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Artigos

29/12/2008

Quando colher a lavoura de milho para silagem

A época de colheita da lavoura para silagem já foi tema em edições anteriores e muito tem se feito para levar informações técnicas sobre o assunto aos produtores. No entanto, o momento correto do corte da planta de milho para silagem, infelizmente, ainda tem sido o erro mais freqüente na produção de silagem.

Na grande maioria das situações o produtor faz a opção pelo corte da planta mais verde por quatro motivos: 1) a ensiladeira corta mais fácil; 2) a compactação no silo é facilitada; 3) os animais consomem mais, 4) perde-se menos grãos nas fezes dos animais.

Toda a vez que o produtor pensar desta maneira será grande o prejuízo.

Para que o corte do milho seja melhorado, deve se fazer o uso correto da ensiladeira e não cortar a planta mais verde. O ideal é que se faça a afiação das facas, no mínimo, duas vezes ao dia, bem como a aproximação das facas com contrafacas de maneira a se obter tamanhos regulares de partículas e a máxima quebra de grãos. Em geral, as regulagens de corte recomendadas para as ensiladeiras disponíveis no mercado variam entre 4 e 6mm, proporcionando partículas com tamanho entre 1 e 3 cm e boa eficiência na quebra de grãos. Eventualmente, regulagens até menores podem ser indicadas se os teores de matéria seca forem mais elevados. Estas recomendações não são empíricas: estão baseadas em grande número de avaliações de qualidade de corte em silagem, utilizando-se a metodologia desenvolvida pela equipe da Pennsylvania State University, dos EUA, com o Separador de Partículas Penn State (SPPS).

Tem sido comum recomendações de regulagens de corte muito superior e, as vezes, até a redução no total de facas de ensiladeira com a finalidade de se aumentar a efetividade da silagem (estímulo à ruminação). Como conseqüência tem-se grandes perdas no cocho (Figura 1) (“rodelas de sabugo com grãos”, palhas, pedaços de colmo, etc.) e a redução do conteúdo energético da silagem em função da menor digestibilidade dos grãos que, em grande parte, não foram processados.

 

A compactação do silo é facilitada pela eficiência no corte das plantas (uniformidade das partículas); distribuição de camadas mais finas e um tempo de compactação sempre 20% superior ao tempo de corte. Ao cortar a lavoura mais verde, o produtor transporta mais água para o silo e menos nutrientes (energia) e aumenta os custos de ensilagem. Lamentavelmente, alguns produtores ainda são orientados em antecipar o corte da silagem de maneira que se tenham perdas na forma de efluente (“choro da silagem”) e que esse efluente (produto altamente poluente) seja recolhido e fornecido aos animais.

Quando devidamente processados, os grãos de milho provenientes da silagem que aparecem nas fezes correspondem àquela fração (de passagem mais rápida) que não foi digerida naturalmente pelos animais. Ela é pouco representativa e independe da textura (dentado ou duro) do grão, uma vez que não há qualquer diferença de degradação no rúmen e de digestibilidade total pelo animal nesta fase da planta.

Na prática o que se tem visto como recomendações para se “diminuir a presença de grãos nas fezes” nada mais são do que antecipar o corte e diminuir, de maneira bastante significativa, a quantidade de grãos na silagem.

Nas Tabelas 1 e 2  verificamos que quanto mais cedo se colhe o milho para silagem menor é a participação de espigas (grãos) na lavoura e menor será a qualidade da silagem.

 

 

Em geral, o ponto ideal de corte se dá quando os grãos atingem o estágio de farináceo-duro, momento em que a planta acumula a maior quantidade de matéria seca (MS) de melhor qualidade nutricional, podendo variar seus teores de MS entre 32 e 36%, dependendo do híbrido. Nesse estágio da lavoura (uns 50% ou pouco mais da linha do leite) colhe-se 95% dos grãos e 100% da forragem que o milho pode produzir.

Em levantamento realizado pela Fundação ABC (entidade de pesquisa do Paraná) com amostras de silagens analisadas durante dois anos consecutivos, constatou-se que a antecipação de corte do milho para a silagem, em função da menor quantidade de grãos, eleva os teores de fibra e reduz sensivelmente os teores de energia (NDT) da silagem (Tabela 3). Do ponto de vista econômico, a desvantagem para o produtor é que os menores teores de energia da silagem demandam maiores quantidades de ração concentrada, o que eleva de maneira significativa os custos de produção.

 

O produtor deve estar sempre atento para as recomendações de híbridos para silagem. Não existe um híbrido ideal, aquele que possa ser recomendado em diferentes regiões sem que sua produtividade seja comprometida.

Na realidade, muitas vezes, são recomendados híbridos de baixa produtividade e tolerância a pragas e doenças e sugere-se o corte “um pouco mais verde”, de maneira que não sejam evidenciadas suas limitações de produtividade. Se um híbrido não tem condições de expressar boa produtividade, ele certamente será pouco eficiente para produzir uma silagem de boa qualidade.

Da mesma maneira como se faz para lavouras de milho destinadas à colheita de grãos, as recomendações de milho para silagem devem, “obrigatoriamente”, ser feitas, visando a máxima produtividade. Por isso, os híbridos devem apresentar boa sanidade e maior tolerância a pragas. O ideal é que sejam elaboradas combinações de híbridos, de maneira a aproveitar o máximo potencial produtivo de cada um, aliado ao melhor ponto de colheita (janela de corte). Uma boa combinação de híbridos permite que as lavouras sejam colhidas no momento ideal. O produtor poderá ainda optar por silos menores e, por isso, o tempo para fechamento será menor, além da melhor eficiência de compactação em função de menores volumes.

O produtor deve sempre buscar o aumento da produtividade agrícola, aproveitando a máxima eficiência da cultura do milho em transformar insumos em volumoso (matéria seca) de alta qualidade. Por isso, o momento ideal de colheita é de fundamental importância. A qualidade da silagem está diretamente relacionada ao que se colhe na lavoura. Se devidamente armazenada, uma boa silagem demanda menos insumos para maiores produtividades de carne ou leite, que refletem em maior rentabilidade na atividade.

Autor:
Prof. Dr. João Ricardo Alves Pereira
Professor-Adjunto do Depto. de Zootecnia Curso de Zootecnia UEPG/Castro (PR)
jricardouepg@uol.com.br
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