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Artigos

21/08/2007

Biotecnologia e crescimento global

Como opção viável de desenvolvimento, a utilização integrada das chamadas novas tecnologias – a exemplo da biotecnologia, da microeletrônica, dos novos materiais, da automatização e da tecnologia da informação – forma a base sustentável do crescimento global, com profundos impactos nos avanços socioeconômicos. A introdução de técnicas modernas nos sistemas de produção é imperativa para a competitividade, principalmente em nações emergentes como o Brasil, cuja pauta de exportações está apoiada em matérias-primas do agronegócio e outros setores extrativistas.

Diante deste cenário, a biotecnologia ganha destaque, e a demanda pela utilização de transgênicos aumenta de forma significativa a cada ano. Os números revelam que os produtos geneticamente modificados (GM) têm contribuído para a redução efetiva dos custos de produção, o aumento do valor agregado aos produtos e a participação na sustentabilidade ambiental. Atualmente, os transgênicos comercializados contêm características que beneficiam os produtores, como genes de tolerância a herbicidas e resistência a doenças. Em breve, os países em desenvolvimento que sofrem com as secas também poderão adotar sementes tolerantes aos climas quentes e áridos. Outras culturas inovadoras trarão vantagens diretas aos consumidores, por meio do aumento dos teores de óleos, vitaminas e proteínas. Além disso, os cientistas já pesquisam plantas transgênicas capazes de produzir moléculas microbicidas contra o vírus da AIDS, anticorpos utilizados para o diagnóstico contra cânceres e polímeros biodegradáveis.

Recente publicação do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA) descreve com detalhes os resultados sobre a evolução da utilização de plantas transgênicas nos últimos 11 anos. Em 2006, mais de 10 milhões de agricultores cultivaram-nas. Daqueles que adotaram a biotecnologia no ano passado, cerca de 90% eram pequenos agricultores de países em desenvolvimento, como a Índia, a China, as Filipinas e a África do Sul. As altas taxas de adesão refletem a satisfação do agricultor. A soja transgênica continua sendo a cultura mais importante em 2006, ocupando 58,6 milhões de hectares, de um total de 102 milhões de hectares, seguida por milho, algodão e canola.

As preocupações sérias e urgentes sobre o impacto no meio ambiente, mencionadas no Relatório Stern sobre Alterações Climáticas de 2006, enfatizam a possibilidade de que as lavouras transgênicas contribuam para a redução do efeito estufa e da mudança climática por meio da economia permanente de emissões de dióxido de carbono, favorecendo o preparo conservacionista do solo e a eventual substituição de combustíveis fósseis.

Apesar da ampla adoção dos transgênicos, posições contrárias ainda apoiam seus argumentos em potenciais impactos negativos ao meio ambiente e à falta de segurança alimentar. Ora, as plantas GM têm ocupado áreas superiores a dezenas de milhões de hectares desde 1995. Certamente elas nunca seriam adotadas caso não fossem seguras para a saúde humana, animal e ambiental. Até hoje não foram apresentadas quaisquer evidências de efeitos adversos. É importante mencionar que, antes mesmo da liberação ao consumidor, existe a necessidade do cumprimento de um grande número de rígidas avaliações para que a planta transgênica alcance as lavouras. E dispomos de mecanismos efetivos de fiscalização e acompanhamento das culturas geneticamente modificadas comerciais para confirmar a participação do Brasil na esteira do crescimento global sustentável.

Sobre o CIB
O Conselho de Informações Sobre Biotecnologia (CIB) é uma organização não-governamental, cujo objetivo básico é divulgar informações técnico-científicas sobre biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema. Para estabelecer-se como fonte segura de informações para jornalistas, pesquisadores, empresas e instituições interessadas em biotecnologia, o CIB dispõe de um grupo de conselheiros formado por mais de 70 especialistas – cientistas e profissionais liberais, em sua maioria – ligados a instituições que estudam as diferentes áreas dessa ciência.

Informações adicionais: http://www.cib.org.br/

Autor:
Elibio Rech
Pesquisador da Embrapa e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB)