de produção de cada unidade (tonelada ou quilo) de matéria seca, NDT, proteína, etc., simplesmente dividindo-se essas produtividades pelo custo total de cada unidade de silagem produzida. Não será surpresa alguma se ele verificar que a grande maioria das sila-gens de capins e de várias outras opções forrageiras para a ensilagem que, num primeiro momento, seduzem pe-las elevadas produtividades de massa verde, têm custos superiores a de uma silagem de milho de alta qualidade.

Autor:
João Ricardo Alves Pereira Professor Doutor em nutrição de ruminantes e professor adjunto do Depto. de Zootecnia da UEPG - Castro/PR
Fonte: