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Artigos

10/01/2008

Milho Bt – O Milho Geneticamente modificado para o controle de insetos

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), na sua reunião de agosto, aprovou o pedido de uso comercial do primeiro evento de milho geneticamente modificado para resistir ao ataque de insetos, também conhecido como Milho Bt, o MON810. Em seguida, na sua reunião de setembro, aprovou o segundo evento deste mesmo tipo: o Bt 11. Essa denominação genérica, milho Bt, é derivada da fonte dos genes utilizados nesta tecnologia, a bactéria Bacillus thuringiensis.

 

O Bacillus thuringiensis
O B.thuringiensis foi descoberto no início do século passado, no Japão, quando provocou uma grande mortalidade em lagartas do bicho-da-seda e, alguns anos mais tarde, foi classificado por Berliner, na Alemanha, que homenageou uma região deste país, a Turíngia. Poucos anos depois, formulações contendo esta bactéria já eram utilizadas comercialmente como inseticidas naturais, inicialmente na França.

A ação inseticida do B.thuringiensis, vem do fato que, durante seu desenvolvimento, especialmente na sua esporulação, ele produz proteínas tóxicas a determinados tipos de insetos, notadamente Lepidópteros (borboletas e mariposas), Coleópteros (besouros) e Dípteros (moscas). O tipo mais comum destas proteínas é denominado de Proteína Cristal e são mais conhecidas como Proteínas Cry. Atualmente são conhecidos em torno de 50 tipos de famílias de proteínas Cry e elas são diferenciadas por números, Cry1, Cry2, etc., sendo que cada família atua sobre um tipo diferente de inseto. Por exemplo, Cry1 e Cry2 atuam sobre lepidópteros; Cry3 sobre Coleópteros; Cry4 sobre Dípteros; entre outros.
 

Modo de ação das Proteínas Cry
As proteínas Cry são uma ótima forma de controle de insetos devido à sua especificidade, decorrência do seu modo de ação. Da forma como são produzidas pela bactéria, elas são inócuas. Para que atuem, há a necessidade da ingestão da proteína pela praga-alvo. Uma vez ingeridas, em contato com o fluido gástrico dos insetos, que tem pH básico, a proteína é quebrada em locais específicos, liberando a molécula inseticida. Esta molécula irá se ligar, então, aos receptores das paredes do intestino do inseto, inicialmente bloqueando a absorção de alimentos e, posteriormente, abrindo poros nas membranas celulares, que levarão à disrupção (ruptura) do sistema gástrico e conseqüente morte do inseto.

É, por isso, que seu uso é altamente seguro. Primeiro, porque é necessária a sua ingestão por organismos que possuam fluido gástrico alcalino. Os mamíferos e aves têm fluidos gástricos extremamente ácidos. A proteína, ao invés de se quebrar nos locais específicos, é completamente desintegrada. Segundo, pela sua especificidade. Outros organismos que estejam presentes na cultura não são afetados porque em insetos, sem os receptores específicos, não ocorre a ligação com as membranas e a destruição do sistema digestivo, protegendo assim vários inimigos naturais.

No entanto, embora apresentem esses benefícios, as formulações comerciais de B.thuringiensis são pouco utilizadas comercialmente. Apenas uma formulação inseticida, utilizando o B. thuringiensis, está registrada no Brasil para uso na cultura do milho. São dois os principais problemas: a fixação das proteínas nas plantas para serem ingeridas pelas pragas-alvo, uma vez que são moléculas relativamente grandes e facilmente lavadas pela chuva ou pela irrigação. Além disso, estas proteínas são sensíveis à luz solar, degradando-se facilmente quando expostas.

Uma resposta foi dada, quando a engenharia genética de plantas se tornou uma ciência prática. Se as próprias plantas pudessem produzir estas proteínas e estas ficassem dentro dos tecidos vegetais, sem problemas de lavagem pela água ou degradação pela luz, esse problema estaria solucionado. Surgiu, então, uma nova e eficaz tecnologia.

 

Plantas Bt
Em 1996, nos Estados Unidos, foram aprovadas para uso comercial as primeiras plantas Bt para as culturas da batata e algodão. No ano seguinte, foi a vez do milho. Atualmente, segundo o ISAAA, em 2006 foram plantados aproximadamente 32 milhões de hectares de culturas resistentes ao ataque de insetos, sendo que o milho Bt foi plantado em 13 países (Estados Unidos, Argentina, Canadá, África do Sul, Uruguai, Filipinas, Espanha, França, Honduras, República Tcheca, Portugal, Alemanha e Eslováquia). Em 2007, além da aprovação brasileira, o milho Bt recebeu também aprovação na Colômbia. Dentre os diferentes tipos de plantas transgênicas aprovadas comercialmente, sem dúvida o milho Bt é o que foi aprovado em um maior número de países e que possui o maior volume de estudos.

 

Benefícios da tecnologia – Milho Bt
São vários os benefícios do uso da tecnologia do milho Bt. Inicialmente a eficiência de controle, já que, como é a própria planta que produz a proteína, ela está presente nas plantas desde as primeiras fases da cultura até o final do ciclo. Isso confere um controle eficiente das pragas-alvo. Uma das pragas controladas pela tecnologia Bt é a lagarta do cartucho - durante todo o ciclo da cultura, evitando novas infestações e reduzindo significativamente os danos causados aos grãos das espigas e melhorando, conseqüentemente, a qualidade do produto final. Em suma, isso propicia melhor proteção e redução das perdas potenciais de produtividade.

Adicionalmente, como dispensa algumas pulverizações para controle de pragas de elevado potencial de dano e valor econômico para a cultura, há também economia não só de inseticidas, mas de combustível e água, reduzindo também as emissões de carbono da atividade agrícola. Esse conjunto proporcionaria uma melhor qualidade de vida e maior nível de proteção ambiental.

No entanto, esta tecnologia não é mágica. Em locais de alta infestação, o monitoramento deve ser constante e, eventualmente, alguma aplicação complementar pode ser necessária.

 

No Brasil
A aprovação do MON810 e do Bt11 pela CTNBio foi só o primeiro passo. Os híbridos contendo estas tecnologias ainda precisam ser registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para que possam ser produzidos e comercializados no Brasil. O processo de registro está temporariamente suspenso por liminar da justiça federal do Paraná.

Além disso, o que é positivo para o agricultor, é que ainda existem outros dois eventos de milho Bt aguardando avaliação da CTNBio e, com o avanço da tecnologia, outras novas tecnologias com certeza virão para melhorar ainda mais esta ótima ferramenta, finalmente à disposição do agricultor brasileiro.​

Autor:
Goran Kuhar Jezovsek
Gerente de Registro e Regulamentação da Pioneer Sementes
Fonte: