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Artigos

16/01/2012

Safrinha 2007 – O que aprendemos com ela

​Ao longo dos anos, a observação do comportamento dos híbridos de milho plantados nas diferentes regiões de Safrinha do Brasil, tem revelado que a opção por defensividade com potencial produtivo tem sido a decisão técnica e econômica mais correta, em função da instabilidade climática que ocorre nestes ambientes. E, na Safrinha deste ano, não foi diferente.

Combinado à seleção de híbridos com características defensivas, o adequado planejamento respeitando-se as melhores épocas de plantio, a adequada população de plantas considerando o híbrido, o nível de tecnologia adotada e a própria redução do espaçamento podem contribuir em muito para o aumento da estabilidade produtiva.


O que aconteceu nas diferentes regiões de safrinha

No Sudoeste de Goiás e Norte do Mato Grosso do Sul, a área plantada com safrinha vinha oscilando ao redor de 200 mil hectares e era altamente influenciada pelo regime de chuvas e da área plantada com soja precoce.

Na Safrinha de 2007, como o regime de chuvas se antecipou e havia a expectativa de preços de milho crescente, houve a elevação da área plantada em aproximadamente 50%, gerando uma diminuição do plantio de sorgo para apostar no milho, ocasionando plantios de milho safrinha fora da época ideal.

Nesta mesma região, as condições climáticas de safrinha foram muito instáveis com má distribuição das chuvas, gerando perdas de até 60% na produtividade esperada em algumas regiões. No final, o aumento da produção não acompanhou os índices de aumento de área, o que gerou, em números absolutos, um incremento de 150 a 200 mil toneladas de milho em comparação á ultima safrinha de 2006, cerca de 1.190.000 toneladas de grãos no total.

No Oeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul, a Safrinha 2007 começou muito bem, com uma excelente distribuição de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro, mas as altas temperaturas e estiagens registradas em março propiciaram um aumento na incidência de ferrugem polissora (Puccinia polissora) e o surgimento de um surto de pulgão no milho (Rophalosiphum maydis).

No final do mês de maio ocorreram geadas que afetaram as lavouras em diferentes intensidades, pois os plantios se estenderam até final do mês de março e havia lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento. De maneira geral, a expectativa inicial de produtividade foi reduzida em mais de 20%, nestas regiões.

No Estado do Mato Grosso a safrinha de milho 2007 foi responsável por ocupar 1,3 milhões de hectares, praticamente o dobro da área cultivada no ano anterior. Com a cultura do milho em expansão e sua utilização cada vez mais difundida na alimentação animal e nas exportações, o plantio do milho dentro de um sistema de cultivo assume, além de importância técnica, importância econômica nunca antes experimentada pela cultura neste estado, impondo aos produtores o desafio de profissionalizar o cultivo do milho.


Híbridos defensivos combinados com práticas de manejo
A defensividade foi determinante em situações onde ocorreram geadas mais fortes ou surto de ferrugem polissora como foi o caso do Oeste do Paraná e Sul do MS. Essas condições provocaram elevados índices de quebramento devido ao gasto excessivo de reservas armazenadas no colmo para o enchimento de grãos e híbridos mais defensivos puderam suportar melhor as condições de estresse.

De forma geral, nessa região, produtores que optaram por híbridos com precocidade mas com baixos níveis de defensividade como estratégia para fugir dos riscos climáticos, não obtiveram bons rendimentos.

Os melhores resultados vieram dos produtores que adotaram a estratégia do Sistema de Combinação de Híbridos junto com práticas adequadas de manejo. Tiveram sucesso aqueles que utilizaram híbridos caracterizados por precocidade, potencial produtivo e defensividade em diferentes proporções, de acordo com o nível tecnológico e época de plantio como forma de amenizar os riscos inerentes ao plantio de safrinha. Assim, quanto mais tardio o plantio, maior defensividade se procurava no híbrido.

Não foi diferente com as demais regiões de safrinha como o sudoeste Goiano, Norte do MS e MT. Diante da instabilidade climática ocorrida nessas regiões, as lavouras que obtiveram os melhores resultados, mais uma vez, foram aquelas que foram plantadas utilizando-se o Sistema de Combinação de Híbridos junto com determinadas práticas de manejo. Houve planejamento do plantio do milho safrinha após soja precoce, observando-se aspectos de residual de herbicida, com adequada população e, em alguns casos, somado ao espaçamento reduzido. Esse conjunto de procedimentos adotados está possibilitando que muitos produtores dessas regiões, mesmo que tenham sofrido com certa instabilidade climática, colham uma média superior economicamente viável e que o estado do MT colha um volume ao redor de 5 milhões de toneladas.


Os problemas merecem atenção

De uma maneira geral, nas áreas de safrinha, o aumento de pragas como percevejos e sugadores tem sido uma realidade. Independente da região, o tratamento de sementes vem sendo considerada uma prática quase que obrigatória com a proposta de assegurar o estande das lavouras. Nessas regiões de safrinha, devido ao uso mais intenso das áreas, o ataque de pragas de solo e de fases iniciais tem sido cada vez mais intenso e tem comprometido o estabelecimento da cultura e da produtividade final das lavouras.

Outro fator de extrema importância, independente da região, é o aumento da pressão de inóculo de algumas doenças como a ferrugem polissora, faeosféria ou mancha branca, cercosporiose e helmintosporiose, entre outras, que se tornam cada vez mais intensas e requerem algumas medidas adicionais de controle que vão desde a escolha de híbridos com maior grau de tolerância até o uso de fungicidas específicos.

No Mato Grosso, o aumento da população de nematóides tem ocasionado expressivas perdas de rendimento da soja e, consequentemente, a busca por rotação com espécies que inibam a reprodução dos nematóides, define a preferência pela utilização de híbridos de milho que tenham menor fator de reprodução (FR).



Planejamento da safrinha
De forma geral, dividimos o plantio de safrinha em três períodos. Cada produtor tem uma concentração diferente de plantio dentro de cada uma destas épocas, em função de suas estratégias de produção e/ou andamento das chuvas no período de desenvolvimento e colheita da soja. Mas, esta informação é a base para a seleção de híbridos que irão compor a lavoura de milho safrinha.

O primeiro período, de maneira geral, inicia-se em janeiro e estende-se até dia 25 do mesmo mês, sendo considerado o melhor período de plantio, no qual se pode esperar e apostar em boas produtividades e onde posicionamos uma percentagem maior de híbridos que se caracterizam por potencial produtivo e uma percentagem menor de híbridos que se caracterizam por defensividade.

O segundo período, que vai de final de Janeiro até 20 de Fevereiro, é em que se concentram os maiores volumes de plantio em todas as regiões de Safrinha do Brasil. Neste período recomendamos uma porcentagem maior de híbridos com característica de defensividade e menor de híbridos que apresentem potencial produtivo como principal característica, pois as condições adversas (redução de temperatura e luminosidade, riscos de doenças e geadas precoces) têm uma probabilidade maior de ocorrência.

O terceiro período é o que se inicia após 20 de fevereiro e, dependendo da região, pode se estender até final de março e, em alguns casos e anos, entrar no mês de abril. Nesse período os riscos aumentam consideravelmente e nesta condição, visando maior segurança dentro de um custo compatível, recomendamos o uso de materiais essencialmente defensivos e precoces com defensividade, deixando em segundo plano a característica do potencial produtivo, pois neste ambiente normalmente os investimentos do produtor são baixos e não haverá a expressão desta característica pelo híbrido.

O posicionamento de híbridos como descrito anteriormente ameniza muito as condições desfavoráveis, que não são poucas quando se trata de safrinha, mas ainda mantém a produtividade refém do manejo definido pelos produtores. Por estas razões é que sempre recomendamos nossos híbridos na forma de um Sistema de Combinação junto com a adoção de adequadas práticas de manejo.

 

Conclusões
Assim, o tratamento de sementes, o monitoramento constante das pragas, a adequada população de plantas (conforme o híbrido, nível tecnológico, época de plantio principalmente), a redução de espaçamento, plantios preferencialmente após a soja - tomando cuidado com os efeitos residuais dos herbicidas utilizados -, o monitoramento das doenças e, se for o caso, a aplicação de fungicidas específicos para o controle, são práticas importantes e devem, sempre que possível, ser combinadas com a seleção de híbridos, visando uma safrinha mais segura e estável. ​

Autor:
Ricardo B. Zottis, Paulo E. Pinheiro, Rafael B. Seleme
Coordenadores Técnicos Pioneer no MT, GO e PR/MS (respectivamente)

Itavor Nummer Filho
Gerente de Produtos e Tecnologia Pioneer Região Sul
Fonte: