Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

18/03/2008

O direito de optar pelos transgênicos

Esta é a hora de o Brasil abrir suas portas para o desenvolvimento da biotecnologia agrícola. A segurança dos transgênicos é atestada, há mais de uma década, e renomadas instituições, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Academia de Ciências do Vaticano apoiam o desenvolvimento da biotecnologia. As vantagens ambientais, sociais e econômicas dessa ferramenta também são reforçadas anualmente por estudos europeus, norte-americanos e brasileiros. Falta apenas que alguns setores enxerguem as perdas que a não-adoção da engenharia genética imputam à sociedade brasileira e que se apresse a liberação comercial de novas variedades transgênicas.

Alguns ótimos exemplos dos benefícios da adoção da biotecnologia agrícola são a redução no uso de agrodefensivos; o menor consumo de água, utilizada no preparo desses produtos; e a economia de diesel, que abastece os tratores para a pulverização dos mesmos. De acordo com uma recente pesquisa feita pela consultoria Céleres a pedido da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), apenas as variedades geneticamente modificadas (GM) de soja e algodão já comercializadas no Brasil gerarão, nos próximos 10 anos, uma redução de 77,1 mil toneladas no consumo de ingredientes ativos de defensivos agrícolas. Com o menor número de pulverizações, a economia de diesel nesse período deverá atingir 382,3 milhões de litros, o suficiente para abastecer cerca de 160 mil caminhonetes durante 10 anos. Já a economia de água atingirá 56,2 bilhões de litros, ou o equivalente ao consumo de uma cidade de 130 mil habitantes durante uma década. Por fim, a diminuição na emissão de CO2 na atmosfera resultante do uso dessas tecnologias se igualaria ao plantio de 8,3 milhões de árvores.

Até o ano passado, essas duas variedades – uma de soja e outra de algodão – eram as únicas autorizadas no país. Agora que poderemos plantar também dois tipos de milho GM, conforme decisão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e ratificação do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), a biodiversidade e a agricultura do país terão benefícios ainda maiores. Uma terceira variedade de milho transgênico, já avaliada pela CTNBio, também deverá chegar em breve ao mercado.

Além disso, o Brasil é considerado um celeiro de profissionais que desenvolvem importantes pesquisas. O Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, desenvolveu a laranja e o limão resistentes a doenças de impacto econômico na cultura dos citros. Já o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e as empresas CanaViallis e Alellyx despontam no melhoramento genético da cana-de-açúcar, por meio de variedades com até 60% a mais de sacarose.

No mais, na última safra, 23 países cultivaram largamente transgênicos, somando 114 milhões de hectares plantados no mundo. Considerando as nações que importam alimentos GM, pode-se afirmar que os transgênicos são consumidos hoje em mais de 50 países, sem registro de impactos negativos para o meio ambiente, para a saúde humana ou animal. Esses números foram apontados agora em fevereiro pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA).

Felizmente, como demonstrado na recente decisão do CNBS de liberar o milho GM, o Brasil parece estar no caminho certo para recuperar o tempo perdido e adotar variedades extensamente cultivadas no mundo todo. Quem defende esses produtos defende a liberdade de escolha, e não a utilização exclusiva de uma única tecnologia. Trata-se de uma atitude democrática que alguns insistem em não aceitar. Já está mais do que na hora de abrirmos definitivamente o nosso mercado para essa realidade, cada vez mais consolidada nos cinco continentes. ​

Autor:
Alda Lerayer
Diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).