Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

04/01/2008

Lendo, interpretando e aplicando as informações de mercado

Lendo o mercado
Há muito tempo é cobrado dos agricultores que a busca pela informação seja feita de forma incessante. E isto nunca esteve tão em pauta quanto nos dias atuais. Constantemente, ouvimos que temos que ser eficientes também do porto pra fora. Esta nova expressão nos mostra claramente a dimensão que o agronegócio brasileiro vem tomando ao longo dos últimos anos no cenário mundial, em especial em 2007. Este ano deveremos atingir o primeiro lugar em exportação mundial de soja com um volume previsto muito próximo de 30 milhões de toneladas. Além disso, nos consolidaremos como o terceiro maior exportador de milho com chances reais de exportarmos 10 milhões de toneladas (ou mais), ficando atrás somente dos EUA e da Argentina, superando a China, que durante muitos anos se manteve em segundo lugar.

E o que é mais impressionante nisso tudo é que podemos visualizar um futuro com perspectivas de ocupar o lugar da Argentina num intervalo de tempo infinitamente inferior ao período que demoramos para chegar ao terceiro ou, até mesmo, a sermos considerados exportadores.

Para isso, temos que superar problemas de logística e infra-estrutura. O gasto do Brasil neste setor é equivalente a 16% do PIB nacional, enquanto que, em países mais desenvolvidos, este custo não passa de 10%. Ainda transportamos 70% da nossa produção agrícola através de caminhões, 23% através de ferrovias e apenas 7% por hidrovias. Tudo isso diminui a nossa competitividade e diminui a renda do produtor, mas não diminui o nosso desejo genuíno de superação e busca pela produtividade. Dessa forma, podemos naturalmente nos colocar junto com a China na condição de locomotiva do agronegócio, onde os chineses serão cada vez mais a locomotiva do consumo e nós seremos cada vez mais a locomotiva da produção.

 

Interpretando o mercado
O mundo hoje vive uma profunda discussão sobre as conseqüências da competição entre a produção de alimentos e a bioenergia. Discussão esta profundamente válida, mas que deveria sair dos patamares ideológicos e partir para um ponto de vista economicamente realista. Pensando nisso, tentaremos fazer uma interpretação racional dos números do mercado:

1. Todo e qualquer produto que apresenta mecanismos específicos de formação de preço, não foge do fundamento mais elementar, que é a lei da oferta x demanda.

2. A relação oferta x demanda nos direciona para uma conseqüência inevitável, que é a relação estoque x consumo.

3. O mundo vem produzindo mais grãos ao longo dos últimos anos, especialmente milho e soja. Mas, a leitura não pode ser unilateral. É preciso cruzar estas informações com o consumo e, finalmente, fazer-se uma avaliação mais coerente, chegando ao conceito correto de relação estoque/consumo. Esta expressão é que deve ser a base prioritária para análises e discussões.

O mundo apresenta hoje a relação estoque/consumo mais baixa dos últimos 34 anos, onde só em 1974 tivemos uma relação inferior a 14% assim como hoje, contrariando a média histórica de 20,4%. No caso específico da soja, temos que essencialmente olhar o mercado de quatro países - EUA, Brasil, Argentina e China - lembrando que os 3 primeiros representam cerca de 85% de toda a soja produzida no mundo e a China representa sozinha 45% de toda a soja importada do mundo. Para safra 2007/2008, com toda a redução de área de soja dos EUA, onde esta ficou em torno de 26 milhões de hectares, sendo a mais baixa dos últimos 12 anos, estamos diante de uma previsão de relação estoque/consumo nos EUA abaixo de 10%, o que nos leva a acreditar numa sustentação de preços bem acima da média histórica de US$ 6,2/bushel e com chances reais de superar a marca dos US$ 10,00/bushel, como ocorreu na safra 2003/2004. No caso da soja pesa, negativamente, o fato de o Brasil ser um grande exportador de grãos de soja, diferente da Argentina, que agrega valor ao produto, exportando óleo e farelo. Desta forma, somos reféns do câmbio e do efeito prêmio que quando negativo, impacta de forma devastadora na remuneração do nosso produtor.

Para o milho, o cenário é ainda bem mais favorável. Faz tempo que o milho deixou de ser coadjuvante do agronegócio brasileiro. Hoje, ele é o ator principal. O mundo todo consome milho, e só 4 países exportam: EUA, China, Argentina e Brasil. Por isso, ao analisar o mercado mundial de milho precisamos focar nos números destes 4 países:

- Argentina - Tem grande vocação para produzir milho, mas baixíssima capacidade de consumo, e exporta 70% do milho produzido;

- China - Historicamente, sempre foi o segundo maior exportador de milho, tanto que em 2001 seu estoque era maior do que o que existe em todo o mundo hoje. Com um PIB médio acima de 9% nos últimos 5 anos, a mudança de hábito alimentar faz deste país, hoje, um pequeno exportador e um importador em potencial;

- Brasil - Devemos ocupar facilmente a terceira posição dentre os exportadores, atingindo um número recorde de 10 milhões de toneladas, caso mantenha o ritmo apresentado até julho último. O ano de 2007 deve ser um marco na cultura do milho no Brasil, pois deve atingir na sua segunda safra, um recorde de produção acima de 14.5 milhões de toneladas, que somadas à primeira safra permitirá um total de produção estimado em 51 milhões de toneladas;

- EUA - Como o maior produtor e maior exportador de milho do mundo, os EUA são o grande balizador dos preços e, em 2007, plantaram a maior área desde 1944, superando os 36 milhões de hectares e com uma expectativa de produção acima de 330 milhões de toneladas.

Olhando dessa forma, a conclusão do produtor é imediata, levando-o a crer que haverá uma super oferta de milho e que os altos preços apresentados atualmente não são sustentáveis. Ledo engano! Apesar de toda esta super área e super produção, os EUA também apresentam um super consumo, especialmente para produção de etanol. Estima-se que quase 30% do milho produzido poderá ser destinado para produção de etanol. Os EUA estarão com 197 usinas prontas até o final de 2007, sendo 119 já concluídas e 78 em construção, além de 8 em expansão. Dessa forma, a relação estoque/consumo deve situar-se em torno de 11%, abaixo de 14,8%, que é a média histórica dos últimos 10 anos.

Aplicando as informações de mercado
Diante de um cenário mundial tão favorável para as nossas principais culturas, fica a grande pergunta: “O que devo plantar?” Esta resposta não é tão simples quando lembramos do endividamento, da alta dos fertilizantes, da logística deficitária e da extensão continental que tem o nosso país. Mas algumas dicas e reflexões podem nos auxiliar nesta decisão.

1. Vale lembrar que a evolução genética do milho foi muito superior à da soja nos últimos anos, tanto que no passado comparávamos 50 sacos de soja com 100 sacos de milho. Hoje os parâmetros mudaram, e comparamos 60 sacos de soja com 140 a 150 sacos de milho. Mas, lembrem-se: uma cultura depende da outra. A decisão mais coerente é aquela com base em aspectos técnicos como a rotação de culturas, combinados e ajustados com os aspectos econômicos.

2. Não existem mais gargalos técnicos para se produzir milho em regiões mais tropicais e abaixo de 700 m. Hoje, com o melhoramento genético totalmente adaptado e um manejo perfeitamente ajustado, atinge-se, com relativa facilidade, produtividades superiores a 140 ou 150 sacos ou mais em um único hectare. Com a soja ocorre o mesmo, desde que em ambos os casos sejam adotadas adequadas práticas de manejo atualmente disponíveis. Assim, o aumento da produtividade é ainda o melhor caminho para se reduzir o custo por unidade produzida e aumentar as margens de lucro.

3. Para as regiões com alta vocação para safrinha como PR, MT, GO, MS e SP, o cenário é ainda mais favorável pois podemos perfeitamente fazer um planejamento para se produzir acima de 55 sacos de soja por hectare e buscar produtividades acima de 80 a 90 sacos de milho por hectare. Mas, mesmo nestas áreas, o plantio de milho verão apresenta-se com uma excelente alternativa econômica, principalmente para quem busca restabelecer o equilíbrio da rotação de culturas.

4. O complexo de carnes, especialmente os setores de aves e suínos, estão plenamente aquecidos e as exportações fecharam em 25% acima para aves e 35% acima para suínos, quando comparamos o primeiro semestre de 2007 com o mesmo período em 2006, lembrando que quase 80% do consumo de milho no Brasil vem exatamente do complexo de carnes. Em algumas regiões produtoras de leite, o milho utilizado para produção de silagem com alto volume e qualidade pode deixar essa atividade ainda mais rentável.

5. Historicamente, o Brasil foi mundialmente conhecido como o país da soja, e os nossos produtores, devido ao foco e a alta concentração de plantio de soja, como sojicultores. Agora chegou a hora de mudar, consolidar-se como agricultor, plantando milho e soja, e consagrando-se como um bom gestor com foco na sua atividade. ​

Autor:
Francisco Sampaio
Gerente de Negócios e Treinamentos Pioneer Sementes
Fonte: