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Artigos

20/11/2008

Manejo do Mofo Branco da Soja

O Mofo Branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, tem preocupado produtores de culturas como o feijão, o algodão, a soja e o girassol. O fungo tem como hospedeiros mais de 300 espécies pertencentes a aproximadamente 200 gêneros botânicos. Em anos recentes, esta doença tem ocorrido de forma bastante severa nos cultivos de soja, especialmente em áreas onde também é cultivado feijão com irrigação por pivô central. A monocultura e o incremento da população de plantas têm contribuído substancialmente para o aumento na incidência do Mofo Branco da soja. As condições de clima favoráveis para seu desenvolvimento são alta umidade e temperaturas amenas. Nesta situação, uma lavoura de soja pode sofrer, em média, perdas de 30% ou mais, com possibilidade de chegar a 100% em períodos chuvosos e quando medidas preventivas não são tomadas.

 

O Mofo Branco - Estrutura, ciclo, comportamento e sintomas
Na ausência de hospedeiro suscetível, como as culturas citadas, o fungo pode persistir no solo por meio de suas estruturas de resistência, de coloração escura, conhecidas por escleródios. Estas estruturas, formadas pelo micélio do fungo, contêm substâncias de reserva que permitem a sua sobrevivência por muito tempo, até que as condições do ambiente sejam favoráveis à sua germinação. O ciclo do Mofo Branco inicia quando os escleródios germinam na superfície do solo, formando os apotécios, que são estruturas semelhantes a pequenos cogumelos, nos quais são produzidos os esporos do fungo. Para que isto ocorra, são necessários de 7 a 14 dias de alta umidade no solo e temperatura em torno de 13 a 16 ºC. Cada apotécio pode liberar milhões de esporos que são disseminados pelo vento dentro do dossel de plantas. A infecção primária ocorre nas pétalas das flores senescentes, a partir das quais o fungo invade os tecidos sadios das plantas. Períodos de 12 horas com alta umidade, durante 2 a 5 dias contínuos, favorecem a infecção e a disseminação da doença.

Os sintomas iniciais são lesões encharcadas nos tecidos da parte aérea que normalmente tenham contato com as flores infectadas. As lesões espalham-se rapidamente pelas hastes, ramos e vagens onde aparece uma eflorescência que lembra algodão, constituindo os sinais característicos da doença. A partir deste estágio inicia-se o ciclo secundário do Mofo Branco em que a doença se espalha diretamente pelo contato entre plantas doentes e sadias. Temperaturas entre 20 e 25 ºC são ideais para a disseminação da doença. Até o florescimento, ela dificilmente manifesta-se. Mas, depois que a florada cai, dissemina-se rapidamente.

 

Manejo e controle da doença
Da mesma forma como o rápido fechamento das entrelinhas antes do florescimento maximiza o potencial produtivo da soja, também favorece a ocorrência de condições ideais para o desenvolvimento da doença. Neste sentido, em áreas com altos níveis da doença são necessárias modificações nas práticas culturais como aumento no espaçamento de plantas e menor densidade de semeadura, que devem oferecer mais aeração na lavoura. Outro aspecto importante no manejo da doença, principalmente influenciando na eficácia dos fungicidas, é o potencial de inóculo no solo, representado pelo número de escleródios por metro quadrado e, também, pela capacidade do fungo em disseminar e atacar as plantas, que pode variar entre os isolados.

Em solos infestados, com médio ou elevado número de escleródios, são recomendadas medidas integradas de controle devido a rapidez de desenvolvimento da doença nas condições de ambientes favoráveis, uma vez que as medidas isoladas não se têm mostrado eficientes. Nestes casos é recomendado o incremento dos antagônicos no solo, a rotação com culturas não hospedeiras como Milho e Sorgo, o manejo da água de irrigação e o controle de invasoras e a utilização de fungicidas específicos. No Brasil não existem fungicidas registrados para o controle do Mofo Branco na cultura da soja. Se a lavoura tiver uma camada de palhada espessa, esta vai dificultar a formação e liberação dos apotécios e esporos do fungo. O controle de invasoras é uma prática que também contribui para a diminuição do Mofo Branco, uma vez que muitas delas podem ser hospedeiras da doença. Além disto, sua presença na lavoura aumenta a densidade do dossel favorecendo o desenvolvimento da doença.

A forma de disseminação do Mofo Branco é através dos esporos ou dos escleródios. Segundo estudos realizados, os esporos podem disseminar-se a até 50 metros através do vento. Já os escleródios podem se disseminar nos equipamentos de colheita e através das sementes. Algumas práticas, como a limpeza da colhedeira quando se passa de um campo atacado para outro sem a doença ou a colheita dos campos atacados por último, auxiliam a minimizar o problema.

Como forma de assegurar que não ocorra disseminação via sementes, a Pioneer® adota um criterioso sistema de controle de qualidade durante todo o processo de multiplicação de sementes como a seleção dos campos de produção, da adoção de um sistemático e intenso programa de inspeção de campo, além de outros procedimentos. As sementes de soja da Pioneer são rigorosamente inspecionadas para assegurar que estejam livres da doença e sem a presença de escleródios.

 

O monitoramento da lavoura e a tecnologia de aplicação fazem toda diferença
O fungicida selecionado, seja de ação de contato ou sistêmica, deve ser posicionado no alvo no momento correto e de forma adequada para se obter um controle econômico e racional da doença. Os fungicidas de contato devem ser colocados sobre a superfície vegetal de maneira que haja uma cobertura uniforme, visando uma barreira química que possa impedir ou dificultar o contato do hospedeiro com o patógeno. Os fungicidas sistêmicos penetram e translocam dentro da planta, embora boa parte da quantidade aplicada permaneça do lado de fora, sem penetrar nos tecidos, atuando também como protetores ou por contato.

O controle químico do Mofo Branco requer muita atenção do produtor. O momento correto da aplicação e a penetração dos fungicidas é crítico para o sucesso. A primeira pulverização deve ser feita preventivamente, quando surgirem as primeiras flores na parte inferior das plantas. Deve ser feita quando as condições forem favoráveis à doença e surgirem os primeiros apotécios. Além disto, a qualidade de aplicação do produto químico a ser utilizado é tão importante quanto a época porque ele tem de alcançar as partes inferiores da planta e a superfície do solo, além de proteger as flores.

O período crítico da doença vai do florescimento até a formação das vagens. As flores são muito importantes em todo o ciclo. Desde o fechamento das plantas, devido ao microclima, o produtor precisa redobrar os cuidados na lavoura. As cultivares que têm florescimento mais longo necessitam de um período maior de proteção. Para todo o período, que vai do início do florescimento até formação de vagens, são necessárias, em média, de duas a três aplicações de produtos químicos com intervalos variáveis de 12 a 15 dias.

 

Conclusões
Nenhuma prática isolada é eficaz no controle do Mofo Branco. Mas, como foi visto, existem diversas opções que, quando combinadas, podem ajudar a reduzir a pressão, facilitando o manejo da doença. A adequação de práticas culturais como a rotação de culturas, o espaçamento e a população de plantas são bons exemplos. Atualmente não há cultivares de soja resistentes ao Mofo Branco, mas claramente é possível identificar diferentes níveis de tolerância à doença. A equipe do programa de melhoramento de soja da Pioneer trabalha intensamente através de experimentos de campo e de laboratório no sentido de identificar materiais com tolerância ao Mofo Branco.

 

Referências
- BUTZEN, S. Managing White Mold of Soybeans. Crop Insights, v. 7, n. 9, 1997.
- OLIVEIRA, S. H. F. Manejo do mofo branco. Revista DBO Agrotecnologia, Ano 2, n. 4, 2005.​

Autor:
Carlos Renato Echeveste da Rosa
Engenheiro Agrônomo Assistente de Pesquisa Sênior
Fitopatologista Mestrado em Fitopatologia
Fonte: