Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Artigos

Artigos

10/06/2008

Milho Bt aprovado no Brasil. E agora?

A liberação comercial
Em agosto de 2007, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), órgão do Governo Federal formado por especialistas da área de Biotecnologia, deu parecer técnico favorável, aprovando o evento de milho Bt, denominado de MON810, com nome comercial YieldGard®.

Embora esta aprovação tenha seguido os caminhos legais, cumprindo os protocolos determinados pela lei de biossegurança, uma liminar da Justiça suspendia temporariamente seus efeitos. Diante disto, como preconiza a lei de biossegurança, quando ocorrem questionamentos de outros órgãos governamentais, cabe ao CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança) a decisão de liberação. O CNBS, formado por 11 ministros de estado, ratificou a decisão da CTNBio no dia 12 de fevereiro de 2008, permitindo o registro de híbridos de milho pelo Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O fato abriu a possibilidade para a produção, importação e comercialização de híbridos com o gene Bt no Brasil.

 

O Bacillus thuringiensis
Em 1901, pesquisadores descobriram que uma epidemia de mortalidade de bicho-da-seda no Japão era devido a uma bactéria. Dez anos depois, na Alemanha, o pesquisador Berliner conseguiu isolar e caracterizar essas bactérias, batizando-as de Bacillus (por sua forma cilíndrica) thuringiensis (em homenagem à região alemã da Turíngia). Em 1938, na França, formulações, contendo colônias dessas bactérias, foram vendidas como inseticida biológico e, em 1954, seu modo de ação foi descoberto.

Bacillus thuringiensis é uma bactéria de solo presente nos mais diversos continentes. Hoje são 50 diferentes famílias descobertas e organizadas por um código numérico. Como exemplo temos a família Cry1, que atua sobre lepidópteros (borboletas); a Cry3, que atua sobre coleópteros (besouros); e a Cry4, que atua sobre dípteros (moscas e mosquitos), sendo inclusive utilizada no controle biológico de mosquitos vetores de doenças como a dengue.

 

 
 Bacillus thuringiensis

 

Modo de ação do Bacillus thuringiensis
O que torna as proteínas do Bacillus thuringiensis eficientes e seguras para seu uso é seu modo de ação altamente específico: cada proteína atua de maneira singular em determinada ordem de insetos. Com base em estudos científicos e avaliações que comprovam esta especificidade, pode-se afirmar que estas proteínas não apresentam ação inseticida em insetos benéficos ou inimigos naturais. Por isso, a tecnologia Bt é uma forte aliada à proteção do meio ambiente.

Para liberar o núcleo inseticida é necessário que a proteína, em forma de cristal, seja primeiramente ingerida pelo inseto para depois, em ambiente de pH alcalino, ser quebrada em pontos específicos, que liberam este núcleo ativo.

No sistema digestivo de humanos e animais superiores, o ambiente é de pH ácido e a proteína é completamente degradada em minutos, tornando-se inativa. Desta forma, a proteína não apresenta nenhum efeito em animais superiores ou humanos.

Após a liberação do núcleo ativo da proteína, este deve se ligar a receptores específicos na parede do intestino do inseto-alvo. É, por isto, que diferentes proteínas têm diferentes especificidades devido a variação destes receptores através das diferentes espécies, ordens e classes de insetos. Uma vez ligada, a proteína na forma de cristal, inicialmente inibe a absorção de alimentos e, depois, provoca poros nas membranas do intestino, destruindo-o por completo e provocando a morte do inseto.

Em resumo são três os passos para que a proteína cristal funcione como inseticida: ingestão, quebra nos lugares corretos e ligação em receptores específicos. Somente com estas três condições presentes é que ocorre o potencial inseticida da proteína.

 

O milho Bt
O milho Bt, marca YieldGard®, contém uma proteína chamada Cry1Ab, que tem ação inseticida contra lagartas de lepidópteros como a lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda) e a broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharallis). É inócua para animais vertebrados e seres humanos e vem sendo utilizada há mais de dez anos nos Estados Unidos e na Argentina, os maiores exportadores de milho, e tem autorização de importação e plantio em países como a África do Sul e a Tailândia, além da União Européia.

 

Spodoptera frugiperda
 

 

 
Diatraea saccharalli

 

A Pioneer® obteve do Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-RNC, o registro de 13 híbridos e colocará, já a partir dessa safra, sementes disponíveis no mercado com esta tecnologia para que os agricultores brasileiros, finalmente, possam usufruir de seus benefícios.

 

 
 

Como devo plantar o milho Bt?
Ao contrário da soja tolerante a herbicidas, o plantio do milho Bt e, conseqüentemente, a condução das lavouras de milho com a tecnologia Bt requerem a observação de alguns requisitos. São eles: o respeito às normas de coexistência e a obrigatoriedade do plantio das áreas de refúgio como forma de manejo da resistência de insetos.

 

Normas de coexistência – Uma garantia pelo direito de opção
Como o milho é uma planta de polinização aberta, existe a possibilidade de uma lavoura de milho Bt polinizar uma de milho convencional, isto é, sem o gene Bt, e este ser testado e classificado como transgênico.

Do ponto de vista de segurança ambiental ou de saúde, não há nenhum problema nisso, pois o milho Bt foi aprovado para uso e consumo com base em inúmeros estudos científicos há vários anos, que atestam não ser potencialmente danoso nem ao meio ambiente nem à saúde, dentre outros aspectos. A sua especificidade e a sua equivalência substancial que comprova a sua similaridade com o seu par convencional, ou seja, um mesmo híbrido Bt quando comparado com a sua versão convencional (sem o gene Bt) são idênticos quanto a sua constituição nutricional com exceção, é claro, da presença da proteína com ação inseticida específica para determinado inseto-alvo.

A norma de coexistência foi elaborada simplesmente para proteger os direitos de opção, ou seja, o de se respeitar o direito de escolha do agricultor vizinho em optar pelo uso ou não desta tecnologia. Para tanto, a CTNBio emitiu a Resolução Normativa número 4, que dispõe o seguinte: “Art. 2º: Para permitir a coexistência, a distância entre uma lavoura comercial de milho geneticamente modificado e outra de milho não geneticamente modificado, localizada em área vizinha, deve ser igual ou superior a 100 (cem) metros ou, alternativamente, 20 (vinte) metros, desde que acrescida de bordadura com, no mínimo, 10 (dez) fileiras de plantas de milho convencional de porte e ciclo vegetativo similar ao milho geneticamente modificado."

O agricultor que optar pelo plantio do milho Bt deverá respeitar esta norma de coexistência. Assim respeitará os direitos do seu vizinho.

 

 

 

Áreas de refúgio e manejo da resistência dos insetos
São vários os exemplos já publicados de pragas que resistem aos inseticidas, de plantas daninhas que passam a resistir a herbicidas e de doenças que se mostram resistentes a vários fungicidas que anteriormente as controlavam. Para isto, há várias soluções, mas que, normalmente, só são aplicadas quando o problema já está estabelecido. Uma delas, normalmente a mais empregada, é a substituição do produto por outro que tenha um princípio ativo e conseqüente mecanismo de ação diferente.

No caso do milho Bt, todos os estudos visam trabalhar de maneira preventiva e, portanto proteger a tecnologia, fazendo com que a mesma perdure o maior tempo possível, ajudando a solucionar os problemas de insetos nas lavouras dos agricultores. Assim, por meio de um trabalho preventivo, toda a equipe técnica de campo da Pioneer fará um esforço para informar sobre a importância da adoção das técnicas de manejo da resistência de insetos.

Ao contrário do que muitos pensam, o contato com as plantas transgênicas (ou outro método de controle) não induz ao aparecimento da resistência. Apenas seleciona aqueles indivíduos que já apresentam uma resistência natural e acabam favorecidos pela eliminação dos insetos que não a têm, aumentando seu número através das gerações, até que toda uma população apresente esta característica, acabando com a opção de uso desta tecnologia de controle. Daí a importância da prevenção.

Uma ferramenta que tem se mostrado muito eficaz no manejo da resistência é a utilização de áreas de refúgio, ou seja, faixas de milho não transgênico, plantadas próximas a lavoura de milho Bt sob diferentes modelos (Vide modelos), onde os insetos não estarão expostos a esta tecnologia. Nos países em que esta prática é utilizada, ela tem mostrado alta eficiência.

 

 

A intenção das áreas de refúgio é permitir que nas redondezas da lavoura onde foi utilizado o milho Bt ocorra uma população de insetos suscetíveis e estes se cruzem com os prováveis insetos resistentes (escapes) da área com o gene Bt. Deste modo, obtém-se uma descendência que mantém uma proporção de indivíduos suscetíveis na população original, evitando-se, assim, o aparecimento de insetos resistentes.

A prevenção para o aparecimento de populações resistentes requer as seguintes condições: que tenha uma quantidade suficiente de insetos suscetíveis próximos às lavouras de milho Bt e que os insetos sobreviventes resistentes, oriundos da área com milho Bt, sejam raros. Estas duas condições são importantes para que o plano de manejo de resistência tenha êxito.

Dadas as condições de clima, tipo de praga e da agricultura brasileira, recomenda-se o uso de um refúgio equivalente a 10% da área total de milho da propriedade e que a mesma não exceda 1500 metros de distância da área com milho Bt.

O híbrido utilizado para a área de refúgio, preferencialmente, deve ser o mesmo usado com o gene Bt por questões práticas e operacionais dentro da propriedade como o uso de práticas de manejo a exemplo da adubação de cobertura, colheita, performance do produto, etc., mas não é obrigatório. A obrigatoriedade é que este híbrido tenha o mesmo ciclo, mantendo assim a igualdade de condições ambientais para os insetos.

Estas diferenças de condução do milho Bt, no início, poderão trazer certa resistência por parte dos agricultores por ser algo fora da sua rotina, mas, com certeza, os benefícios da tecnologia tais como melhor controle de pragas, redução do uso de inseticidas, diminuição de operações de pulverização, maior disponibilidade de máquinas, equipamentos e, até mesmo, mão-de-obra e melhoria da qualidade do grão, vão superar esta mudança de práticas agrícolas. Nos países onde se usa esta tecnologia há vários anos, a adoção das áreas de refúgio ultrapassa os 85%.​

 



 
Autor:
Goran Kuhar Jezovsek
Gerente de Registro e Regulamentação da Pioneer Sementes
Fonte: