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Artigos

05/01/2007

Como produzir silagem com menor custo?

A silagem de milho ainda é tida por muitos técnicos e pecuaristas como uma opção cara ou, até mesmo, inviável para a alimentação de seus rebanhos. Em períodos de menor remuneração pela arroba do boi ou pelo litro de leite, reduzir custos na alimentação é a primeira alternativa em que se pensa, uma vez que ela é o item que mais pesa no custo final do produto. Mas, a silagem de milho é cara mesmo?

As práticas mais comuns para se tentar reduzir custos quase sempre recaem na escolha de híbridos de semente mais barata, redução na quantidade de fertilizantes e, em se destinar para a silagem, as piores áreas da lavoura.

Na tabela 1 são apresentados os custos médios de produção (nov/2006) de duas lavouras de milho de diferentes produtividades (30 e 50 toneladas/ha) de massa verde (MV), que serão destinadas à silagem.

Observando-se os custos de implantação, verifica-se que a diferença entre as lavouras é quase toda devida a menor quantidade de fertilizante e uma pequena parte 6 a 7%) na escolha das sementes. Fica evidente que, quanto mais produtiva for a lavoura, menor será o custo de produção da silagem. A silagem da lavoura em que se colhe 50 toneladas/ha, aquela na qual se investiu mais em insumos (adubos, sementes e tratos culturais), é 27% mais barata que a lavoura menos produtiva.

Cabe lembrar que a silagem de milho de maior produtividade de MV também apresenta uma elevada produtividade de grãos, que representa quase metade da matéria seca (MS) da silagem e, como se sabe, é a principal fonte de energia da alimentação animal.

Resultados de ensaios

Na tabela 2 e tabela 3 são apresentados os resultados dos ensaios realizados na Fundação ABC - Castro (PR), na safra 2004/05. Nesses ensaios foram avaliados, entre outros, os efeitos da redução do espaçamento de plantio e aumento na população de plantas sobre as produtividades de silagem e de grãos.

 
 

 

Verifica-se que as técnicas de manejo de lavoura avaliadas possibilitaram aumento considerável nas produtividades. Quando se compara os efeitos da redução de espaçamento no plantio de 80 para 40 cm entrelinhas verifica-se que se tem aumento de mais de 4 toneladas de MV/ha ou mais de 1,2 tonelada de MS/ha. O aumento de população de 60.000 para 80.000 plantas/ha proporcionou aumento médio de produtividade de quase 5 toneladas de MV/há ou mais de 2 toneladas de MS/ha. Obviamente os níveis de produtividade alcançados estão diretamente relacionados com os investimentos em fertilidade.

Embora as produtividades apresentadas, independente do manejo, ainda possam ser consideradas elevadas, o que se deve ter em mente é que quando se colhe entre 30 e 35 toneladas de MV/ha, em muitos casos está se colhendo somente 50%, ou até menos, do potencial produtivo da lavoura. Por outro lado, nem todos os híbridos de milho disponíveis no mercado têm potencial de resposta positiva para estas técnicas de manejo. É nesse ponto que se observa o diferencial do potencial genético de cada um.

Resultados de lavouras

Nas edições anteriores, quando se apresentou produtividades de lavouras de 60 toneladas de MV/ha, alguns técnicos e produtores questionaram sobre esses valores, sugerindo que eles só seriam conseguidos em condições de pesquisa ou em pequenas parcelas.

Na tabela 4 são apresentadas produtividades de silagem obtidas em algumas propriedades na região de Castro (PR) e uma na região de Orizona (GO) (Avaliações feitas através do convênio Pioneer/UEPG).

 

 

 

Nota-se que as produtividades de MV/ha acima de 60 toneladas podem e estão sendo conseguidas em propriedades comuns, algumas superiores até a 70 ou 90 toneladas/ha. No caso da propriedade em Orizona (GO) trata-se de um condomínio de pequenos produtores, mostrando que redução de custos e emprego de tecnologia devem, obrigatoriamente, estar presentes também na pequena propriedade e que ela, na grande maioria das vezes, não passa redução no uso de insumos, mas no aumento de eficiência da colheita da lavoura até o animal em produção.

Certamente existem outras tantas propriedades com produtividades iguais e até superiores a estas. O que todos esses produtores têm em comum é a busca por um alimento volumoso de alta qualidade e de baixo custo. A título de comparação se se tomar a lavoura de 50 t/há (Tabela 1) e ainda se acrescentar mais 25% de custos com semente e mais 10% com fertilizantes, imaginando-se uma lavoura com 80.000 plantas/ha; se se colher 60 toneladas de MV/ha, ter-se-á custo final próximo de R$ 36,00/t de silagem, ou seja, 10% abaixo dos R$ 40,00/t obtidos anteriormente.

Assim, para se reduzir custo na produção de silagem deve-se buscar o aumento da produtividade agrícola, aproveitando-se ao máximo a eficiência da cultura do milho em transformar insumos em volumoso (matéria seca) de alta qualidade. Mesmo que esse aumento de produtividade seja gradativo, os ganhos são certos. Não é mais uma receita daquelas que se mistura comida com produto corrosivo ou algum novo desses que aparecem todo o dia na nossa porta. O segundo momento na redução de custos está na boa conservação da silagem que se colhe. Isso se consegue com o uso adequado de equipamentos, principalmente ensiladeiras, silos limpos, secos e uma silagem bem compactada.​

Autor:
João Ricardo Alves Pereira Professor Doutor em nutrição de ruminantes. Professor adjunto do Departamento de Zootecnia da UEPG - Castro/PR
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